quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Apenas sonhos e algumas decepções

Acabei por andar mais ausente das minhas publicações porque fui apanhada por uma gripe própria desta altura, num dia adormecemos bem e no outro, a cabeça está à roda, os olhos a arder, e a garganta a incomodar imenso.
Mesmo sem querer, uma simples gripe deixa-nos mais vulneráveis, sentia-me tão mal, que até deixei cair algumas lágrimas, o ser humano no auge da fraqueza sempre acaba por chorar, e eu, diga-se desde já, que não tenho dificuldade em chorar.
Nestes momentos pensamos em muita coisa, na vida que temos, no que não temos, no que queríamos ter, apercebi-me que a minha percentagem é mais elevada naquilo que não tenho, do que aquilo que tenho. Não sou materialista, e nem é disso que se trata, falo dos sonhos, daquilo que gostava de estar a fazer,  daqueles sonhos que crescem connosco, que criam asas dentro da nossa imaginação, da nossa mente e também do nosso coração.
A verdade é que nem todos os sonhos se realizam, nem mesmo aqueles que achávamos à partida fáceis de realizar, como trabalhar na sua área de formação.
Portugal foi caminhando a passos largos para o abismo, e quando achei que estaria prestes a realizar esse sonho, o país apercebe-se que afinal, já caiu no abismo, e muitos sonhos não poderão ser concretizados.
O planeta Terra é enorme, há sempre escolha, há sempre um cantinho que talvez nos dê a oportunidade de fazer o que nós gostamos, de sermos quem verdadeiramente somos, um lugar que não nos corte as asas, nem dos nossos sonhos nem do caminho que queremos percorrer.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Em diagnósticos

Esta é uma daquelas noites em que me apetece ir para o computador e escrever, ou no livro que ando a fazer ou algum tipo de crónica ou desabafo, mas a verdade é que não o posso fazer. O meu computador avariou vai fazer um mês e por mais incrível que pareça continua em fase de diagnóstico. Este é o nosso país, tudo muito devagarinho, este é o ritmo de trabalho mais frequente, dá tempo, o cliente não tem pressa!
Confesso, estou a entrar num estado que não me agrada muito, um mês para fazer diagnósticos? Para mim, ultrapassa o razoável. E eu como sou uma cliente exigente e pro-activa, é  óbvio que já tiveram que levar com os meus telefonemas e até com uma visitinha minha, não resultou, "sabe, ainda não tivemos tempo de mexer nele", surreal, será mesmo falta de tempo ou falta de empenho, de dinamismo?
Bem, o certo é que já não sabia o que era viver sem computador, é o degredo, é um condicionalismo enorme. Apesar da televisão existir há muito mais tempo, e por mais estranho que possa parecer, eu consigo viver sem televisão, mas se me tiram o computador e a Internet os meus dias tornam-se bem mais cinzentos e irritantes.
Amanhã estou eu a telefonar de novo.

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aceitação


Eleva-te das sombras,
Encontra a luz que já possuis,
Esquece o medo e a dúvida,
A vida é mais colorida
E muito mais luminosa
Do que o teu coração perdido
Te permite ver…
Depois de um caminho fechado,
Há sempre um trilho que se mostra,
Percorre-o sem medo,
O fácil nunca é mau,
É a vida a te sorrir…
Mas não te esqueças
Que todos os dias deves crescer,
Deves evoluir e perceber quem és.
Os caminhos complicados
Não são castigos, é o teu destino,
Escolheste-os mesmo sem saber.
O teu coração perdido
Escolheu o que queria viver;
O que queria sentir…
Encontra a tua luz
E aceita as escolhas da tua vida,
São elas que te farão percorrer
O teu verdadeiro destino.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma escolha que não é minha


Não posso dizer
O que não sinto;
Nem posso omitir
Aquilo que me invade o coração.
Esse tal vazio não existe,
Jamais existiu;
Existe sim, um ser que procura a sua essência.
Não é este eu que conheces,
Conheces o antigo,
O desprotegido, o ingénuo,
Aquele que ainda não se tinha encontrado.
Não sei se te agrado assim,
Nem sei se é suposto agradar a alguém.
Esta sou eu,
Sem fachadas, rosto descoberto,
Alma visível…
Não sou fácil,
Nem quando me torno visível,
Mas foi assim que escolhi ser.
Tu és aquilo que és,
E não o que os outros querem que sejas.
Esta sou eu,
Sem moldes, nem influências.
Este é o verdadeiro eu,
Será este que tu queres?

sábado, 22 de outubro de 2011

E afinal o que conta é o agora


Não és mais do que uma peça
Deste presente;
Não és mais do que uma recordação
De um passado tumultuoso,
De encontros e desencontros,
De choques de palavras,
De verdades sem verdade,
De mentiras criadas…
E agora voltas,
Desejas um futuro que não sabes
Se um dia irá chegar,
Mas acima de tudo,
Desejas estar aqui agora.
Sendo nós próprios, neste presente,
Depois do passado,
Depois das mentiras,
Com toda a aprendizagem
Que conseguimos carregar nas costas…
Agora somos nós,
Depois ninguém sabe…

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Puramente carnal


Não são as tuas palavras
Que me movem,
Acho que nem o teu olhar…
É o teu toque, o teu corpo
Que chama pelo meu,
Transpiras vontade de me tocar,
E eu, alheia a tudo,
Finjo não perceber…
Lembro das tuas mãos
A me puxar para ti;
Lembro do teu beijo
A explodir de intensidade…
Fomos amantes um dia,
Somos amantes para sempre.
Não me confundas,
O amor nem sempre existe na paixão.
Não entregues o que sabes
Que não vou aceitar…
Só te quero a ti,
A carapaça de um ser
Que praticamente, desconheço.
Não quero defeitos, nem virtudes
Não quero sentimentos confusos
Ou emoções complicadas.
Quero-te a ti,
O corpo que me satisfaz…

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Uma das partes


Não me abales a estrutura
Que levei anos a solidificar;
Não me provoques agora,
Quando consegui aumentar
As minhas defesas em relação a ti.
Não sorrias,
Sabes que deixo de resistir;
Não brinques,
Sabes que adoro quando o fazes…
Eu também penso em ti,
Ou voltei a pensar,
Acabaste por conseguir
Derrubar alguns tijolos
De uma estrutura que pensei existir para sempre.
Tu sempre voltas,
E todas as vezes, eu deixo,
Permito-me voltar para ti…
Serás a minha eternidade?
Não, mas és certamente,
Uma das partes que me completa.