sábado, 29 de janeiro de 2011

Terra - Ponta Delgada


Tenho passado demasiado tempo nesta terra que até agora não compreendo. Crescemos nos lugares e habituamo-nos a eles, muitas vezes sem os conhecer verdadeiramente.
Com carro ou menos carro, com sol ou sem sol, com gente ou sem gente, é isto que eu vejo quando vou à varanda da minha casa. O frio parece cortar a pele macia do meu rosto, os pés enregelam como se fossem partir, ou como se já nem os sentisse de facto.
Cresci aqui, a verdade é simples, cresci num meio tão recôndito de tudo, tão inexistente na maioria do tempo, e digo isto, porque lá aparece um dia, uma semana em que esta terra se torna visível para os outros, em que os madeirenses se apercebem que ela continua no mesmo sítio e que tudo, continua igual.
Mentes fechadas, ingénuas, vidas frustradas e sem sentido, casais de fachada, traições ocultas, filhos delinquentes, tudo isso surge aqui, talvez para trazer algum dinamismo ao lugar, para que possa haver motivo de conversa, enfatizando a banalidade conhecida nos povos do norte.
E lá bem de vez em quando aparece alguém que diz algo que nos cativa, alguém que foge a esta realidade nortenha, cujos sonhos vão muito além das conversas banais habituais.
Somos todos seres humanos e jamais poderíamos ser iguais, são as diferenças que nos mostram quem somos, quem queremos ser e quem podemos vir a ser.

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Introspecção

Não passam de instantes,
pequenos momentos em que 
 percebemos que estamos vivos.
Agora sentimo-nos assim
e logo depois é como
se deixássemos de ser
quem somos...
Pequenos instantes que nos
mostram que tudo é efémero,
estamos na vida para
depois deixarmos de estar.
E só assim faz sentido,
a eternidade só alcançamos
na hora certa...
O destino tem de cumprir-se...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para ti

Não consigo encontrar as palavras certas
mas o meu coração está ressentido,
é uma dor que quero tentar não sentir,
temo não querer aceitar uma realidade
que não estava preparada para encarar.
As coisas más acontecem sempre com as pessoas boas,
e nós somos tão pequenos que não conseguimos perceber isso.
Que justiça é essa?! Só me ocorre isso.
Cá dentro ainda espero que esta seja uma realidade irreal,
que na verdade, nada disto se torne verdadeiro...
E se não acontecer isso? Terei força para te apoiar?
Tento agora pensar nas palavras certas,
nas palavras que precisas ouvir e acreditar...
Se não acreditarmos que tudo vai melhorar...talvez não aconteça.
Todavia, continuo a querer dormir
e acordar amanhã e pensar que tudo isto é apenas um sonho mau,
que não voltarei a sonhar.
Não vai ser grave, a vida não te vai deixar de sorrir, não pode deixar de te sorrir...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Considerações sobre o novo acordo ortográfico

Ora bem, parece que agora temos de começar a escrever mal, e até a falar mal, porque com tanta mudança na escrita, se pensarmos em falar tal como teremos que escrever, falaremos tudo, menos bom português. (Não vou dar exemplos, porque não me apetece e só de pensar na hipótese de escrever aquelas palavras alteradas, já me dá náuseas.) E isto provoca em mim uma série de sentimentos e emoções, um deles, é raiva, ou uma espécie de revolta, porque aprendi e bem a minha língua, orgulhava-me de saber falar bom português, menina aplicada que fui nos tempos do ensino básico e posteriormente…e de repente, vejo-me obrigada a escrever mal, a escrever muito mal, por sinal.
Isto tudo acaba por ter a sua piada, relembro os meus colegas do ensino básico, da dificuldade de alguns em escrever bem, os castigos, as vezes que deixaram de ir ao recreio por causa dos erros, e agora isso tudo foi em vão, para quê tanta insistência, quando agora poderão escrever com os tais “erros” da altura…
Liberta-me um pouco saber que poderei continuar a escrever da forma certa nos meus poemas, nas minhas crónicas, porque o escritor tem liberdade nessa área. Mas é uma liberdade limitada porque em todos os outros documentos, terei que adaptar-me a brasileirismos de que nunca gostei. Eu sou portuguesa, filha de pais portugueses e agora passo a escrever e a falar praticamente brasileiro, estou a ser demasiado rígida? Provavelmente, mas não sou pessoa de ficar calada quando algo me repulsa desta forma…
Não me falem, não me relembrem que este novo acordo ortográfico existe… apenas a perspectiva de saber da sua existência é o suficiente para fazer com que esse exacto momento me irrite profundamente.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A caminho de 2011


