segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A esta altura,
O meu coração está a pedir
Reações conhecidas.
As de culpa!
Percebo tardiamente,
Que tenho décadas de culpa acumulada.
E o meu corpo
É todo ele cheio de dor
E ressentimento.
Com os outros, e acima de tudo,
Comigo própria.
Atraio lágrimas
E poucos momentos de felicidade.
Porque essa ainda sou eu.
Uma alma que tenta se encontrar,
Dispersa entre o ego
E a grandeza espiritual.
Carente de amor,
Porque sou pequena demais
Para ver o verdadeiro amor.
O incondicional.
Que está em tudo, em todos,
E não apenas, o de um homem
Com uma mulher.
Subo um degrau, dois degraus
E penso estar a evoluir.
Logo depois, afigura-se
Uma escada e tropeço,
Não caio apenas um degrau, caio todos.
E a alma?
Está perdida novamente.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 10 de outubro de 2017


À força de querer encontrar palavras,
Cheguei ao veredicto.
Não existem mais, gastaram-se
E já não as consigo reinventar.
Porque os propósitos de vida
Não têm de ser longos, ou nem sempre o são.
À força de querer encontrar proximidade,
Descobri barreiras altas,
Intransponíveis, que outrora não eram.
Os sentimentos serão vazios,
Se não forem totais.
Que existam apenas esses.

 © Alexandra Carvalho

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


O coração fica pequeno, chega a querer saltar de ansiedade, de sentimentos vários que me assolam a alma. Sim, porque eu sou alma e não um espectro qualquer que deambula na matéria.
Torna-se difícil, por vezes, gerir as minhas emoções quando preciso de ajudar outros a gerir as suas.
De vez em quando, sinto necessidade de olhar para mim e pedir um intervalo, autorizar-me a deixar, por menor tempo que seja, toda essa gestão emocional alheia.
Se perco o meu eu, tenho de o encontrar, e na alienação total, consigo distinguir onde ele está.
Assustado, algumas vezes, cansado, várias, mas pronto, sempre, para ser resgatado e continuar a missão que anteriormente aceitou.
Respiro fundo, uma, duas, três vezes, e tento buscar a minha energia mais luminosa, a mais próxima do meu verdadeiro eu.
Volto para o campo de batalha, onde tantos comportamentos me surpreendem, onde incontáveis não sentimentos me chocam.
Pelo caminho, desiludo-me, não sinto que nasçamos para ser projectos tão débeis de seres humanos. Todavia, temos todos um caminho e o meu não tem de ser necessariamente igual ao dos restantes seres humanos que me circundam.
Respeito que cada um tenha o seu tempo certo para evoluir como ser humano, na matéria e como alma, ser de luz, lá em casa.


© Alexandra Carvalho

sábado, 27 de maio de 2017





Há portas que não te levam ao mundo que precisas,
mas janelas há,
que te levam para o infinito.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 10 de maio de 2017


Gosto de coisas simples, gosto de amizades que não cobram presenças nem sentimentos. Gosto de pessoas, sim, de seres humanos, de pessoas que sabem ser seres humanos, que difícil e tão raro é encontrar, pessoas/seres humanos.
Delicio-me com aquela calma do mar que vejo todos os dias da minha varanda, e não me delicio menos quando o vejo atormentado, desejando galgar por aqui acima.
Gosto de chegar a casa, no fim de um dia de trabalho, mais ou menos cansativo, e parar a olhar em frente, a olhar as nuvens que sobrevoam e pairam sobre a minha paisagem, aquela luz incandescente de um sol que começa a pôr-se. Como é bonito!
Encanto-me, apaixonada, a olhar nos olhos da minha cadela, que sorriem para mim, porque cheguei. Eufórica, sempre, a saltar imenso. Como gosto da minha cadela, Carlota.
Gosto de silêncios, sim, silêncios que dizem tanto, que me levam a meditar sobre mim, sobre as minhas falhas, sobre tudo o que vou fazendo de melhor, sobre o ser humano. Gosto dos silêncios que me levam à evolução, ao encontro com a minha luz interior. Não gosto menos de música, pelo contrário, apazigua-me a alma, que tantas vezes, se desequilibra e precisa realinhar-se.
Não gosto de ambiguidades, mas a sociedade está imersa num todo ambíguo, habituei-me a isso, e por vezes, sou-o também, ambígua, na tentativa de encontrar o caminho entre todas as nuances dúbias que a sociedade nos impõe.
Posto isto, não sou diferente de ninguém, nem igual a ninguém. Sou um ser humano que a cada dia procura em si e nos outros, a aprendizagem que é suposto esta vida terrena nos dar, e no intervalo, vou contribuindo para que outros tentem encontrar o mesmo.


© Alexandra Carvalho

domingo, 23 de abril de 2017

A despedida começa agora

Fotografia de Rita Escórcio

Levei tempo a processar os meus sentimentos. Tinha quase como certo que te tinha superado, que havia chorado todas as lágrimas que me poderias provocar. Não chorei. Fui mascarando com sorrisos disfarçados, com certezas que afinal não eram fidedignas.
E o meu coração ficou amargurado.
Fugi até das palavras, elas levavam-me até ti, sabes? Eu não queria falar sobre ti. Que ingénua fui.
Evento atrás de evento, ou o teu nome ou a tua presença, confrontavam-me com factos, com a realidade. Alexandra, chora! Processa a dor!
Hoje disseram-me algo muito assertivo, “tu ainda não perdoaste, por isso é que ainda sofres”. E não perdoei a quem? A ti, por defraudares as minhas expectativas, ou a mim, por inequivocamente, me ter ludibriado com um sentimento inexistente?
Processei hoje, muito mais esta dor, do que lá atrás, quando a constatei.
Amanhã, saberei ver-te a passar ao lado, na estrada que continua a ser apenas minha, na estrada que tu apenas passas.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Hoje pensei sobre isso. Sobre partidas mas que não são perdas. Nas minhas crenças encontramo-nos todos depois, no tempo certo de cada um. Mas ainda assim, pensei sobre isso. Que palavras ficariam por dizer? E percebi que muito poucas palavras ficariam no silêncio. E porquê? Porque quem eu gosto, quem gosta de mim, sabe desde sempre, que nas atitudes e no sorriso já digo o quanto os amo. E para mim, basta-me isso. Depois haveríamos todos de conversar sobre tudo o resto, no reencontro, na nossa casa.

© Alexandra Carvalho