Entre as palavras que se calam no tumulto do silêncio, o olhar transborda de parágrafos esfuziantes.
© Alexandra Carvalho
sábado, 25 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
São os silêncios que me surpreendem e deliciam.
Cansa-me o barulho,
As vozes que nada dizem.
São aqueles silêncios em que os olhares regozijam de tantas palavras
que são ditas, que me cativam, deveras.
Deixo para trás, de forma pensada e consciente, as pessoas que precisam
de usar a voz para que eu as ouça.
No silêncio, não me passam nada.
E as palavras que entoam, afinal, estão cheias de vazio.
Cansa-me o barulho carregado de vazio.
Apraz-me estes silêncios partilhados, e são esses,
apenas esses, que quero levar comigo, daqui em diante.
Mais silêncios surjam, mais seres humanos capazes de os sentir e viver.
© Alexandra Carvalho
domingo, 1 de janeiro de 2017
Feliz Ano Novo
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Feliz Ano Novo
😘
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
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Vivemos entre
barreiras, muralhas,
ora altas, ora
rasteiras
que o simples levantar
do pé já as transpõe.
Somos invadidos pelo
medo.
O pé não consegue
levantar-se,
até que pensemos sobre
isso.
As barreiras começam a
quebrar-se
e as muralhas, deixam
de ser intransponíveis.
Somos nós que as
criamos,
somos só nós que as
podemos derrubar.
© Alexandra Carvalho
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Juntar a alma, é sobejamente mais difícil.
É inevitável, a vida irá nos
oferecer alguns tropeções. Obstáculos grandes, outros menores. Como vamos
reagir a eles, é que é a chave de tudo isto, de estar vivo.
Quando fui de férias, recentemente,
ia com o coração partido, e intimamente senti que a distância das minhas raízes
iria conseguir juntar as pecinhas que estavam todas misturadas e algumas
minuciosamente partidas.
O trabalho que se avizinhava era
árduo. Colar um frasco que se quebra já não é tarefa fácil, mas juntar a alma,
é sobejamente mais difícil.
Sair da minha zona de conforto, embora
tenha facilitado, não foi factor suficiente para que as peças se juntassem
todas, juntaram-se algumas. Mas nesta tarefa, apercebi-me que não estava a
colá-las em consonância com a minha essência, a verdadeira. Estava deliberadamente
a afastar-me de quem era antes, porque o eu anterior, havia-me atraído para uma
situação que me fez sofrer. Nós queremos sofrer? Não, ninguém quer. E se, este
eu, me atraía para isso, tentei que me redefinisse de forma diferente. Tarefa
inglória esta, porque nós somos o que somos. E que nos consciencializemos que
não vamos conseguir fugir muito tempo de quem realmente somos.
Nós melhoramos arestas, a cada
dia, mas fugir de nós, e substituir por outro eu qualquer, não o devemos fazer.
Voltei às raízes e à rotina, e
foi precisamente, na rotina e não fora dela que percebi que o caminho que
estava a trilhar não era de facto, o que eu queria. Se permitisse continuá-lo,
a médio prazo, teria eventualmente, me perdido completamente.
A essência genuína teria sido
mitigada por uma qualquer produzida por um eu maltratado e que não soube fazer
o luto, sim, porque nós fazemos o luto mais vezes na vida e não apenas quando
perdemos da vida terrena, os nossos entes mais chegados.
Eu tinha um luto emocional para
fazer e estava a fugir dele, esse era o caminho mais fácil. Se fingisse ser
diferente, conseguiria num curto espaço de tempo voltar a sorrir, mas a que
custo? E que sorriso seria esse? Não seria o puro.
Percebi que nós temos de chorar,
se assim for necessário, não nos torna mais fracos. Não há que ter vergonha.
Nós temos de nos revoltar de vez em quando, isso leva-nos outra vez para nós
próprios, liberta-nos.
A chave é encontrar sempre o
caminho de volta, e trazer connosco o ensinamento que a dor nos deu.
Tudo acontece para que depois a
vida nos traga o melhor.
© Alexandra Carvalho
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
A Carlota
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Dizem que as pessoas aparecem na
nossa vida, no momento em que são necessárias. Com Carlota não foi diferente.
Acho que é pertinente
contextualizar, Carlota, é a cadela que cativou o meu coração.
Ouvi durante muito tempo, que se
não conseguia amar um animal, é porque interiormente, não me amava a mim. Que
qualquer bloqueio emocional, não me permitia amar. Nunca concordei, era
impossível fazê-lo. Eu amava-me, amava os outros também.
Mas Carlota, recém-chegada a
casa, pequenita, preta, com uns olhinhos negros que apelavam a que não conseguisse
tirar os meus olhos dos dela, veio alterar tudo.
Carlota era da mana mais nova,
foi ela que primariamente necessitou da sua presença, mas nada acontece por acaso,
eu também viria a precisar dela, mais cedo ou mais tarde.
Olha para mim, agora, que já não
é pequena, com o mesmo olhar negro que me cativou lá atrás. Ela está ali sempre.
O meu dia sabe bem, quando me sento, feito criança, nas escadas de casa e fico
a brincar com ela.
Os dias nem sempre são iguais, e
se por qualquer acaso, eu não puder vê-la, falar com ela, sinto saudades, ela
também sente.
Este é um amor puro, genuíno. Um
amor que não espera nada em troca, mas que dá, sempre, sem restrição.
Dificilmente, veria os meus dias
da mesma forma, se não tivesse Carlota.
Penso que antes também já
conseguia amar, mas sim, ela trouxe-me uma dimensão de amor, diferente da que
eu conhecia e sentia.
E por isso, obrigada à mana, que
a trouxe, e obrigada Carlota, por seres aquele primeiro animal que me fez
amar incondicionalmente.
© Alexandra Carvalho
domingo, 23 de outubro de 2016
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