quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Talvez até te queira

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Apetecia-me dizer
Para não voltares.
Vai embora e fica lá.
E enquanto lá estiveres
Não te lembres de mim.
Mas se o dissesse, estaria a mentir.
Nem tanto para ti, mas para mim.
Acima de tudo para mim.
Deixa-me ficar com uma versão de ti.
Aquela que mesmo à distância,
Pensa em mim.
A que diz, entusiasmado,
Vemo-nos em breve.
Quero apenas essa parte de ti.
Não a que foge, a que me afasta,
A que me desorienta.
Não nos conhecemos ainda.
Tu és chato, eu sou chata.
Somos os dois, mas não sabemos disso.
Porventura, estaremos destinados
Um ao outro, mas também ainda não sabemos disso.
Por ora, apenas te posso dizer,
Quero aquela versão, e todas as outras.


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal

Esta é se calhar a época do ano que menos me diz, não sei bem porquê. Porventura, quando me vir sozinha, sem os que amo à minha volta, esta época tenha um sentido diferente.
Ainda assim, desejo a todos aqueles que vão passando aqui no Devaneios Existenciais, um Santo e Feliz Natal.

Alexandra Carvalho

sábado, 29 de novembro de 2014

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Não sei lidar com a morte.
Aproximo-me a cada dia dela,
Ainda assim, não sei lidar com ela.
Não me incomoda a minha.
Mas a dos outros.
De todos. Dos que amo desmedidamente.
Não sei quando vou embora.
Podia ir hoje.
Seria a dor menor, porventura.
Do que a perda.
Não sei lidar com a morte,
Apenas com a minha.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 7 de outubro de 2014

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E de repente, é uma solidão desmedida.
As paredes do quarto isolam-me ainda mais.
É possível que sinta mais a tua falta agora,
Do que em todas as outras vezes.
O até já, afigura-se longo,
E até o teu silêncio faz-me falta.
As gargalhadas nocturnas,
As conversas em forma de interrupção.
As indirectas que atingiam que nem flechas
Num coração perdido,
Numa alma desencontrada.
É provável que me estivesse a habituar
À tua presença constante
E a incerteza da tua ausência
Passageira ou derradeira, desconcerta-me.
Falo pouco e sinto tanto.
Neste momento, apenas consigo dizer,
Fazes-me falta.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Os espaços encurtam,
E do nada surge a sensação de claustrofobia.
As paredes parecem querer esmagar-me,
Ou pelo menos, tentam escorraçar-me dali.
O aconchego deixa de existir,
E aquele lugar de suposta paz
Não tem nem réstia dela, dissipou-se.
O fim do verão levou bem mais do que o sol.
Levou-me a calma.
Aquela serenidade que me é imprescindível.
Não sei viver no conflito.
Torturam-me as vozes gritantes,
Não quero mais nada, além de silêncio.


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Indecisões em forma de tormento

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Hoje deixei de encontrar fundamento
Para a minha existência.
E pela primeira vez pensei em partir,
Deixar a minha alma seguir viagem.
Desejei voltar para casa.
Um acto egoísta
De quem não entende o que está cá a fazer.
As vozes dos outros parecem sussurros,
Quase não os ouço, esforço-me para os ouvir.
Até a minha voz parece estar gasta.
Sinto-me cansada.
A pergunta que não se cala:
Mas afinal o que queres fazer?
Não sei. Essa é a resposta que tento não dar.
Um turbilhão de incertezas
Consome-me a cada dia, a cada noite que mal durmo.
E os dias começam sempre da mesma forma.
Será que sós não conseguimos nos encontrar?!
Há um sopro que precisa libertar-se,
Não consegue. Estou a amarrar-me a não sei o quê.
E o estigma parece perseguir-me.
Não faço o que querem que eu faça,
Não sou o que querem que eu seja.
Nem tão pouco sou o que eu queria ser.
Não sou nada, sendo tudo.
Pudesse eu me entender melhor.

© Alexandra Carvalho

16-07-2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Tu e ele

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Há decisões que teimamos em adiar,
Erradamente.
Escolhas que inconscientemente já foram feitas
Mas o medo não nos deixa assumir.
Há sentimentos que optamos por renegar,
Também erradamente.
Que certeza temos nós que aquele sentimento
Não será o certo?
Que por ali pode estar
O caminho que nos fará sorrir?
Resguardo e aconchego o sentimento menor,
E deixo ao vento, livre para ir embora,
O mais importante dos dois.
Penso separadamente em cada um.
Um inquieta-me e o outro faz-me sorrir.
Agradava-me poder juntá-los.
Que dois seres pudessem tornar-se
Apenas em um.
É uma blasfémia!
Nesta indecisão, é provável que me desligue dos dois.
Mas não para já,
Não para já, depois.


© Alexandra Carvalho