quarta-feira, 29 de julho de 2015

Invasões

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As memórias invadem-me a mente,
Silenciosas, intimidantes, atrozes.
Num ápice, ouço vozes,
Umas que chamam à atenção,
Outras, que me libertam.
Fiz apenas o que me apetecia fazer,
Lá atrás, não agora.
E é lá atrás que elas precisam ficar,
No passado, aonde pertencem.
Deixo-as lá, não apago.
Noutro dia, voltarão,
Menos intimidantes, atrozes e silenciosas.


©Alexandra Carvalho

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pensamentos soltos sobre ti

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Não raras vezes penso em ti. Tu sabes.  
Dou comigo a pensar que poderias ser muito mais do que aquele amigo que conto levar para a vida inteira. Até ao fim dos meus dias. Acho que seríamos uma boa dupla de companheiros, amigos, amantes, namorados. Iríamos rir muito mas também chatearmos muito. Sim, porque temos mais semelhanças que diferenças. E das semelhanças surgem mais discussões. Discussões que acabariam sempre da mesma forma, como os eternos amantes que seríamos, que poderíamos ser. 
Mas depois de pensar nisso, lembro que afinal tens namorada. Esqueço muitas vezes disso, sabes porquê? Porque ela não te dá brilho ao olhar. Apagas que nem uma vela quando passa uma leve brisa no ar. Não te sinto completo, nem tão pouco te sinto feliz. E não imaginas a tristeza que isso me dá. 
Sabes, ainda que pense em nós como um só. Ficaria na mesma feliz, se soubesse que tens alguém ao teu lado que te completa, alguém que te deixe ser quem tu realmente és. 
Não consigo imaginar-me estar com alguém, com quem não poderia ser eu própria. É um acto cobarde, e tão solitário. Fingir o que não somos e escondermo-nos de nós próprios. E tu, meu amigo, estás embrenhado nesse fingimento. E como lamento isso. 
Não acho que nós sejamos outra coisa nesta vida, senão isto, amigos para a toda a vida. Poderíamos ter tomado decisões diferentes e quem sabe, neste momento, eu estivesse a te dar o brilho que não tens no olhar.  
Mas foi assim, porque nem sempre percebemos o que sentimos, e porque muitas vezes fugimos de quem realmente tem a ver connosco. 
Não sei o efeito que estas palavras podem ter em ti, nem sei se as perceberás como eu quero que tu percebas. 
Mas jamais deixarei de escrever sobre o que me move, sobre as emoções que algo ou alguém provocam em mim. E teres alguém ou não, é-me completamente indiferente. Os poetas são assim, são egoístas, escrevem sobre o que lhes apetecer e que ninguém venha dizer que estão errados.  
É a paixão que me move, e será para sempre assim.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Até sempre


Já me tinha despedido de ti no passado,
porque nem todas as vidas que se encontram
caminham juntas para sempre.
Mas o teu sorriso permanecia por aí.
Ocasionalmente tinha o prazer de o ver.
Não o verei mais
e o nosso passado ficou ainda mais lá para trás.
Que no céu encontres a tua paz,
e o teu sorriso emane a mesma luz,
estejas onde estiveres.
Até sempre.



© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 4 de março de 2015

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O adeus que te disse
Parece-me agora tardio.
Andei a manter-te sem razão.
Quando o coração não sabe o que quer,
A cabeça acaba por deixar-se influenciar.
Forçamos sentimentos que estão destinados a não existir,
Mas ainda assim, conseguimos senti-los.
Ou pensamos que os sentimos.
Tal é o engano.
E quando o coração se equilibra,
É um alívio desmedido.
O adeus que te disse foi tardio,
Mas a sensação de paz, foi na altura certa.
Deixei de precisar de ti.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Talvez até te queira

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Apetecia-me dizer
Para não voltares.
Vai embora e fica lá.
E enquanto lá estiveres
Não te lembres de mim.
Mas se o dissesse, estaria a mentir.
Nem tanto para ti, mas para mim.
Acima de tudo para mim.
Deixa-me ficar com uma versão de ti.
Aquela que mesmo à distância,
Pensa em mim.
A que diz, entusiasmado,
Vemo-nos em breve.
Quero apenas essa parte de ti.
Não a que foge, a que me afasta,
A que me desorienta.
Não nos conhecemos ainda.
Tu és chato, eu sou chata.
Somos os dois, mas não sabemos disso.
Porventura, estaremos destinados
Um ao outro, mas também ainda não sabemos disso.
Por ora, apenas te posso dizer,
Quero aquela versão, e todas as outras.


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal

Esta é se calhar a época do ano que menos me diz, não sei bem porquê. Porventura, quando me vir sozinha, sem os que amo à minha volta, esta época tenha um sentido diferente.
Ainda assim, desejo a todos aqueles que vão passando aqui no Devaneios Existenciais, um Santo e Feliz Natal.

Alexandra Carvalho

sábado, 29 de novembro de 2014

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Não sei lidar com a morte.
Aproximo-me a cada dia dela,
Ainda assim, não sei lidar com ela.
Não me incomoda a minha.
Mas a dos outros.
De todos. Dos que amo desmedidamente.
Não sei quando vou embora.
Podia ir hoje.
Seria a dor menor, porventura.
Do que a perda.
Não sei lidar com a morte,
Apenas com a minha.


© Alexandra Carvalho