segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Poucas palavras há a dizer,
pareço gostar de estar em silêncio.
Faz-me bem, pelo menos.
Por ora, a poesia reconforta-me.
Lembra-me quem sou.
Isolo-me não raras vezes,
o mundo confunde-me,
e apenas a caneta e o papel me trazem de novo à realidade.
Não sei muita coisa,
mas esta sociedade parece estar a enganar-se a si própria.
Todos parecem caminhar para o lugar errado,
mas talvez, já seja eu a divagar.
Remeto-me novamente ao meu silêncio,
às paredes silenciosas do meu quarto,
às ondas que vão e vêm, no mar aqui ao lado.
Basta-me isso, ou talvez, desejo que apenas isso baste.

Alexandra Carvalho

sábado, 16 de novembro de 2013

O adeus pode ser apenas uma palavra

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De pouco vale dizer adeus quando não passa de uma simples palavra. E todos sabemos, nem todas as palavras são verdadeiramente sentidas.
Gostava de entender este apego, esta necessidade de voltar a olhar para ti. Eu disse-te adeus mas as minhas próprias palavras estão agora a atraiçoar-me.
O que nos faz dizer algo quando sentimos o oposto? Porque somos atraídos por quem sabemos tão bem que não nos merece?
A verdade, é que todos nós fazemos as mesmas questões, num momento ou noutro.
Ainda que me conheça, há impulsos que não consigo controlar, há desejos que sou incapaz de não ceder.
O que hoje é amanhã deixa de ser, sou de tal forma inconstante que não consigo ficar em lado nenhum. O mundo não tem um paradeiro certo para mim, eu não permito tal.
Nasci assim, esta sou eu, e há muito deixei de querer ser o que os outros queriam que eu fosse.
Não serei um mau produto da sociedade, mas certamente serei um exclusivo.
Sinto ter tantas emoções alojadas, tantas vidas acumuladas, parece-me estar tudo baralhado aqui dentro.
Terei sido em todas as vidas um ser humano confuso?! Terás tu feito parte de todas elas? Ah este apego que não me abandona.
Não te quero mais, querendo tão arduamente. E serás meu de novo, nesta vida ou na próxima.
Continuo a repetir silenciosamente o adeus que te disse, tenho esperança que assim ganhe força e passes a ser uma memória do passado, uma lembrança da única constante no meio da minha tumultuada inconstância.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ditames Celestiais

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Voltei ao que era,
Pouca coisa me afecta.
Estou dormente perante as emoções.
Deixo-me ficar num estado latente,
Viver parece mais fácil assim.
Não me conformo, apesar disso.
Não quero nada querendo tanto.
Que ser inconformado sou eu?
E para quê? Porquê?
Que escolha lastimável fiz
Ao escolher este tipo de vida.
Esta existência que pouca coisa me diz.
É capaz que me tenha enganado;
É capaz também que ainda não tenha percebido nada,
Os ditames celestiais serão os certos, porventura.
Aguardo pelo fundamento;
Aguardo pela descoberta,
De quem sou e o que aqui faço.


© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

As incertezas de Henrique

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Por ora, era apenas a lágrima que caía. Miraculosamente. Espontaneamente.
Henrique preparava-se para deixar o passado lá trás, mas aquela lágrima, ele não queria deitar.
Como se a vida se tornasse diferente ou como se ele se tornasse outro ser que não é, só porque não deixava cair aquela lágrima. Que de resto, era genuína.
Nós vamos nos moldando com o tempo, com as vivências, com as relações humanas que vamos experienciando, mas em nenhum momento deixamos de ser nós próprios.
Porém, Henrique mascarava essa verdade, preferia ser outro, ter uma personalidade que lhe impedisse de voltar a se magoar.
Que equivocado estava ele!
O ser humano precisa viver todos os estados, incluindo a desilusão. É assim que ele evolui, que se transforma e encontra a paz.
Somos tentados a cada tropeção que a vida nos dá, em dizer mal de tudo. Da justiça humana, da justiça divina.
É provável que todos os tropeções nos tenham feito aprender algo, tenham contribuído para uma serenidade maior, mais real.
Henrique sabia disso, mas nem sempre o que nós sabemos ser verdade é o que nós aceitamos como certo.
No entretanto, a vida volta a nos sacudir e cometemos os mesmos erros, deixamos espaço para que eles se repetissem.
O equívoco de Henrique era precisamente esse, trapacear a realidade. E a realidade é generosa, ela volta, ela chama-nos até que consigamos a aceitar, e aí sim, os mesmos erros já não se cometem, cometem-se outros. De tão imperfeitos que somos, os seres humanos.
Seria a vida bem mais simples e fácil se aceitássemos a nossa imperfeição. Talvez, olhássemos uns para os outros como iguais.
Fala-se tanto na igualdade, luta-se pela igualdade, que igualdade é essa? O meu conceito é diferente dos outros, até nisso não somos iguais.
Nestas questões sociais, emocionais, existenciais, perdia-se Henrique, não conseguia encontrar fundamento para certos comportamentos, para certas realidades.
A desilusão ainda lhe fervilhava no peito, mas diminuía quando olhava em volta.
O mundo era muito mais do que simples desilusões.


