sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dualidade

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
E porque em algum momento temos de nos libertar das máscaras que, uma após a outra fomos incorporando na nossa vida, hoje, estou a libertar-me das minhas.
Parecia fácil usá-las! Embora à noite as retirasse, o peso tendia a permanecer. Cada uma deixava algo em mim.
Hoje decidi libertar-me delas, mas a verdade é que deixei de as usar faz tempo e desde que o fiz o sorriso é praticamente permanente e real.
Não tentarei ser outros eus senão aqueles que já sou, e bastam-me esses.
Sim, outros eus, porque não sou apenas um. Tendo a não acreditar que alguém tenha apenas um eu.
Não somos tão lineares.
Vamos acumulando ao longo do tempo, características divergentes e sim, aí deixamos de ser apenas aquele eu que achávamos que éramos. Somos esse e o outro que entretanto se apoderou de nós.
Hoje estou a assinar a minha carta de alforria.
Deixo para trás as máscaras que não me assentam bem e os amores, as paixões que inconscientemente deixaram resquícios, porque eu permiti que continuassem alojados.
O passado não deve caminhar no presente, deve apenas ser um indicador do percurso que tivemos até aqui, deve funcionar como um impulsionador a não cometer os mesmos erros. Mas jamais deve interferir com o presente.
Os amores terminaram, tiveram a função que era suposto terem. As paixões arrebatadoras, não passaram disso mesmo e já não fazem sentido.
Dou autorização ao meu coração que se liberte deles.
Ainda que não surja outro amor, sinto-me livre para o acolher quando chegar.
Acima de tudo, sinto-me livre para viver com a plena certeza que agora nada me condiciona.
Hoje sou o eu que quero ser.
Amanhã posso ser o outro, ainda assim, serei eu exclusivamente, a decidir qual deles incorporar.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Constatação Evolutiva

As pessoas entram e saem da nossa vida a um ritmo estonteante. Algumas permanecem. Os papéis entrelaçam-se mais tempo e somos necessários na vida um do outro.
Ficamos por tempo indeterminado.
Nem sempre é fácil perceber o que é que aquela pessoa faz ali, porque continua ali, como nem sempre é fácil perceber porquê que aquela pessoa, em particular entrou na nossa vida.
Mas hoje reflectirei apenas na tua pessoa.
As tuas crenças e/ou ideologias não se coadunam com as minhas, ainda assim, por um determinado papel, tu inevitavelmente, entraste na minha vida.
Não escrevo especialmente para ti, antes que atribuas uma importância irreal às minhas palavras. Eu escrevo. Ponto.
Questiono essencialmente as emoções, as vivências que vão construindo a minha história.
Não sou uma pessoa fácil, nunca fui. O que é certo num dia, deixa de o ser no outro. Não sou constante e tenho dificuldade em aceitar comportamentos padronizados, que resvalam na banalidade, e acima de tudo, na futilidade.
Afasto-me deliberadamente de tudo o que não me apraz. De tudo e de todos. Isolo-me não raras vezes, para poder voltar ao meu eu original.
A sociedade gosta de corromper, de aliciar para o que não somos.
E se a mente estiver fraca, somos facilmente corrompíveis.
Costumo dizer que trago em mim toda a insatisfação do mundo. Condensada numa mente que considera ser pouco o que aqui vivemos. A pequenez de sentimentos ultrapassa-me, ultrapassa a minha acepção do que é viver, do que é amar.
Ultrapassa-me que aceitemos que o ser humano é básico, e que gosta de ser assim.
Quando esbarramos em seres humanos que nos parecem familiares, semelhantes a nós, olhamos com mais atenção.
De miúdo, irmão mais novo da antiga amiga de infância, facilmente saltas para o papel de um semelhante. Pela estranheza que reconheci imediatamente.
Não me ocorre, por ora, o papel que é suposto teres na minha história, ou eu na tua.
Todavia, identifico com clareza as nuances da minha inconstância, perante o confronto da tua insensibilidade.
Num dia és o semelhante, no outro, um ser humano básico que pretendo deixar para trás.
A tua insensibilidade, em forma de palavras, remete-me para um eu que não deseja deixar-se afectar pela não reciprocidade, como antes acontecera.
Não terei definido ainda o teu papel, mas certamente encontrei uma das tuas funções, ensinar-me a arte do desapego e da liberdade. A liberdade de reconhecer e aceitar que nem sempre os sentimentos serão recíprocos mas que apesar disso, podemos continuar a sorrir.
Porventura, a esta altura já estaria eu noutro patamar evolutivo, e a tua interferência apenas veio enfatizar esse facto.
Numa fase mais descontrolada e inconstante, certamente já te teria varrido de todas as minhas redes, pessoais e virtuais.
Não o fiz, nem vou fazê-lo por tais motivos.
A tua primeira função considera-se executada, permaneço, no entanto, no caminho da aprendizagem e evolução.


