sábado, 25 de maio de 2013

Sabedoria


As minhas energias
São, não raras vezes, sugadas,
Completamente sugadas.
A minha paz interior
É nesse momento posta à prova.
Negaria erradamente,
Se dissesse que não me apetece mandar tudo à vida.
Muitas vezes apetece.
Mas aquela cítara suave,
Vai entoando a dita melodia do conhecimento,
Da sabedoria.
Ainda bem que continua a tocar.
Pois, todas as vezes,
É ela que me renova por dentro.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Reconhecimento celestial

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Não nos reconhecemos sempre,
É como se o espelho
Mostrasse uma imagem,
Uma alma,
Que não é a nossa.
Ou pelo menos, não é a que achávamos ter.
Outras vezes olhamos,
E sim, somos nós.
E nesse preciso momento, é como se a vida
Estivesse a esvair-se entre os nossos dedos.
É quando nos reconhecemos,
Que percebemos como o tempo não pára
E a estadia é breve.
A missão está ainda por cumprir.
Continuamos aqui.
Será que quanto mais cedo chegarmos a ela,
Mais cedo iremos embora?

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Egos auto insuflados


Certamente, ausentar-me-ei
Várias vezes das palavras,
Mas não delas propriamente,
Das circunstâncias talvez…
Cansam-me estes egos auto insuflados,
Estas conversas ocas,
Esta lamúria constante.
Que fardo!
Que tédio!
É aquele ego auto insuflado
Que lhes tolda a visão.
A vida não é má,
Os dias não são todos maus.
E que tal olhar para trás?!
Não é preciso muito.
Uns segundos atrás, umas horas, uns dias…
Quantas vezes sorriram? Muitas, várias…
Isso também é felicidade.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 19 de abril de 2013

E onde anda o amor?


Quisera eu que o teu rosto
Tivesse ficado apenas no passado.
Mas a minha vontade
Não é dona e senhora de si.
Os pensamentos surgem,
Os sonhos arrebatam-me.
Tu sempre apareces,
Numa história ou noutra,
Num drama ou romance.
Porventura serás a minha alma gémea,
Mas se o és,
Porque a vida teima em impedir-nos a união?
Ao invés disso,
Manda-nos pessoas ao acaso,
Umas que aguentam mais tempo,
Outras que nem entendemos a sua passagem.
Mas, assim é a vida,
Uma sucessão de aprendizagens,
Um acumular de emoções,
De grandes ou pequenas paixões.
O amor, esse,
Ainda não nos foi permitido.

© Alexandra Carvalho

domingo, 7 de abril de 2013

Eternidade



De repente a vida faz sentido,
Assim, tal como é…
A humanidade perde-se e encontra-se
A cada ciclo.
Procuramos a perfeição inexistente,
E nesta procura esquecemos da nossa alma.
A verdadeira vida não é esta,
A nossa verdadeira casa também não é esta.
Teimamos em não acreditar
No que desconhecemos,
Ou talvez, no que esquecemos.
A nossa luz não está na carne,
Nem na imagem exterior…
A nossa beleza jamais estará apenas no nosso corpo.
Está na hora de relembrar
Quem somos e de onde viemos.

© Alexandra Carvalho

domingo, 24 de março de 2013

Efemeridade


Aquele simples e único cabelo branco
Trouxe à tona a efemeridade da vida.
A leveza que é
A nossa passagem na terra.
Sei que já não sou aquela,
A que já existiu antes,
A criança, a adolescente, a jovem.
Mas aquele sinal enfatizou isso.
O tempo urge, passa veloz…
Que conquistei eu até agora?
Nada… não tenho nada!
Tenho a minha integridade,
O meu carácter,
Mas não conquistei nada.
O mundo, tal como está,
Só beneficia os corruptos,
E os outros, como eu,
Deambulam na beira da estrada.
A estrada não é para nós,
Só nos é permitido a berma…
Este simples, único e primeiro cabelo branco,
Fez-me acelerar o desejo de mudança.
O mundo precisa mudar,
Os objectivos têm de ser outros,
E em algum momento,
Terá a justiça de prevalecer.

© Alexandra Carvalho

domingo, 10 de março de 2013

Vida

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Quisera eu apenas estar aqui,
Contemplar a pureza da vida.
Concederam-me tal desejo,
Mas agregaram muito mais do que
A simples e bela pureza de viver.
Deixaram-me vir num tempo
De dúvida, de mudança,
De verdades mascaradas
E mentiras camufladas.
A lucidez da vida,
Poucos a vêem,
Poucos a compreendem.
A humanidade perdeu-se.
Geração após geração;
Enganos após enganos,
E perdemo-nos, desagregamo-nos da nossa alma,
Da nossa essência.
E quando voltarmos para casa,
O arrependimento será grande.

© Alexandra Carvalho