sábado, 2 de dezembro de 2017



Terá chegado a altura.
Quando nos permitimos reflectir sobre o que sentimos, as respostas começam a ganhar forma. Nem sempre serão as que estamos à espera, mas certamente serão essas respostas que nos vão facultar uma vida melhor, dias mais felizes, energias mais positivas.
Perdemos tempo por causa do medo. O medo de nos confrontarmos com um destino que não foi o que pensamos estar a traçar.
Sim, é verdade chegou a altura de nos libertarmos.
Enganas-te tu ao pensar que apenas eu preciso libertar-te.
Como eu preciso que me libertes.
Ao não assumirmos os nossos sentimentos, vamos aprisionando as pessoas. Não me aprisiones mais.
É facto, que importante foste para resgatar esta Alexandra, que há tanto andava perdida.
É hora. Chegou à hora.
Que as nossas lembranças sirvam sempre para nunca sermos piores do que já fomos.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A esta altura,
O meu coração está a pedir
Reações conhecidas.
As de culpa!
Percebo tardiamente,
Que tenho décadas de culpa acumulada.
E o meu corpo
É todo ele cheio de dor
E ressentimento.
Com os outros, e acima de tudo,
Comigo própria.
Atraio lágrimas
E poucos momentos de felicidade.
Porque essa ainda sou eu.
Uma alma que tenta se encontrar,
Dispersa entre o ego
E a grandeza espiritual.
Carente de amor,
Porque sou pequena demais
Para ver o verdadeiro amor.
O incondicional.
Que está em tudo, em todos,
E não apenas, o de um homem
Com uma mulher.
Subo um degrau, dois degraus
E penso estar a evoluir.
Logo depois, afigura-se
Uma escada e tropeço,
Não caio apenas um degrau, caio todos.
E a alma?
Está perdida novamente.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 10 de outubro de 2017


À força de querer encontrar palavras,
Cheguei ao veredicto.
Não existem mais, gastaram-se
E já não as consigo reinventar.
Porque os propósitos de vida
Não têm de ser longos, ou nem sempre o são.
À força de querer encontrar proximidade,
Descobri barreiras altas,
Intransponíveis, que outrora não eram.
Os sentimentos serão vazios,
Se não forem totais.
Que existam apenas esses.

 © Alexandra Carvalho

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


O coração fica pequeno, chega a querer saltar de ansiedade, de sentimentos vários que me assolam a alma. Sim, porque eu sou alma e não um espectro qualquer que deambula na matéria.
Torna-se difícil, por vezes, gerir as minhas emoções quando preciso de ajudar outros a gerir as suas.
De vez em quando, sinto necessidade de olhar para mim e pedir um intervalo, autorizar-me a deixar, por menor tempo que seja, toda essa gestão emocional alheia.
Se perco o meu eu, tenho de o encontrar, e na alienação total, consigo distinguir onde ele está.
Assustado, algumas vezes, cansado, várias, mas pronto, sempre, para ser resgatado e continuar a missão que anteriormente aceitou.
Respiro fundo, uma, duas, três vezes, e tento buscar a minha energia mais luminosa, a mais próxima do meu verdadeiro eu.
Volto para o campo de batalha, onde tantos comportamentos me surpreendem, onde incontáveis não sentimentos me chocam.
Pelo caminho, desiludo-me, não sinto que nasçamos para ser projectos tão débeis de seres humanos. Todavia, temos todos um caminho e o meu não tem de ser necessariamente igual ao dos restantes seres humanos que me circundam.
Respeito que cada um tenha o seu tempo certo para evoluir como ser humano, na matéria e como alma, ser de luz, lá em casa.


