domingo, 1 de abril de 2018

Serenidade



A verdade é que os momentos recentes, têm-me ensinado a serenidade. O meu coração foi sempre desgovernado e as experiências passavam por mim e eu não sabia reconhecê-las.
Não tinha maturidade espiritual suficiente para perceber os erros, para aprender com eles, mas acima de tudo, não tinha maturidade para estar bem comigo própria, apesar dos erros.
Afundava imensas vezes numa tristeza interior, visível apenas para mim. Pensava eu que a grande façanha era conseguir não mostrar ao mundo a minha dor, o meu vazio espiritual.
De resto, percebi que não era façanha, era medo. Medo de mostrar o meu verdadeiro eu, medo até de falar comigo própria.
Em cada frase que escrevi ao longo destas duas décadas, tinha quase a plena certeza que naquele momento, no encontro da minha alma com o papel, eu falava comigo. De facto, falava. Mas não me entendia.
Debitava palavras desesperadas de uma Alexandra com muitas dúvidas, dúvidas essencialmente acerca da sua existência, o porquê de alguns acontecimentos, o porquê de algumas emoções.
Sei agora que tudo estava conectado.
Os acontecimentos repetitivos que me mostravam que eu precisava quebrar os padrões na minha vida, precisava fechar ciclos.
Percebi também que custa encerrar ciclos, qualquer ciclo. Porque é quando os quebramos que aprendemos a conviver com o desapego.
Crescemos com aquela sensação predefinida que para estarmos bem temos de possuir coisas e infelizmente, pessoas também.
Não temos, é precisamente o contrário.
Quando compreendemos que nada é nosso e que ainda assim, podemos desfrutar das pessoas, dos sentimentos que elas nos provocam, das experiências que nos enriquecem e ajudam a melhorar aqui na matéria, como seres humanos, há um peso que sai de cima da nossa alma que não tem definição nem medida.
É verdade, nós podemos amar sem posse, sem controlo, sem pressões, sem cobranças, e esse amor é pleno e não acaba.
O desapego, na realidade, ensinou-me a compreender melhor o que era o amor e que eu poderia sim, amar desta forma e ser amada do mesmo jeito.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

E assim é



E é como se já não fosses nada,
Como se de repente, nunca o tivesses sido.
Mas foste.
Em que momento foste embora e eu não percebi?
E em que momento eu deixei-te ir e também não percebi?
Mas assim é a vida.
Um acumular de pessoas que vão,
Que ficam, que passam.
Percebeste como se acabaram as palavras?
Já não temos nenhuma um para o outro.
Há um sorriso que fica, que é fácil,
Mas as palavras acabaram.
E sem palavras, sobra nada.
Já fomos tudo, agora não somos nada.
E assim é, e assim é.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Não tenham medo de amar

Percebi que não devemos ter medo de dizer o que sentimos e na altura em que o sentimos.
Umas das falhas maiores do ser humano é este tremendo medo de amar, como se de uma vulnerabilidade se tratasse.
E com essa falha, vamos regredindo como seres humanos.
Enquanto não percebermos que o principal motivo da nossa existência é aprender a amar, teremos dificuldade em nos aceitarmos, como somos e aos outros.
A vida é mais difícil assim.
Não tenham medo de amar.



© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Um 2018 pleno de amor



Com o aproximar do final deste ano, dei comigo a pensar sobre todos estes dias que passaram, que ficaram para trás, deste ano 2017. As conquistas, as decepções, os obstáculos. As amizades que mantive, as que se tornaram mais fortes, as que inevitavelmente perderam-se. As constatações internas e externas, que foram contribuindo para me tornar melhor, como ser humano, como profissional. As grandes experiências/vivências que fui tendo, que me mostraram essencialmente, que o caminho certo é sem dúvida o do amor, independentemente das opiniões contrárias, dos gostos diferentes, dos sonhos/metas diferentes de cada um. Se em todas as experiências fáceis ou difíceis da nossa vida, conseguirmos seguir o amor, como estado principal de existência, a nossa vida, terá sempre uma luz bem mais brilhante.
Que 2018 seja pleno de amor para todos.



© Alexandra Carvalho