domingo, 7 de fevereiro de 2016

Considerações carnavalescas

O Carnaval passa por mim 
como qualquer outro dia,
Não consigo vivê-lo nem tão pouco entendê-lo.
Não passará apenas de um dia,
Em que as almas insatisfeitas se desprendem da máscara que não lhes assenta bem.
Durante todo o ano.
Não serão capazes de a deixar conscientemente?
O disfarce assume-se como a resposta fácil e mais rápida.
Um dia apenas, umas horas apenas.
E depois, regressam à máscara antiga, a que na verdade,
Não é a real. 
Tomara que o Carnaval fosse todos os dias,
Para estas almas insatisfeitas.



© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Não sou mais do que um mero peão,
numa estrada difícil de circular.
As esquinas estão em todo o lado e
as lombas fazem-se sentir a cada metro.
Este peão está cansado.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Amanhã será sempre outro dia

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
Desengane-se quem tem a ideia extremamente oblíqua de que apenas as mulheres sofrem à mercê de relacionamentos sugadores de energia. Não passa disso mesmo, de uma ideia totalmente errada.
Olhando transversalmente para a nossa sociedade, os casos gritantes envolvem sempre mulheres. Mulheres subjugadas, descrentes da felicidade, descrentes da vida.
Mas também os há no sexo masculino.
Assim de repente, surge no meu campo de visão, um homem vítima de um relacionamento dominador e acima de tudo manipulador.
Fui observando aos poucos, o comportamento dele e dela, como mera espectadora mas com o olhar atento de uma profissional da área social.
Se na mulher, muitas vezes, a submissão prende-se com motivos financeiros, com o medo da solidão, o desamparo, com o não saber que fazer com o espaço que resta depois de aquela pessoa sair da sua vida. No homem, é puramente emocional.
As mulheres sabem sempre que relacionamento estão a viver, mas falta-lhes a força para escrever o ponto final.
Habituamo-nos a uma imagem quase sagrada do homem másculo, forte, que pouca coisa lhe afecta, que ama mas não se subjuga a mulher alguma.
Como essa visão está tão descabida no nosso mundo real.
Na minha observação informal, vejo um homem submisso, que já não ama, mas não sabe discernir o que é habituação de amor. Um homem manipulado, por uma mulher que sabe isso, e usa a seu favor, mantendo-o preso numa rédea tão curta que o impede de pensar, reflectir sobre a falta de felicidade na sua vidinha, que não o satisfaz.
As discussões são recorrentes, o cansaço emocional é característica intrínseca do dia-a-dia, ele já não sabe o que é acordar em paz. Já não sabe o que é sorrir genuinamente.
Olha em volta, para os sorrisos que se abrem para ele e por momentos, deseja que um desses sorrisos seja o dele, ou para ele, apenas para ele.
Mas a noite chega, e por momentos, no silêncio do seu quarto, vê que não é feliz.
Não importa, amanhã é outro dia. Outro dia de desgaste emocional, de novos sorrisos que se abrem e à noite, voltará a pensar sobre a sua infelicidade.
Amanhã será sempre outro dia.



©Alexandra Carvalho

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Mas existe, sempre

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
É possível amar tanto alguém que queiramos deixar de amar, de tanto que dói?
A cada volta que a vida dá, este é um amor que se desencontra e encontra.
A cada discussão, este é um amor que promete acabar e logo depois revigora-se.
A cada palavra que é dita, erradamente, este é um amor que se renega, que orgulhosamente, decide renegar-se.
Mas existe, sempre.
É possível amar-te tanto e querer deixar-te para sempre?



© Alexandra Carvalho

domingo, 13 de dezembro de 2015

Doce encantamento

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
A noite caía e ele a pensar nela, o dia clareava e ele continuava a pensar nela.
Tão enfeitiçado que estava.
Mas não podia pensar nisso, havia atrelado a ele, o peso da responsabilidade de um relacionamento. Uma outra mulher estava ligada a ele. Uma ligação já tão ténue mas ainda assim, existente.
Mas que fazer, se os pensamentos levavam-no sempre para o rosto que não era o que estava ali ao seu lado.
Dava consigo a pensar no sorriso, que de resto, tinha sido o que o atraiu primeiro.
Aquele sorriso puro, desinteressado e apaziguador. Mas se começou pelo sorriso, não tardou que o olhar o perseguisse também.
O olhar que o desarmava, como se de um raio X se tratasse.
Era desnecessário dizer que a queria, aquele olhar já o sabia, soube logo. Soube e manteve-se indiferente. Olhava-o de relance e bastava isso para o manter deliciosamente encantado.
Havia dúvidas que ela o quisesse também.
Ocasionalmente passava ela de carro, pela rua da sua casa, e na sua ingenuidade pensava ele, que era intencional aquela passagem.
Ingenuidade e utopia, a casa localizava-se na estrada principal por onde ela teria inevitavelmente de passar.
Todavia, mantinha a doce ilusão que ela apenas passava para o provocar.
Estaria ele a apaixonar-se por aquela mulher desconhecida que mal lhe dava atenção, ou estava ele cansado daquele amor que há muito havia deixado de o ser?
Confundiam-se as coisas na sua cabeça, só tinha a certeza de uma, queria-a e iria tê-la.

© Alexandra Carvalho

Já vi este mesmo olhar

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Já vi este mesmo olhar
Com outro brilho,
A emanar uma luz incandescente
De tão real que era.
Já vi este mesmo sorriso
Abrir-se sem razão,
Como se não houvesse um amanhã por vir.
A rir desmedidamente e sem razão.
Mas agora, este mesmo olhar
Está apagado, obscuro,
A emanar uma agressiva tristeza
De tão real que é.
Agora, este mesmo sorriso
Não encontra razão, nem quando há razão.
Fechou-se para todas as gargalhadas da vida.
Fechou-se, temporariamente, e sem razão.


© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Apego

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Quando o meu olhar desvia para o passado, a tua presença assume-se uma constante. Uma existência que me desarma, que me atordoa.
Mas a tua presença não me é benéfica, não me favorece, pelo contrário, consome-me a energia que tantas vezes, por si só, já é oscilante.
Tenho dificuldade em desapegar-me de ti, por tudo aquilo que partilhamos juntos, e que eventualmente, poderíamos voltar a partilhar.
Todavia, pela primeira vez, a minha consciência tomou o seu lugar de direito e alertou-me, tu não és aquilo que eu quero para esta vida.
Quando olho lá para trás, para além da intensidade dos momentos que vivenciamos, há uma panóplia de tristeza, dor, dúvida e solidão.
Não há intensidade que valha uma vida carregada de incertezas.
Não vou dizer que amanhã passarás a ser uma figura do passado, mas posso sim dizer, que hoje entendi que preciso deixar-te, e que amanhã continuarei o processo de desapego.
Tenho saudades tuas e amanhã, as saudades serão as mesmas, até que acabarão, silenciosamente.
E só aí, estarei livre.


© Alexandra Carvalho