Lá está 2010 perto de acabar.
Depois de um ano que senti não estar a viver plenamente, senti necessidade de escrever um bocadinho sobre “ele”. Digo que não o vivi porque intimamente era como se planasse sobre o tempo, sobre os vários dias, os vários meses deste ano de 2010.
Dizer que não estou à espera que a mudança surja agora em 2011, seria uma mentira, porque, é por essa mudança que estou ansiosa, por começar um ano que me traga tudo aquilo que 2010 não trouxe. Na verdade, todos queremos o mesmo, todos os seres humanos deste planeta enorme desejam o mesmo, que o próximo ano seja favorável ou ainda mais favorável, dependendo dos casos. E afinal, em todo o final de ano a emoção é a mesma, os desejos praticamente não mudam nada, vivemos sempre do mesmo, partilhamos eternamente dos mesmos sentimentos e anseios, e medos, e sonhos…mudamos a cada dia e ao mesmo tempo continuamos fiéis a nós mesmos, pois os nossos sonhos nunca mudam, nunca acabam, nunca se esgotam…
Não sei se é presunção da minha parte, mas já consigo me visualizar na vida que quero ter e preciso ter em 2011, acho que muita coisa vai mudar, e isso é inevitável, mas acredito que as portas que precisam se abrir serão abertas.
Este é o momento certo, eu acredito que seja o momento certo de deixar de sobrevoar a minha vida e começar a vivê-la na sua plenitude.
Um bom ano para todos nós.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crise

Agora não se fala de outra coisa, apenas da crise, das reviravoltas que aí vêm, e isso ora dá medo ora apetece, simplesmente, ignorar e esquecer. Já estamos a ver onde vamos fazer cortes nas despesas mensais, mas em quê, como? Será que o que nós consumimos é indispensável, ou andamos todos a consumir bens supérfluos? Pois, aí está, é que nem tudo o que nós consumimos é assim tão indispensável, pelo contrário. É aquele “apetite” de comprar, de ter, de experimentar… pronto, é isso, já sabemos que podemos viver sem comprar roupa todos os meses, e muito menos ir ao cinema todos os finais de semana ou até mesmo sair à noite, tudo isso é fantástico e enaltece o nosso ego, faz-nos esquecer as vidinhas rotineiras que vivemos, e nalguns casos, vidas mesmo medíocres, mas é a crise, e para todo o lado que nos viramos, está alguém a falar desse tema, é quase pecaminoso passar num loja e apetecer comprar algo que não estamos a precisar com urgência, porque o país está a apertar o cinto, porque nem sabemos se irão haver reformas daqui a uns anos, por outro lado, quem nos garante que chegamos a essa altura, não será melhor aproveitarmos o agora, e comprar o que nos apetecer? Talvez, mas atenção, convém não exagerar porque os apoios sociais, também estão no limite.
Ao fim ao cabo, estamos todos no limite, o país com as suas dívidas e nós, cidadãos comuns que não aguentamos mais ouvir e falar de crise.

© Alexandra Carvalho

Preconceito ou Provocação?

Andamos todos enganados, gostamos disso talvez.
Os homens de um lado, as mulheres de outro e ao fim ao cabo, misturamo-nos todos, como se fosse impensável vivermos em separado, na certa é, de facto.
Disputas ridículas, conversas em tom de estigma, de preconceito social. Ordenados injustos para quem faz o mesmo, onde a única diferença existente que os afasta, é o género sexual, as mulheres, inevitavelmente ganham menos que os homens.
Somos obrigadas a viver e a reagir num mundo que, apesar das várias conquistas, das várias lutas, ainda é machista, ainda valoriza o homem pelo seu trabalho forçado, pela sua inteligência que muitas vezes é menor que a de muitas mulheres.
Sejamos coerentes, as mulheres estão em todos os sectores, são elas que vão para a universidade em maior número, porquê? Porque o homem é um ser desistente, ter aulas, estudar, aguentar professores? Não, é bem melhor deixar tudo isso e ir para as obras, por exemplo. Pensar menos, fazer o que lhe é pedido, e ao fim-de-semana estão no café ao lado de casa a beber a cervejinha habitual, a falar de futebol, do seu clube que nem sempre está no seu melhor, nos jogadores que foram comprados ou vendidos, sim porque esse tema os homens dominam, mas desenganem-se, se acham que as mulheres são completamente alheias a esses temas, lá está, estamos em todos os sectores, gostamos mais de umas áreas e menos de outras, somos superiores?
Não, e é essa a nossa maior diferença, é isso que nos superioriza e nos distingue mesmo sem querermos, conseguimos perceber que homens e mulheres são todos diferentes, que há homens que conduzem mal, e eu, pessoalmente, já vi vários, como há mulheres que mais valia nem terem carro.
No fundo, o que cria este separatismo de género? Preconceito ou provocação? Os dois provavelmente, o ser humano (sem olhar a sexos), é mesmo assim, complicado e diferente.

© Alexandra Carvalho