© Alexandra Carvalho

sábado, 27 de maio de 2017





Há portas que não te levam ao mundo que precisas,
mas janelas há,
que te levam para o infinito.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 10 de maio de 2017


Gosto de coisas simples, gosto de amizades que não cobram presenças nem sentimentos. Gosto de pessoas, sim, de seres humanos, de pessoas que sabem ser seres humanos, que difícil e tão raro é encontrar, pessoas/seres humanos.
Delicio-me com aquela calma do mar que vejo todos os dias da minha varanda, e não me delicio menos quando o vejo atormentado, desejando galgar por aqui acima.
Gosto de chegar a casa, no fim de um dia de trabalho, mais ou menos cansativo, e parar a olhar em frente, a olhar as nuvens que sobrevoam e pairam sobre a minha paisagem, aquela luz incandescente de um sol que começa a pôr-se. Como é bonito!
Encanto-me, apaixonada, a olhar nos olhos da minha cadela, que sorriem para mim, porque cheguei. Eufórica, sempre, a saltar imenso. Como gosto da minha cadela, Carlota.
Gosto de silêncios, sim, silêncios que dizem tanto, que me levam a meditar sobre mim, sobre as minhas falhas, sobre tudo o que vou fazendo de melhor, sobre o ser humano. Gosto dos silêncios que me levam à evolução, ao encontro com a minha luz interior. Não gosto menos de música, pelo contrário, apazigua-me a alma, que tantas vezes, se desequilibra e precisa realinhar-se.
Não gosto de ambiguidades, mas a sociedade está imersa num todo ambíguo, habituei-me a isso, e por vezes, sou-o também, ambígua, na tentativa de encontrar o caminho entre todas as nuances dúbias que a sociedade nos impõe.
Posto isto, não sou diferente de ninguém, nem igual a ninguém. Sou um ser humano que a cada dia procura em si e nos outros, a aprendizagem que é suposto esta vida terrena nos dar, e no intervalo, vou contribuindo para que outros tentem encontrar o mesmo.


© Alexandra Carvalho

domingo, 23 de abril de 2017

A despedida começa agora

Fotografia de Rita Escórcio

Levei tempo a processar os meus sentimentos. Tinha quase como certo que te tinha superado, que havia chorado todas as lágrimas que me poderias provocar. Não chorei. Fui mascarando com sorrisos disfarçados, com certezas que afinal não eram fidedignas.
E o meu coração ficou amargurado.
Fugi até das palavras, elas levavam-me até ti, sabes? Eu não queria falar sobre ti. Que ingénua fui.
Evento atrás de evento, ou o teu nome ou a tua presença, confrontavam-me com factos, com a realidade. Alexandra, chora! Processa a dor!
Hoje disseram-me algo muito assertivo, “tu ainda não perdoaste, por isso é que ainda sofres”. E não perdoei a quem? A ti, por defraudares as minhas expectativas, ou a mim, por inequivocamente, me ter ludibriado com um sentimento inexistente?
Processei hoje, muito mais esta dor, do que lá atrás, quando a constatei.
Amanhã, saberei ver-te a passar ao lado, na estrada que continua a ser apenas minha, na estrada que tu apenas passas.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Hoje pensei sobre isso. Sobre partidas mas que não são perdas. Nas minhas crenças encontramo-nos todos depois, no tempo certo de cada um. Mas ainda assim, pensei sobre isso. Que palavras ficariam por dizer? E percebi que muito poucas palavras ficariam no silêncio. E porquê? Porque quem eu gosto, quem gosta de mim, sabe desde sempre, que nas atitudes e no sorriso já digo o quanto os amo. E para mim, basta-me isso. Depois haveríamos todos de conversar sobre tudo o resto, no reencontro, na nossa casa.

© Alexandra Carvalho

sábado, 25 de fevereiro de 2017




Entre as palavras que se calam no tumulto do silêncio, o olhar transborda de parágrafos esfuziantes.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017


São os silêncios que me surpreendem e deliciam.
Cansa-me o barulho,
As vozes que nada dizem.
São aqueles silêncios em que os olhares regozijam de tantas palavras
que são ditas, que me cativam, deveras.
Deixo para trás, de forma pensada e consciente, as pessoas que precisam
de usar a voz para que eu as ouça.
No silêncio, não me passam nada.
E as palavras que entoam, afinal, estão cheias de vazio.
Cansa-me o barulho carregado de vazio.
Apraz-me estes silêncios partilhados, e são esses,
apenas esses, que quero levar comigo, daqui em diante.
Mais silêncios surjam, mais seres humanos capazes de os sentir e viver.



