quarta-feira, 4 de abril de 2012

Amarras


Não são essas palavras
Que me comovem;
Não é o teu sorriso
Que me faz desejar corresponder.
Se outrora significaste algo,
Agora, nem tão pouco és,
Uma miragem do passado.
São poucos os sorrisos
Que perduram na minha memória;
São poucos os momentos
Que tenho vontade de relembrar.
Já não há espaço,
Guardei apenas quem deveria guardar.
Não os quero substituir,
Mas gostava que o meu coração
Se permitisse expandir…
De resto, mantenho-me presa
Ao passado, aos sonhos,
Que já não cabem nesta vida;
Às gargalhadas que dei;
Aos olhares ousados,
A uma vida que acabou,
E que apenas queria que ainda existisse.

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 27 de março de 2012

Estrada


Não sei se sinto
Ou apenas desejo…
Ambiciono tanto,
Mais do que talvez seja permitido
Ambicionar…
Tento ouvir-me,
Grito alto para a vida
Não abafar a minha voz.
Não sei se é o mundo
Que não me ouve,
Ou eu própria que não sei gritar.
Deixo-me corromper
Por desejos impossíveis,
Ocultos, ousados.
Perco-me no meio deles,
Sempre me perco,
Ou talvez não.
Nasci sem rumo, sem metas,
Sem destino…
Todos os dias caminho
Para algum lugar,
Só não sei para onde.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mudança à vista


Não consegui fazer mais nada,
Senão olhar fixamente para
As minhas mãos,
Eram elas que quase sempre
Me auxiliavam,
Me ajudavam na partilha
De mim própria,
Para o mundo,
Para os outros…
Respiração ofegante,
Coração ansioso,
Eu queria muito mais do que isto.
Não estou com medo,
Mas algo se avizinha,
Sinto-o tão intimamente,
Como sinto o meu respirar.
Algo se avizinha;
Algo vai mudar…

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 9 de março de 2012

Entra

Se decidires entrar por

Essa porta, não te acanhes,

Não te escondas entre

As cortinas deste quarto.

Quem te espera,

Conhece-te tanto, mais do

Que podes imaginar.

Tranca o medo e sorri,

Já to disse, não te acanhes.

Não te esperei apenas agora.

Esperei por ti sempre.

E sempre é tudo.

Entra…

sábado, 3 de março de 2012

Confusões, dissertações e outras coisas mais


Não é novamente por aí,
A porta não se abriu,
Intrinsecamente já a via aberta,
Mas eram apenas sonhos…
Aquela pequena janela
Continua semiaberta,
É capaz de estar à minha espera,
Que eu tome coragem de a escancarar.
A coragem que eu não sei se tenho;
A vontade que nem sei se há em mim.
Os sonhos não me deixam,
Atormentam-me todas as noites,
Mas na firmeza do dia,
Nada se transforma…
Que quero afinal?
Que sonhos são esses?
Que ser inanimado me corrompe?
Na minha pele morena
Transpiram ilusões e objectivos;
No meu coração insaciável
Habitam desilusões e lágrimas,
Mas na minha mente,
Há mais do que isso,
Há o desejo de viver…
Não posso apagar o passado,
Mas posso libertar
A minha pele e o meu coração
E aprender a saborear a vida.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

À espera


Sombras de uma vida
Que nem sei se vivi;
Visões de um futuro
Para o qual penso que caminho.
Tudo aparece na minha cabeça.
Memórias e perspectivas,
De tanta coisa e de nada.
Caminho, vivendo,
Ou pensando que vivo.
No meu coração não tenho nada.
Será certo viver assim?
Com o coração preenchido de vazio?
Talvez, inconscientemente,
O tenha preenchido de pequenas coisas,
De emoções que nem sempre sinto;
Que nem sempre sei que sinto.
Afinal, talvez viva, caminhando.
E em cada estrada que percorro,
Vou recolhendo pequenas sementes,
Que mais tarde, crescerão.
Não tenho, talvez, o coração vazio;
Mas tenho certamente,
Um espaço livre a ser preenchido.
À espera…

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Peça de Teatro


Saíste ileso e silencioso
Da história que inventaste.
Personagens fictícias
De uma vida real;
De um sentimento real.
Não ganhaste nada
Nem tão pouco aprendeste nada.
O espectáculo durou pouco…
A culpa não foi minha,
Vesti-me da personagem
Que criaste, o tempo que consegui.
O coração fez-me despir
Do fato que não me assentava bem.
Saímos os dois ilesos e silenciosos,
Porque nem sempre
São precisas palavras
Para fechar o pano
E dizer adeus.