quinta-feira, 15 de agosto de 2013

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Prendes-me ao teu olhar
E pouco precisas fazer.
Incomoda-me deveras,
Cada adeus que preciso dizer-te;
Cada constatação da tua ausência.
Fazes-me falta. Já to disse?
Porventura, o terei dito algumas vezes.
Na amizade também se ama,
Percebo isso agora, amo-te.
Amo-te por quem és,
Pelo sorriso que emana de ti,
Pela tua beleza interior,
Por todas as tuas palavras,
As que me fazem sorrir, e as outras,
Aquelas que me mostram que estou alheia à vida.
E não, esta não é uma declaração de amor,
É um agradecimento.
E se agora, as lágrimas correm,
É apenas por saudade.
A linha que separa o amor da amizade
É ténue e confusa,
E nesta confusão, acredito que nos amamos
Da forma mais pura e real.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Espírito

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Talvez nem sempre
O meu espírito aqui esteja,
Deixo apenas o meu corpo vaguear.
Não sei por onde ando,
Mas intimamente, sinto que não estou aqui.
Havia antes uma procura incessante,
Deixou de existir.
Era ela que me puxava para o chão.
Deixei de questionar,
Deixei de ser eu.
O meu sorriso anda foragido
E o brilho dos meus olhos está baço.
Tomara eu encontrar novamente o meu espírito.


© Alexandra Carvalho

domingo, 28 de julho de 2013

Química

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A pele voltou a puxar-nos
Um para o outro.
Até na distância já se manifesta.
Eis a novidade.
O coração não apela a tua presença,
Jamais o fez.
Estou certa que uma coisa não precisa da outra.
Ou pelo menos, o desejo
Não precisa de um sentimento por perto.
Já o contrário, talvez seja impossível.
Que sentimento sobreviverá
Sem que o desejo grite, grite sempre?
Nenhum.
E este, é o primeiro que morre.
O desejo evapora, nunca sabemos como,
Quando, desaparece apenas.
E depois disso, a pessoa que nos era tudo,
Passa a ser nada.
Que estranha é a vida.
Possivelmente, nem todas as pessoas
Nos deixaram algo.
A história apagou-se literalmente.
O caminho segue. Sempre.
Mas tu não, não nos deixamos ir embora.
Será efectivamente a pele,
Ou coração estará por detrás?


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 2 de julho de 2013

O sorriso fugiu

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Não sei onde pára o sorriso,
Mas também não sinto vontade
De o procurar.
Logo o sorriso,
A característica que me define.
Senão sorrio, quem sou então?
Nem sempre é fácil sermos nós,
Apetece ser outra pessoa qualquer.
Mas se não formos nós mesmos,
Teremos nos perdido algures.
E todos nós sabemos,
É difícil trazer quem se perdeu.
Mesmo sem sorriso,
Desejo manter-me aqui.
Em algum lugar, numa circunstância qualquer,
Ele voltará para mim.
Meigo e transparente, como sempre foi.
Estes tempos são mais sombrios,
O país não me permite desejar sorrir,
Mas já permitiu antes, milhares de vezes.
Sim, eu sou uma pessoa sorridente,
Serei sempre.
Mas de momento, o sorriso fugiu.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Percepções

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E lá estava eu com aquela necessidade de calar as palavras, com a certeza que isso me impediria de olhar a vida, tal como ela é.
Nem sempre é fácil olhar a vida, reavaliar as nossas atitudes passadas e as presentes. Percebemos que o que para nós não teve qualquer importância, para os outros, de alguma forma os magoou.
É bem provável que eu seja um ser atípico. A mesquinhez passa-me ao lado, e na minha ingenuidade, penso que os que me rodeiam não são dotados de tal sentimento perverso. 
Há uma certa tendência de dramatizar o que não tem nada, mas mesmo nada para ser dramatizado. 
O meu olhar sobre a existência terrena não se prende a coisas pequenas, mas sim, talvez precise de me ajustar.
A verdade é que gosto do meu silêncio, e abomino todo o tipo de imposição. Nada que me seja imposto, será feito com o meu sorriso, com aquele sorriso que tanta gente me caracteriza.
O verdadeiro cerne da questão está na forma como reajo e ajo com todos, se digo que gosto de alguém, é porque gosto, não me verão jamais a dizer que gosto de alguém, se efectivamente não gostar, tanto na amizade como no amor.
Então, sinto-me particularmente decepcionada. 
São as pessoas que nós gostamos que nos decepcionam sempre. São essas pessoas que transformam as coisas sem importância em dramas, e que criam sobre nós o que jamais existiu. 
Eu sou uma pessoa ausente, não gosto de estar o tempo todo em contacto, mas cá dentro, tenho espaço para toda a família, para todos os amigos. 
Não os esqueço apesar do silêncio.
E aí mora o verdadeiro cerne da questão.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um amor por detrás da amizade (Parte II)

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Lá estava o silêncio, a ausência.
Era aquele medo atroz do confronto. De perguntarmos a nós próprios: porque dissemos todas aquelas palavras? Porque sentimos vontade de estar um com o outro?
Tão previsível. Não sabíamos agir depois de tudo. Deixávamos o tempo correr veloz e quando o esquecimento tomasse conta, voltávamos à amizade.
Como se nada tivesse acontecido.
Há quantos anos fazemos isto? Já não sei, perdi a noção do tempo.
Mas desta vez, a dúvida tem-me perseguido de outra forma. É o tempo, que se esgota e já não há vontade de deixar ficar assim.
A idade parece não gostar de dúvidas, parece almejar o tempo todo por certezas, respostas concretas.
E se deixar o tempo seguir o seu rumo, certamente continuará tudo na mesma, e em algum momento o espírito se acalmará.


© Alexandra Carvalho

domingo, 2 de junho de 2013

Um amor por detrás da amizade (Parte I)

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Dizias todas aquelas palavras, talvez, sem ter uma pequena noção da intensidade com que chegariam a mim.
Ou seria eu ingénua por pensar assim.
Não sabia ao certo quando é que voltarias a ser aquele, o que me seduz. Mas a verdade, é que sempre chegava a esse momento.
A vida seguia o seu caminho, e nós estávamos a percorrê-lo, juntos e separados.
Juntos na amizade, separados em tudo o resto.
O jogo, as palavras intensas, o desejo por alcançar surgia do inesperado. De mansinho voltavas a atacar, eu quase nem dava de conta.
Será que por trás daquela genuína amizade, havia mais?
Seria normal o desejo carnal nos por contra a parede?
Raramente, a amizade deixava-nos fazer tais questões. Somos amigos. Basta.
Mas a pele atraia-nos um para o outro, e isso transcende a simples amizade.
O olhar furtivo, o sorriso leve e fácil, a conversa que começa e não quer acabar. Tudo isso, poderia ser apenas amizade, a mais pura, a que não esconde nada, a que não pede nada em troca, a que existe, simplesmente.
E continuamos assim.
Os anos passam por nós e aquela dúvida resta.
Estaremos a subestimar um amor que acreditamos não existir?


© Alexandra Carvalho