© Alexandra Carvalho

domingo, 1 de janeiro de 2017

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
Vivemos entre barreiras, muralhas,
ora altas, ora rasteiras
que o simples levantar do pé já as transpõe.
Somos invadidos pelo medo.
O pé não consegue levantar-se,
até que pensemos sobre isso.
As barreiras começam a quebrar-se
e as muralhas, deixam de ser intransponíveis.
Somos nós que as criamos,
somos só nós que as podemos derrubar.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Juntar a alma, é sobejamente mais difícil.


É inevitável, a vida irá nos oferecer alguns tropeções. Obstáculos grandes, outros menores. Como vamos reagir a eles, é que é a chave de tudo isto, de estar vivo.
Quando fui de férias, recentemente, ia com o coração partido, e intimamente senti que a distância das minhas raízes iria conseguir juntar as pecinhas que estavam todas misturadas e algumas minuciosamente partidas.
O trabalho que se avizinhava era árduo. Colar um frasco que se quebra já não é tarefa fácil, mas juntar a alma, é sobejamente mais difícil.
Sair da minha zona de conforto, embora tenha facilitado, não foi factor suficiente para que as peças se juntassem todas, juntaram-se algumas. Mas nesta tarefa, apercebi-me que não estava a colá-las em consonância com a minha essência, a verdadeira. Estava deliberadamente a afastar-me de quem era antes, porque o eu anterior, havia-me atraído para uma situação que me fez sofrer. Nós queremos sofrer? Não, ninguém quer. E se, este eu, me atraía para isso, tentei que me redefinisse de forma diferente. Tarefa inglória esta, porque nós somos o que somos. E que nos consciencializemos que não vamos conseguir fugir muito tempo de quem realmente somos.
Nós melhoramos arestas, a cada dia, mas fugir de nós, e substituir por outro eu qualquer, não o devemos fazer.
Voltei às raízes e à rotina, e foi precisamente, na rotina e não fora dela que percebi que o caminho que estava a trilhar não era de facto, o que eu queria. Se permitisse continuá-lo, a médio prazo, teria eventualmente, me perdido completamente.
A essência genuína teria sido mitigada por uma qualquer produzida por um eu maltratado e que não soube fazer o luto, sim, porque nós fazemos o luto mais vezes na vida e não apenas quando perdemos da vida terrena, os nossos entes mais chegados.
Eu tinha um luto emocional para fazer e estava a fugir dele, esse era o caminho mais fácil. Se fingisse ser diferente, conseguiria num curto espaço de tempo voltar a sorrir, mas a que custo? E que sorriso seria esse? Não seria o puro.
Percebi que nós temos de chorar, se assim for necessário, não nos torna mais fracos. Não há que ter vergonha. Nós temos de nos revoltar de vez em quando, isso leva-nos outra vez para nós próprios, liberta-nos.
A chave é encontrar sempre o caminho de volta, e trazer connosco o ensinamento que a dor nos deu.
Tudo acontece para que depois a vida nos traga o melhor.



© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A Carlota

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Dizem que as pessoas aparecem na nossa vida, no momento em que são necessárias. Com Carlota não foi diferente.
Acho que é pertinente contextualizar, Carlota, é a cadela que cativou o meu coração.
Ouvi durante muito tempo, que se não conseguia amar um animal, é porque interiormente, não me amava a mim. Que qualquer bloqueio emocional, não me permitia amar. Nunca concordei, era impossível fazê-lo. Eu amava-me, amava os outros também.
Mas Carlota, recém-chegada a casa, pequenita, preta, com uns olhinhos negros que apelavam a que não conseguisse tirar os meus olhos dos dela, veio alterar tudo.
Carlota era da mana mais nova, foi ela que primariamente necessitou da sua presença, mas nada acontece por acaso, eu também viria a precisar dela, mais cedo ou mais tarde.
Olha para mim, agora, que já não é pequena, com o mesmo olhar negro que me cativou lá atrás. Ela está ali sempre. O meu dia sabe bem, quando me sento, feito criança, nas escadas de casa e fico a brincar com ela.
Os dias nem sempre são iguais, e se por qualquer acaso, eu não puder vê-la, falar com ela, sinto saudades, ela também sente.
Este é um amor puro, genuíno. Um amor que não espera nada em troca, mas que dá, sempre, sem restrição.
Dificilmente, veria os meus dias da mesma forma, se não tivesse Carlota.
Penso que antes também já conseguia amar, mas sim, ela trouxe-me uma dimensão de amor, diferente da que eu conhecia e sentia.
E por isso, obrigada à mana, que a trouxe, e obrigada Carlota, por seres aquele primeiro animal que me fez amar incondicionalmente.


© Alexandra Carvalho

domingo, 23 de outubro de 2016



Sinto aquele frio que timidamente passa pelo meu rosto. 
A maresia invade-me de tal ordem, que pareço deixar de respirar.
E as ondas, ora bruscas ora suaves, entoam aquela melodia que me reconforta.
Deixo-as para trás, permito que os meus pés sigam caminho. 
Lá voltarei, sempre.


© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A escolha que é minha, tua, nossa


Algo nos atrai e repele, e é curioso pensar sobre isso.
Penso que nenhum de nós está preparado para um amor assim, aquele amor que defendemos como sendo o único, o puro, o genuíno. E porque o defendemos, e porque sabemos de antemão que este será o primeiro, nasce o medo. O medo que é calado, que não se denuncia.
Deixamos que os dias corram, que o tempo faça o que tem a fazer. Não escondemos o que sentimos, mas também não o dizemos.
Imagino o desfecho. Seremos capazes de o aceitar, de finalmente, sermos nós próprios, estando um com o outro?
Com os defeitos que ambos conhecemos um no outro e os restantes que ainda não tivemos tempo de conhecer?
Com as qualidades que já adoramos e todas as outras que certamente sobressairão depois?
Diz-me, que desfecho prevês?
Seremos capazes de aceitar o desafio que, inevitavelmente, nos trará a felicidade?


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


Aproximas-te devagar e o meu corpo estremece. O teu sorriso encontra o meu e é inevitável, fico sem jeito.
Pergunto-me se percebes? Se o meu corpo me denuncia, se a minha voz trémula sobressai?
Tento controlar as minhas emoções, dou ordem aos meus sentidos para que se estabeleçam.
No fundo, queria o teu beijo. Não sei se o terei, mas intimamente, desejo-o.
Desejo o teu toque pelo meu rosto, pelo meu cabelo. O toque a dizer que sentes o mesmo. O sorriso que comprova que me encontraste, que já me encontraste. Que me consegues ler, que leste desde o início.
E para mim, por ora, bastava isso.


