terça-feira, 31 de maio de 2016

Encontro

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Soam difíceis de ouvir as tuas palavras, 
As ilações que de mim tiras. 
Que de antemão e deliberadamente, fazes. 
Difíceis, porque acertas e porque as dizes alto. 
Dizes aquilo que eu própria deveria dizer. 
Sem desculpas ou subterfúgios. 
Que pensar quando alguém assim entra na nossa vida? 
Alguém que nos empurra para o nosso eu?
Por ora, não tento desmistificar. 
Fazes-me bem, basta isso.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Supremacia

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Talvez não queira ir embora
Sem conhecer o deleite de um verdadeiro amor.
Sem sentir o toque do homem que anseia
Todos os momentos do dia por mim.
Que sonha voltar a encontrar o olhar puro
Da alma que o completa.
E provavelmente, será injusto se não o encontrar.
Não é o amor, a supremacia de estar vivo?


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Estará o verdadeiro amor em extinção?

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Esporadicamente, penso sobre isto das relações amorosas ou do próprio amor. Quase sempre fico pela conclusão que este não é um tema que se deva pensar ou escrever.
Olhando em volta, eu diria que o amor perdeu-se algures no passado, noutra época que não é a que eu conheço. Arrisco mesmo a dizer que a grande maioria dos casais sorridentes que povoam as redes sociais, principalmente, nas redes sociais, são um autêntico erro de definição.
Por favor, não poluam as energias cósmicas ao apregoar amores inexistentes. Sim, porque envolver-se com a moça jeitosa ou o moço jeitoso que vos passa à frente, não me parece ser sinónimo de amor. Ou será?
Regredimos assim tanto, ou evoluímos assim tanto, que as relações deixaram de ser monogâmicas?
Se olharmos lá para trás, para um passado, que não deixa de ser recente e bem familiar, em que os casamentos eram essencialmente contratos entre famílias com o fim de juntar riquezas, esta bigamia era facilmente justificada.
Muitos jovens encontravam o amor fora daquele casamento previamente arranjado, mas hoje, que apregoamos a liberdade e acreditamos que a vivemos, isso cai por terra.
O que leva homens e mulheres a assumir publicamente namoros e casamentos, mas ainda assim, procurando continuamente fora daquelas paredes onde vivem, essa falta de amor?
Terá porventura, a humanidade perdido a sua essência? Terá ganhado medos que a condicionam à felicidade, ao verdadeiro amor?
Estará a humanidade condenada ao vazio das verdadeiras emoções?
E surge a questão que emerge responder: estará o verdadeiro amor em extinção?


© Alexandra Carvalho

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Considerações carnavalescas

O Carnaval passa por mim 
como qualquer outro dia,
Não consigo vivê-lo nem tão pouco entendê-lo.
Não passará apenas de um dia,
Em que as almas insatisfeitas se desprendem da máscara que não lhes assenta bem.
Durante todo o ano.
Não serão capazes de a deixar conscientemente?
O disfarce assume-se como a resposta fácil e mais rápida.
Um dia apenas, umas horas apenas.
E depois, regressam à máscara antiga, a que na verdade,
Não é a real. 
Tomara que o Carnaval fosse todos os dias,
Para estas almas insatisfeitas.



© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Não sou mais do que um mero peão,
numa estrada difícil de circular.
As esquinas estão em todo o lado e
as lombas fazem-se sentir a cada metro.
Este peão está cansado.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Amanhã será sempre outro dia

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Desengane-se quem tem a ideia extremamente oblíqua de que apenas as mulheres sofrem à mercê de relacionamentos sugadores de energia. Não passa disso mesmo, de uma ideia totalmente errada.
Olhando transversalmente para a nossa sociedade, os casos gritantes envolvem sempre mulheres. Mulheres subjugadas, descrentes da felicidade, descrentes da vida.
Mas também os há no sexo masculino.
Assim de repente, surge no meu campo de visão, um homem vítima de um relacionamento dominador e acima de tudo manipulador.
Fui observando aos poucos, o comportamento dele e dela, como mera espectadora mas com o olhar atento de uma profissional da área social.
Se na mulher, muitas vezes, a submissão prende-se com motivos financeiros, com o medo da solidão, o desamparo, com o não saber que fazer com o espaço que resta depois de aquela pessoa sair da sua vida. No homem, é puramente emocional.
As mulheres sabem sempre que relacionamento estão a viver, mas falta-lhes a força para escrever o ponto final.
Habituamo-nos a uma imagem quase sagrada do homem másculo, forte, que pouca coisa lhe afecta, que ama mas não se subjuga a mulher alguma.
Como essa visão está tão descabida no nosso mundo real.
Na minha observação informal, vejo um homem submisso, que já não ama, mas não sabe discernir o que é habituação de amor. Um homem manipulado, por uma mulher que sabe isso, e usa a seu favor, mantendo-o preso numa rédea tão curta que o impede de pensar, reflectir sobre a falta de felicidade na sua vidinha, que não o satisfaz.
As discussões são recorrentes, o cansaço emocional é característica intrínseca do dia-a-dia, ele já não sabe o que é acordar em paz. Já não sabe o que é sorrir genuinamente.
Olha em volta, para os sorrisos que se abrem para ele e por momentos, deseja que um desses sorrisos seja o dele, ou para ele, apenas para ele.
Mas a noite chega, e por momentos, no silêncio do seu quarto, vê que não é feliz.
Não importa, amanhã é outro dia. Outro dia de desgaste emocional, de novos sorrisos que se abrem e à noite, voltará a pensar sobre a sua infelicidade.
Amanhã será sempre outro dia.



©Alexandra Carvalho

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Mas existe, sempre

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É possível amar tanto alguém que queiramos deixar de amar, de tanto que dói?
A cada volta que a vida dá, este é um amor que se desencontra e encontra.
A cada discussão, este é um amor que promete acabar e logo depois revigora-se.
A cada palavra que é dita, erradamente, este é um amor que se renega, que orgulhosamente, decide renegar-se.
Mas existe, sempre.
É possível amar-te tanto e querer deixar-te para sempre?



© Alexandra Carvalho