© Alexandra Carvalho

domingo, 24 de julho de 2016

Debruço-me e olho o mar




Debruço-me e olho o mar,
os pensamentos deixam-se esvoaçar,
E encaminham-se, ajudados pela brisa, para todo o lado
e para lado nenhum.
Perco-os nas ondas agitadas, do mar que me conhece,
que intimamente, me conhece.
Que fique com os pensamentos desnecessários,
e faça retornar os restantes.
Talvez, não precise devolver nenhum.
A mente ficou livre, de resto, era apenas isso que eu queria.
E o meu mar, assim o permitiu.



© Alexandra Carvalho

domingo, 3 de julho de 2016

Essência/Energia


Ainda que nos conheçamos, à nossa essência, tendemos a fazer tudo errado. O oposto do que ela nos pede.
Não sabemos reconhecer as pessoas, vimo-las pelo prisma que nos beneficia mais. Procuramos pelo que nos faz falta, ainda que ali, naquela pessoa não esteja nada do que procuramos.
Sabemos de antemão disso, e ainda assim, a visão deturpada consegue ver o que não existe.
A vida é estranha, e na maior parte das vezes, não conseguimos entendê-la.
Os dias tornam-se obscuros quando deixamos que as expectativas nos condicionem. Aliás, quando simplesmente permitimos a sua existência.
Se num momento, sentimos estar a percorrer o caminho certo, logo depois, somos puxados, com tal força, para o ponto que nos desvia do nosso caminho.
Entender que é apenas um desvio, e que é um teste para que possamos ser cada vez melhores, não é tarefa fácil. E é aqui que nos perdemos. É aqui que a essência fica tumultuada, porque a renegamos, porque deixamo-nos perder.
E não estamos aqui para isso.
Nascemos todos com uma energia única, individual e suprema. Mas cabe a nós, tão-somente a nós, direccioná-la para a sua verdadeira missão.
A luz brilhará apenas quando estivermos cientes disso e conseguirmos contornar todos os desvios.


© Alexandra Carvalho

domingo, 12 de junho de 2016

Dicotomia

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Não me tentes analisar,
Quando eu própria estou em constante análise.
Confundes-me!
Sei, sem que o digas, que ainda não me encontrei.
Mas, sendo tu a dizê-lo, custa mais.
A constatação toma uma forma amplificada,
E mostra um eu, deveras, confuso e ansioso.
Que de resto, talvez, seja para toda a vida assim.
Se atingir o equilíbrio que procuro, a plenitude que acredito ser utópica,
Não sei mais que poderei fazer aqui.
Saberei eu, gerir o tempo sem a insatisfação, que tão habituada estou?
Às perguntas infindáveis, aos sentimentos que, esporadicamente,
Tendo a não acreditar que existem?
Ainda assim, entre a dicotomia do medo de mudança e o equilíbrio,
Agrada-me que existas, agrada-me que continuamente me empurres para mim própria.
E se me ajudares no encontro com o meu verdadeiro eu,
Terás conseguido a proeza, que entretanto, deixei de acreditar que fosse possível.


©Alexandra Carvalho

terça-feira, 31 de maio de 2016

Encontro

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts

Soam difíceis de ouvir as tuas palavras, 
As ilações que de mim tiras. 
Que de antemão e deliberadamente, fazes. 
Difíceis, porque acertas e porque as dizes alto. 
Dizes aquilo que eu própria deveria dizer. 
Sem desculpas ou subterfúgios. 
Que pensar quando alguém assim entra na nossa vida? 
Alguém que nos empurra para o nosso eu?
Por ora, não tento desmistificar. 
Fazes-me bem, basta isso.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Supremacia

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
Talvez não queira ir embora
Sem conhecer o deleite de um verdadeiro amor.
Sem sentir o toque do homem que anseia
Todos os momentos do dia por mim.
Que sonha voltar a encontrar o olhar puro
Da alma que o completa.
E provavelmente, será injusto se não o encontrar.
Não é o amor, a supremacia de estar vivo?


© Alexandra Carvalho