quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para ti

Não consigo encontrar as palavras certas
mas o meu coração está ressentido,
é uma dor que quero tentar não sentir,
temo não querer aceitar uma realidade
que não estava preparada para encarar.
As coisas más acontecem sempre com as pessoas boas,
e nós somos tão pequenos que não conseguimos perceber isso.
Que justiça é essa?! Só me ocorre isso.
Cá dentro ainda espero que esta seja uma realidade irreal,
que na verdade, nada disto se torne verdadeiro...
E se não acontecer isso? Terei força para te apoiar?
Tento agora pensar nas palavras certas,
nas palavras que precisas ouvir e acreditar...
Se não acreditarmos que tudo vai melhorar...talvez não aconteça.
Todavia, continuo a querer dormir
e acordar amanhã e pensar que tudo isto é apenas um sonho mau,
que não voltarei a sonhar.
Não vai ser grave, a vida não te vai deixar de sorrir, não pode deixar de te sorrir...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Considerações sobre o novo acordo ortográfico

Ora bem, parece que agora temos de começar a escrever mal, e até a falar mal, porque com tanta mudança na escrita, se pensarmos em falar tal como teremos que escrever, falaremos tudo, menos bom português. (Não vou dar exemplos, porque não me apetece e só de pensar na hipótese de escrever aquelas palavras alteradas, já me dá náuseas.) E isto provoca em mim uma série de sentimentos e emoções, um deles, é raiva, ou uma espécie de revolta, porque aprendi e bem a minha língua, orgulhava-me de saber falar bom português, menina aplicada que fui nos tempos do ensino básico e posteriormente…e de repente, vejo-me obrigada a escrever mal, a escrever muito mal, por sinal.
Isto tudo acaba por ter a sua piada, relembro os meus colegas do ensino básico, da dificuldade de alguns em escrever bem, os castigos, as vezes que deixaram de ir ao recreio por causa dos erros, e agora isso tudo foi em vão, para quê tanta insistência, quando agora poderão escrever com os tais “erros” da altura…
Liberta-me um pouco saber que poderei continuar a escrever da forma certa nos meus poemas, nas minhas crónicas, porque o escritor tem liberdade nessa área. Mas é uma liberdade limitada porque em todos os outros documentos, terei que adaptar-me a brasileirismos de que nunca gostei. Eu sou portuguesa, filha de pais portugueses e agora passo a escrever e a falar praticamente brasileiro, estou a ser demasiado rígida? Provavelmente, mas não sou pessoa de ficar calada quando algo me repulsa desta forma…
Não me falem, não me relembrem que este novo acordo ortográfico existe… apenas a perspectiva de saber da sua existência é o suficiente para fazer com que esse exacto momento me irrite profundamente.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A caminho de 2011


Lá está 2010 perto de acabar.
Depois de um ano que senti não estar a viver plenamente, senti necessidade de escrever um bocadinho sobre “ele”. Digo que não o vivi porque intimamente era como se planasse sobre o tempo, sobre os vários dias, os vários meses deste ano de 2010.
Dizer que não estou à espera que a mudança surja agora em 2011, seria uma mentira, porque, é por essa mudança que estou ansiosa, por começar um ano que me traga tudo aquilo que 2010 não trouxe. Na verdade, todos queremos o mesmo, todos os seres humanos deste planeta enorme desejam o mesmo, que o próximo ano seja favorável ou ainda mais favorável, dependendo dos casos. E afinal, em todo o final de ano a emoção é a mesma, os desejos praticamente não mudam nada, vivemos sempre do mesmo, partilhamos eternamente dos mesmos sentimentos e anseios, e medos, e sonhos…mudamos a cada dia e ao mesmo tempo continuamos fiéis a nós mesmos, pois os nossos sonhos nunca mudam, nunca acabam, nunca se esgotam…
Não sei se é presunção da minha parte, mas já consigo me visualizar na vida que quero ter e preciso ter em 2011, acho que muita coisa vai mudar, e isso é inevitável, mas acredito que as portas que precisam se abrir serão abertas.
Este é o momento certo, eu acredito que seja o momento certo de deixar de sobrevoar a minha vida e começar a vivê-la na sua plenitude.
Um bom ano para todos nós.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crise