© Alexandra Carvalho

domingo, 2 de outubro de 2016

Auto-análise



De vez em quando é preciso parar.
É preciso parar e olhar a direcção que deliberadamente ou não estamos a tomar na nossa vida.
Hoje, eu parei e olhei para o meu caminho. Acho que não estarei assim tão mal. Ainda assim, momentos há, de vulnerabilidade e nostalgia, em que penso que não pode ser só isto.
Sinto que ainda me falta todo um processo que me proporcione alcançar a minha verdadeira missão terrena.
O coração sente-se pequeno.
As palavras inundam-me imensas vezes, algumas, passo-as para o papel, outras não. Deixo-as fazer o trabalho que é suposto, são palavras minhas, exclusivas para que medite sobre as decisões que venho tomado e que todos os dias tomo.
Deixo que façam a cura que preciso. É naquele preciso momento, que surgem em debandada, que uma das maiores decisões é feita. Escolho entendê-las e seguir a jornada, ou ignoro-as, e tudo continua igual.
Nem toda a opção parece fácil, há caminhos que se assemelham mais complexos e sinuosos. No fim, somos nós que os fazemos assim ao atribuir essa conotação. É o medo.
Para evoluirmos, precisamos não ter medo.
A vida faz-se com mudanças, se assim não for, não viemos cá fazer nada nem aprender nada.
Olho para trás e há memórias que parecem ter sido vividas por outro eu, que não é este de agora. Mas isso, deixa-me feliz. A evolução acontece, ora lenta, ora mais acelerada. Mas acontece.
Hoje, o coração sente-se pequeno. Estarei a caminho de outro patamar, que não cabe neste eu? 

© Alexandra Carvalho




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Plenitude


Nós não sabemos, nunca sabemos quando é que a partida se aproxima. Mas sabemos sim, se existe medo se não. Se nos invade a sensação atroz de não querer ir embora.
Não tenho medo de ir embora.
Não sou daqui.
Lamentarei apenas, caso parta, sem antes conhecer o verdadeiro amor, o puro, o único.
O amor que era suposto encontrar nesta vida e não na próxima.
Terei porventura falhado novamente e deixei-o escapar por entre a minha até então, tumultuada personalidade. Esta alma que apenas recentemente começou a conhecer a paz.
A conhecer-se, a cada uma das suas partes.
Enquanto não nos conhecemos, enquanto não alcançamos a nossa paz interior, o amor vai passando ao nosso redor, mas não somos capazes de o reconhecer, nem tão pouco de o aceitar.
A alma sem plenitude não é capaz de viver o que lhe está destinado.
O amor é o estado puro da plenitude. O amor, nas suas diversas formas. Quando o entendemos, apresenta-se então a alma gémea. A alma que nos acompanha vida após vida, que nos acompanha no alcance da sabedoria e da evolução espiritual.
Lamentarei apenas partir sem que tenha sido capaz de a reconhecer.
Todavia, a evolução continuará.
Sempre continuará.


© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dualidade

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
E porque em algum momento temos de nos libertar das máscaras que, uma após a outra fomos incorporando na nossa vida, hoje, estou a libertar-me das minhas.
Parecia fácil usá-las! Embora à noite as retirasse, o peso tendia a permanecer. Cada uma deixava algo em mim.
Hoje decidi libertar-me delas, mas a verdade é que deixei de as usar faz tempo e desde que o fiz o sorriso é praticamente permanente e real.
Não tentarei ser outros eus senão aqueles que já sou, e bastam-me esses.
Sim, outros eus, porque não sou apenas um. Tendo a não acreditar que alguém tenha apenas um eu.
Não somos tão lineares.
Vamos acumulando ao longo do tempo, características divergentes e sim, aí deixamos de ser apenas aquele eu que achávamos que éramos. Somos esse e o outro que entretanto se apoderou de nós.
Hoje estou a assinar a minha carta de alforria.
Deixo para trás as máscaras que não me assentam bem e os amores, as paixões que inconscientemente deixaram resquícios, porque eu permiti que continuassem alojados.
O passado não deve caminhar no presente, deve apenas ser um indicador do percurso que tivemos até aqui, deve funcionar como um impulsionador a não cometer os mesmos erros. Mas jamais deve interferir com o presente.
Os amores terminaram, tiveram a função que era suposto terem. As paixões arrebatadoras, não passaram disso mesmo e já não fazem sentido.
Dou autorização ao meu coração que se liberte deles.
Ainda que não surja outro amor, sinto-me livre para o acolher quando chegar.
Acima de tudo, sinto-me livre para viver com a plena certeza que agora nada me condiciona.
Hoje sou o eu que quero ser.
Amanhã posso ser o outro, ainda assim, serei eu exclusivamente, a decidir qual deles incorporar.


© Alexandra Carvalho