quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Deixa-me


E continuas a fazer-me
Gastar palavras,
Palavras e tempo.
Duas coisas que
Não tenho interesse algum
Em gastar contigo…
E gasto-as, e ainda assim,
Não as consegues perceber.
Ingenuidade?
Falta de amor-próprio?
Tudo te parece faltar,
Acorda, não te quero dar
Mais nada…
Liberta-te de quem
Nunca te pertenceu.
A carne não é tua,
Se o espírito nunca foi.
Acorda!
Vive e deixa-me viver.
Corta os laços,
Esquece o meu nome,
Guarda as memórias.
Encontra-te,
Porque eu, já me encontrei…

© Alexandra Carvalho

domingo, 14 de outubro de 2012

Sincronia

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Para já não queria muita
Coisa, talvez, o toque
De uma pele desconhecida;
Talvez um sorriso enamorado
De um qualquer estranho;
Talvez, quisesse amar…
Encontrar um sentido
Mais concreto e real,
Para a minha existência.
Haverá algum homem
Que me saiba amar,
Daquela forma utópica que ambiciono?
E será isso amor?!
Será apenas utopia?!
Corpo e alma em sincronia?
Em total sincronia,
Sem medos, sem tabus?
Cansei de ter ou um ou o outro,
Não me satisfazem,
Cansei de tolerar a insatisfação.
Agora quero os dois,
E não menos do que isso…

© Alexandra Carvalho

sábado, 13 de outubro de 2012

A história de Álvaro

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography?fref=ts

Lá estava Álvaro à janela, olhava o mar no seu esplendor, deliciava-se com o movimento ora suave ora brusco das ondas, que acompanhava fixamente.
Tinha deixado de tentar perceber o tempo, afinal, não era ele que o comandava, chegara à conclusão que era apenas mais uma marioneta, entre todas.
O tempo comanda-se a si próprio.
Esperto teria sido ele, se tal tivesse percebido, mais cedo, antes de tudo.
Teriam existido mais gargalhadas, mais desejos, mais sonhos, mais viagens, mais sentimentos, no fundo, mais vida.
É certo, o tempo anda sozinho, mas também é certo, que o tempo que perdemos, apenas depende de nós.
O erro de Álvaro, perdeu-se no tempo e sem dar conta, não aproveitou nada. Bastavam-lhe as perguntas, a busca incessante de respostas, tudo isso lhe preenchia. Estava errado. Como estava errado.
Quanto mais tempo dedicou às perguntas sem resposta, menos conseguiu perceber o tempo, leve, suave, algumas vezes veloz, outras nem tanto, algumas vezes sofrido, outras menos.
Álvaro passou por todos os estados e não sentiu nenhum.
A vida não é para ser percebida, a vida é para ser sentida.
Estamos cá, então, se estamos, vamos viver os pequenos e os grandes momentos que vão passando por nós.
O segredo era simples, óbvio e Álvaro, tinha rejeitado a simplicidade das coisas, como se fosse improvável que a vida fosse menos secreta.
Dali da sua janela virada para o mar, deliciava-se não só com as ondas mas com a paz que lhe preenchia o coração.
Não pensava em nada, não questionava nada.
A plenitude da vida tinha finalmente se mostrado, Álvaro aprendera a sentir…

© Alexandra Carvalho


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Satisfação Ilusória

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Sinto-me cansada, deveras, de tão embrenhada que ando nas minhas confusões existenciais.
A vida é simples, e mentiria se dissesse, que a minha é diferente, não é. Passo é o tempo, a querer mais do que aquilo que tenho, a procurar, não sei bem o quê.
Afinal, talvez sejamos todos assim, ou não, há quem se satisfaça com a mesmice de todos os dias, com o marido imperfeito, a presença física dispensável, mas que ali está, com o namorado que nem sempre nos identificamos, mas que ali está, com os amigos, que nem sempre, o são verdadeiramente, mas que ainda assim, ali estão.
Basta isso, estar ali.
Talvez, o meu cansaço daí venha, de não me bastar o estar ali, querer mais do que presenças físicas insatisfatórias, alheias a mim, ou eu a elas.
Ainda assim, compreendo a atitude, somos humanos, não gostamos da solidão, mas cuidado, a satisfação, muitas vezes, é apenas ilusória, o coração permanece sozinho.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Entre os trilhos


Talvez até quisesse mais;
Talvez tudo conspirasse a favor…
Mas o silêncio arrebata-me,
Amordaça-me à vã realidade,
Ao caminho já delineado.
Que é a vida,
Senão a tentativa errática,
Ou não, de escrutinar realidades concretas,
De desbravar novos trilhos?
São tantos os caminhos,
Aqui e acolá,
Vão se cruzando,
E tudo deixa de ser
Errado ou vão.
O corpo percorre a vida,
A alma mantém-se intacta.


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vozes Interiores

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Calei a voz que me impulsionava a lutar, distraí-me pelo caminho, e sem dar conta, deixei de perceber o que realmente quero.
Sou uma pessoa inconformada, talvez, porque passo a vida a perder-me, a desencontrar-me, a afastar-me…
Hoje, em particular, abri uma brecha nos meus pensamentos.
Afinal, o que tenho de determinada, tenho de alienada. Doses iguais. Viver, torna-se complicado.
Nada se materializa, nada se solidifica, eu simplesmente, não permito tal.
Na minha genuína diferença, apenas gostava de ser igual aos restantes mortais.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Memórias

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Ultimamente, tenho sido confrontada com o teu rosto, com o teu sorriso matreiro, de quem esconde o que realmente quer.
Afinal, não nos tínhamos despedido! Continuamos a fazer parte um do outro, ainda que discretamente.
Não te substitui, e o porquê, percebi há pouco. Acreditei tempo demais nos sonhos, na ilusão de encontrar alguém como tu, que me desse tanto como tu, e pouco, também como tu.
Fui pelo caminho errado, o amor não se encontra através de substituições, de comparações ridículas.
Continuo a querer-te, a desejar-te.
Que blasfémia pensar que te encontraria nos outros, por quem passou por mim, lá está, continuei o caminho da vida, sem querer manter nenhum deles.
Esta última vez foi mais flagrante, a diferença era estrondosa, e eu, queria “aquele” homem que tu és, com todos os defeitos que de ti fazem parte. Como me saturei, nesta última vez…
Esquece lá isso, não choro por tal, relembro apenas. Tenho saudades. Saudades de tudo. Tu sabes. Até dos nossos devaneios existenciais, algo recorrentes.
Não tínhamos dito o adeus antes, continuamos sem o dizer, talvez, jamais consigamos tal feito.
A porta mantém-se entreaberta, à espera, quem sabe um dia… quem sabe, numa outra vida…

© Alexandra Carvalho