domingo, 2 de junho de 2013

Um amor por detrás da amizade (Parte I)

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Dizias todas aquelas palavras, talvez, sem ter uma pequena noção da intensidade com que chegariam a mim.
Ou seria eu ingénua por pensar assim.
Não sabia ao certo quando é que voltarias a ser aquele, o que me seduz. Mas a verdade, é que sempre chegava a esse momento.
A vida seguia o seu caminho, e nós estávamos a percorrê-lo, juntos e separados.
Juntos na amizade, separados em tudo o resto.
O jogo, as palavras intensas, o desejo por alcançar surgia do inesperado. De mansinho voltavas a atacar, eu quase nem dava de conta.
Será que por trás daquela genuína amizade, havia mais?
Seria normal o desejo carnal nos por contra a parede?
Raramente, a amizade deixava-nos fazer tais questões. Somos amigos. Basta.
Mas a pele atraia-nos um para o outro, e isso transcende a simples amizade.
O olhar furtivo, o sorriso leve e fácil, a conversa que começa e não quer acabar. Tudo isso, poderia ser apenas amizade, a mais pura, a que não esconde nada, a que não pede nada em troca, a que existe, simplesmente.
E continuamos assim.
Os anos passam por nós e aquela dúvida resta.
Estaremos a subestimar um amor que acreditamos não existir?


© Alexandra Carvalho

sábado, 25 de maio de 2013

Sabedoria


As minhas energias
São, não raras vezes, sugadas,
Completamente sugadas.
A minha paz interior
É nesse momento posta à prova.
Negaria erradamente,
Se dissesse que não me apetece mandar tudo à vida.
Muitas vezes apetece.
Mas aquela cítara suave,
Vai entoando a dita melodia do conhecimento,
Da sabedoria.
Ainda bem que continua a tocar.
Pois, todas as vezes,
É ela que me renova por dentro.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Reconhecimento celestial

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Não nos reconhecemos sempre,
É como se o espelho
Mostrasse uma imagem,
Uma alma,
Que não é a nossa.
Ou pelo menos, não é a que achávamos ter.
Outras vezes olhamos,
E sim, somos nós.
E nesse preciso momento, é como se a vida
Estivesse a esvair-se entre os nossos dedos.
É quando nos reconhecemos,
Que percebemos como o tempo não pára
E a estadia é breve.
A missão está ainda por cumprir.
Continuamos aqui.
Será que quanto mais cedo chegarmos a ela,
Mais cedo iremos embora?

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Egos auto insuflados


Certamente, ausentar-me-ei
Várias vezes das palavras,
Mas não delas propriamente,
Das circunstâncias talvez…
Cansam-me estes egos auto insuflados,
Estas conversas ocas,
Esta lamúria constante.
Que fardo!
Que tédio!
É aquele ego auto insuflado
Que lhes tolda a visão.
A vida não é má,
Os dias não são todos maus.
E que tal olhar para trás?!
Não é preciso muito.
Uns segundos atrás, umas horas, uns dias…
Quantas vezes sorriram? Muitas, várias…
Isso também é felicidade.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 19 de abril de 2013

E onde anda o amor?


Quisera eu que o teu rosto
Tivesse ficado apenas no passado.
Mas a minha vontade
Não é dona e senhora de si.
Os pensamentos surgem,
Os sonhos arrebatam-me.
Tu sempre apareces,
Numa história ou noutra,
Num drama ou romance.
Porventura serás a minha alma gémea,
Mas se o és,
Porque a vida teima em impedir-nos a união?
Ao invés disso,
Manda-nos pessoas ao acaso,
Umas que aguentam mais tempo,
Outras que nem entendemos a sua passagem.
Mas, assim é a vida,
Uma sucessão de aprendizagens,
Um acumular de emoções,
De grandes ou pequenas paixões.
O amor, esse,
Ainda não nos foi permitido.

© Alexandra Carvalho

domingo, 7 de abril de 2013

Eternidade



De repente a vida faz sentido,
Assim, tal como é…
A humanidade perde-se e encontra-se
A cada ciclo.
Procuramos a perfeição inexistente,
E nesta procura esquecemos da nossa alma.
A verdadeira vida não é esta,
A nossa verdadeira casa também não é esta.
Teimamos em não acreditar
No que desconhecemos,
Ou talvez, no que esquecemos.
A nossa luz não está na carne,
Nem na imagem exterior…
A nossa beleza jamais estará apenas no nosso corpo.
Está na hora de relembrar
Quem somos e de onde viemos.

© Alexandra Carvalho

domingo, 24 de março de 2013

Efemeridade


Aquele simples e único cabelo branco
Trouxe à tona a efemeridade da vida.
A leveza que é
A nossa passagem na terra.
Sei que já não sou aquela,
A que já existiu antes,
A criança, a adolescente, a jovem.
Mas aquele sinal enfatizou isso.
O tempo urge, passa veloz…
Que conquistei eu até agora?
Nada… não tenho nada!
Tenho a minha integridade,
O meu carácter,
Mas não conquistei nada.
O mundo, tal como está,
Só beneficia os corruptos,
E os outros, como eu,
Deambulam na beira da estrada.
A estrada não é para nós,
Só nos é permitido a berma…
Este simples, único e primeiro cabelo branco,
Fez-me acelerar o desejo de mudança.
O mundo precisa mudar,
Os objectivos têm de ser outros,
E em algum momento,
Terá a justiça de prevalecer.

© Alexandra Carvalho