quinta-feira, 13 de março de 2014

E se de um momento para o outro deixássemos de existir

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A pergunta é silenciosa
Mas fazêmo-la.
E se de um momento para o outro
Deixássemos de existir?
Existir, no sentido terreno, entenda-se.
O medo de ir embora não me atormenta.
Mas sinto que há muitas palavras por dizer,
Muitos sentimentos por demonstrar.
Tenho medo sim,
De todos, não terem sentido que os amava.
Assusta-me a minha inabilidade
De dizer o que sinto;
A minha habilidade em fechar-me,
Em esconder-me dos afectos.
Afasto-os o mais que posso.
Alma estranha esta!
Conscientemente sei que sou assim,
Inconscientemente não consigo mudar.
E se de um momento para o outro
Deixasse de existir,
As palavras por dizer não teriam sido ouvidas,
Mas certamente, poderão ser lidas.
A alma estranha,
Mostra-se transparente no papel.


© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

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Olhamos para trás
E as imagens assumem-se remotas.
Resquícios de um tempo
Que quase deixamos de acreditar que vivemos.
Parece ter sido vivido por outro eu,
Distante deste que agora existe.
Mas relembramos, saboreamos os momentos.
Eternizamos cada passo dado,
Cada aventura vivida,
Cada olhar partilhado.
Viveríamos tudo outra vez?!
Seríamos capazes de voltar
Ao tempo que se assume remoto?
Jamais.
As memórias servem apenas
Para nos deliciarmos
E relembrar-nos do que nos tornou,
Neste eu, que agora existe.


© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Reflexos/realidade

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O espelho está ali,
Bem à nossa frente.
Mas não sei que imagem vejo.
Tentamos mudar o que ali vimos,
O reflexo do que não queremos ser.
A cor do cabelo passa a ser outra.
Disfarçamos a infelicidade com maquilhagem.
Mas é certo,
Se o olhar é baço
E o sorriso triste,
Não há maquilhagem que nos safe.


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

e as memórias tendem a reaparecer.
Misturam-se todas, as do passado e as do presente.
E deixamos de raciocinar.
Tentamos juntá-las, catalogá-las e acima de tudo, entendê-las.
O passado nem sempre parece o certo.
Tal como somos no agora,
o passado parece um erro medonho.
Mas por isso mesmo, é que está lá atrás.
E se parece irreconhecível, estaremos no caminho certo.
As vivências ensinaram-nos tudo o que era suposto.
Ainda assim, a cada luz que se apaga,
a cada noite que nasce, nós continuamos os mesmos.
As memórias entrelaçam-se umas nas outras,
e talvez, não tenhamos aprendido tudo.
Será, porventura, esse o cerne da vida.
Relembrar, e todos os dias reconhecermo-nos.


© Alexandra Carvalho




quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

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O frio enregela-me os dedos e tento perder a vontade de escrever. Grande parte das vezes consigo o feito, aconchego-me novamente na cama e deixo a série continuar. Que de resto, é das poucas coisas que me entusiasma nestes tempos.
Tenho acorrentado as palavras, não todas, mas as minhas palavras, os meus tais devaneios.
Hoje deparei-me com algo que me fez ressurgir. A minha ausência foi notada, e isso, de certa forma fez-me despertar para o meu verdadeiro eu. Eu não sou aquela que se aconchega nos lençóis e permite-se não pensar em mais nada.
Nos meus silêncios, a mente fervilha e jamais deixei de extravasar o que senti, a revolta, a dor, a felicidade, as pequenas conquistas, as emoções, principalmente as emoções.
Do nada, senti vontade de me anestesiar, planar sobre os dias. Não sei onde andam as emoções, não as encontro, elas também não me encontram.
Mas as palavras saltitam na minha cabeça, não as escrevo, nem tão pouco as falo. Vão saltitando, e interiormente, dando respostas às minhas perguntas.
Por ora, apenas me apetece agradecer a quem, intencionalmente ou não, me fez voltar.
Obrigada.
 
© Alexandra Carvalho
 
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Poucas palavras há a dizer,
pareço gostar de estar em silêncio.
Faz-me bem, pelo menos.
Por ora, a poesia reconforta-me.
Lembra-me quem sou.
Isolo-me não raras vezes,
o mundo confunde-me,
e apenas a caneta e o papel me trazem de novo à realidade.
Não sei muita coisa,
mas esta sociedade parece estar a enganar-se a si própria.
Todos parecem caminhar para o lugar errado,
mas talvez, já seja eu a divagar.
Remeto-me novamente ao meu silêncio,
às paredes silenciosas do meu quarto,
às ondas que vão e vêm, no mar aqui ao lado.
Basta-me isso, ou talvez, desejo que apenas isso baste.

Alexandra Carvalho

sábado, 16 de novembro de 2013

O adeus pode ser apenas uma palavra

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De pouco vale dizer adeus quando não passa de uma simples palavra. E todos sabemos, nem todas as palavras são verdadeiramente sentidas.
Gostava de entender este apego, esta necessidade de voltar a olhar para ti. Eu disse-te adeus mas as minhas próprias palavras estão agora a atraiçoar-me.
O que nos faz dizer algo quando sentimos o oposto? Porque somos atraídos por quem sabemos tão bem que não nos merece?
A verdade, é que todos nós fazemos as mesmas questões, num momento ou noutro.
Ainda que me conheça, há impulsos que não consigo controlar, há desejos que sou incapaz de não ceder.
O que hoje é amanhã deixa de ser, sou de tal forma inconstante que não consigo ficar em lado nenhum. O mundo não tem um paradeiro certo para mim, eu não permito tal.
Nasci assim, esta sou eu, e há muito deixei de querer ser o que os outros queriam que eu fosse.
Não serei um mau produto da sociedade, mas certamente serei um exclusivo.
Sinto ter tantas emoções alojadas, tantas vidas acumuladas, parece-me estar tudo baralhado aqui dentro.
Terei sido em todas as vidas um ser humano confuso?! Terás tu feito parte de todas elas? Ah este apego que não me abandona.
Não te quero mais, querendo tão arduamente. E serás meu de novo, nesta vida ou na próxima.
Continuo a repetir silenciosamente o adeus que te disse, tenho esperança que assim ganhe força e passes a ser uma memória do passado, uma lembrança da única constante no meio da minha tumultuada inconstância.


© Alexandra Carvalho