© Alexandra Carvalho 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Realidade Complexa

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De repente, chega aquele momento,
Do derradeiro desfecho.
O autoconhecimento custa.
Como é difícil conhecermo-nos
E perdoarmo-nos.
Erro atrás de erro.
Sonho atrás de sonho.
De resto, apenas sonho.
Para onde vou afinal?
Queria não saber o que procuro na vida,
É capaz que assim, ela me desse algo.
Entre um impulso e outro,
Anseio ir embora.
Libertar o espírito, sentir-me livre.


© Alexandra Carvalho

domingo, 15 de setembro de 2013

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Não deixaste de ser aquele corpo,
Que tanto me apetece como não.
Não passas disso,
Mas temo que a vulnerabilidade
Tenha tomado conta de mim desta vez.
A solidão tem destas coisas,
Empurra-nos para realidades fingidas.
Contenho a minha respiração
E suspiro pausadamente.
Tento que numa destas vezes
Tenhas voltado a ser quem eras,
O corpo que me satisfaz e tão somente isso.
Mas afinal, de que é feita a nossa amizade?
De encontros carnais?
De devaneios intensos e ilusórios?
Pára, não és nada, jamais foste.
Deixa estar, entre um encontro e outro,
Terás voltado ao lugar de onde jamais
Deverias ter saído.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Andei uns dias a pensar no que faria em relação a ti. Se te trazia para o papel ou não.
Mas a verdade, é que quanto mais fugimos do problema mais ele nos atormenta.
Apetece-me contar a nossa história.
Uma história sem nome, sem género.
O nosso percurso existencial é marcado pela passagem de várias pessoas. Umas ficam mais tempo, outras não. E depois há ainda as outras, como tu, que não vão embora, reivindicam o direito de fazer parte da nossa vida por tempo indeterminado.
Não sei há quanto tempo nos conhecemos, lembro-me apenas quando chegaste cá, criança engraçada com sotaque sul-africano.
Eras um miúdo pequeno, nem chegavas ao meu ombro.
Claro está que nessa altura éramos duas crianças e jamais passaria pela nossa cabeça outras coisas, que não as brincadeiras infantis.
Tão depressa surgiste como desapareceste. Já não estavas na escola, não foi difícil perceber que tinhas ido embora, para algum lugar.
A vida é interessante, faz coisas que nem sempre percebemos. Trouxe-te de volta e mentiríamos os dois se disséssemos que os nossos olhares não se encontraram, porque encontram-se de tal forma, que até o corpo pedia para estar junto um do outro.
E de resto, pediu sempre. Férias após férias, com intervalos aquando o nosso coração estava preenchido por outro espírito, outro corpo.
Fomos um do outro, continuamos a ser um do outro, mas não sei se continuaremos.
O tempo mostra-nos que não podemos permanecer em coisas indefinidas, em sentimentos que não sabemos o que são ou até mesmo, se existem.
Teremos sido este tempo todo, simples amigos? Amigos envolvidos numa encruzilhada de impulsos e desejos?
Não nos encantamos um pelo outro, porque o encantamento é o primeiro que morre e muito menos sobrevive à distância.
Não nos apaixonamos um pelo outro, porque a paixão é efémera e não aceita outras paixões pelo caminho.
Então, não me resta uma única definição do que vivemos ao longo destes anos.
Tu porventura, poderás ter alguma, mais racional, a tua defesa para o mundo é essa, a racionalidade.
Se penso em não voltar a estar contigo, surge aqui um aperto, inexplicável.
Talvez tenha chegado o momento de libertarmo-nos, de dizer adeus.


© Alexandra Carvalho