quarta-feira, 10 de maio de 2017


Gosto de coisas simples, gosto de amizades que não cobram presenças nem sentimentos. Gosto de pessoas, sim, de seres humanos, de pessoas que sabem ser seres humanos, que difícil e tão raro é encontrar, pessoas/seres humanos.
Delicio-me com aquela calma do mar que vejo todos os dias da minha varanda, e não me delicio menos quando o vejo atormentado, desejando galgar por aqui acima.
Gosto de chegar a casa, no fim de um dia de trabalho, mais ou menos cansativo, e parar a olhar em frente, a olhar as nuvens que sobrevoam e pairam sobre a minha paisagem, aquela luz incandescente de um sol que começa a pôr-se. Como é bonito!
Encanto-me, apaixonada, a olhar nos olhos da minha cadela, que sorriem para mim, porque cheguei. Eufórica, sempre, a saltar imenso. Como gosto da minha cadela, Carlota.
Gosto de silêncios, sim, silêncios que dizem tanto, que me levam a meditar sobre mim, sobre as minhas falhas, sobre tudo o que vou fazendo de melhor, sobre o ser humano. Gosto dos silêncios que me levam à evolução, ao encontro com a minha luz interior. Não gosto menos de música, pelo contrário, apazigua-me a alma, que tantas vezes, se desequilibra e precisa realinhar-se.
Não gosto de ambiguidades, mas a sociedade está imersa num todo ambíguo, habituei-me a isso, e por vezes, sou-o também, ambígua, na tentativa de encontrar o caminho entre todas as nuances dúbias que a sociedade nos impõe.
Posto isto, não sou diferente de ninguém, nem igual a ninguém. Sou um ser humano que a cada dia procura em si e nos outros, a aprendizagem que é suposto esta vida terrena nos dar, e no intervalo, vou contribuindo para que outros tentem encontrar o mesmo.


© Alexandra Carvalho

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