Agora não se fala de outra coisa, apenas da crise, das reviravoltas que aí vêm, e isso ora dá medo ora apetece, simplesmente, ignorar e esquecer. Já estamos a ver onde vamos fazer cortes nas despesas mensais, mas em quê, como? Será que o que nós consumimos é indispensável, ou andamos todos a consumir bens supérfluos? Pois, aí está, é que nem tudo o que nós consumimos é assim tão indispensável, pelo contrário. É aquele “apetite” de comprar, de ter, de experimentar… pronto, é isso, já sabemos que podemos viver sem comprar roupa todos os meses, e muito menos ir ao cinema todos os finais de semana ou até mesmo sair à noite, tudo isso é fantástico e enaltece o nosso ego, faz-nos esquecer as vidinhas rotineiras que vivemos, e nalguns casos, vidas mesmo medíocres, mas é a crise, e para todo o lado que nos viramos, está alguém a falar desse tema, é quase pecaminoso passar num loja e apetecer comprar algo que não estamos a precisar com urgência, porque o país está a apertar o cinto, porque nem sabemos se irão haver reformas daqui a uns anos, por outro lado, quem nos garante que chegamos a essa altura, não será melhor aproveitarmos o agora, e comprar o que nos apetecer? Talvez, mas atenção, convém não exagerar porque os apoios sociais, também estão no limite.
Ao fim ao cabo, estamos todos no limite, o país com as suas dívidas e nós, cidadãos comuns que não aguentamos mais ouvir e falar de crise.

© Alexandra Carvalho

Preconceito ou Provocação?

Andamos todos enganados, gostamos disso talvez.
Os homens de um lado, as mulheres de outro e ao fim ao cabo, misturamo-nos todos, como se fosse impensável vivermos em separado, na certa é, de facto.
Disputas ridículas, conversas em tom de estigma, de preconceito social. Ordenados injustos para quem faz o mesmo, onde a única diferença existente que os afasta, é o género sexual, as mulheres, inevitavelmente ganham menos que os homens.
Somos obrigadas a viver e a reagir num mundo que, apesar das várias conquistas, das várias lutas, ainda é machista, ainda valoriza o homem pelo seu trabalho forçado, pela sua inteligência que muitas vezes é menor que a de muitas mulheres.
Sejamos coerentes, as mulheres estão em todos os sectores, são elas que vão para a universidade em maior número, porquê? Porque o homem é um ser desistente, ter aulas, estudar, aguentar professores? Não, é bem melhor deixar tudo isso e ir para as obras, por exemplo. Pensar menos, fazer o que lhe é pedido, e ao fim-de-semana estão no café ao lado de casa a beber a cervejinha habitual, a falar de futebol, do seu clube que nem sempre está no seu melhor, nos jogadores que foram comprados ou vendidos, sim porque esse tema os homens dominam, mas desenganem-se, se acham que as mulheres são completamente alheias a esses temas, lá está, estamos em todos os sectores, gostamos mais de umas áreas e menos de outras, somos superiores?
Não, e é essa a nossa maior diferença, é isso que nos superioriza e nos distingue mesmo sem querermos, conseguimos perceber que homens e mulheres são todos diferentes, que há homens que conduzem mal, e eu, pessoalmente, já vi vários, como há mulheres que mais valia nem terem carro.
No fundo, o que cria este separatismo de género? Preconceito ou provocação? Os dois provavelmente, o ser humano (sem olhar a sexos), é mesmo assim, complicado e diferente.

© Alexandra Carvalho

sábado, 27 de novembro de 2010

Constatação


Hoje, ao ler outras criações poéticas de outros portugueses deparei-me com um poema sobre “as palavras”, e achei tão interessante esse facto, porque ainda há pouco havia escrito sobre o mesmo.
Apesar de diferente, achei tão parecido, com palavras diferentes mas emoções semelhantes, ao fim e ao cabo, partilhamos todos do mesmo, ou pelo menos uma parte de nós partilha dos mesmos sentimentos, dos mesmos medos e emoções.
Aproveito para fazer publicidade daquele espaço, é agradável aos olhos e ao coração ler tanta poesia e tanto talento.
“Cantinho da Poesia” http://cpoesia.esenviseu.net/

domingo, 14 de novembro de 2010

Palavras


Aprendemos as palavras muito cedo,
E dizemo-las como se pouco significassem…
Dizemo-las sempre, a toda a hora,
E entre tantas palavras, pouco percebemos, pouco sentimos.
Deixámos de saber dizer, esquecemos de sentir,
As palavras estão gastas, estão envenenadas de um saber errado…
E eu? Saberei ouvi-las, dizê-las da forma certa?
Estou tão cansada, resigno-me ao silêncio,
Abomino todo o tipo de conversa sem sentido, sem emoções, sem verdade…
E penso, penso como se precisasse pensar para conseguir viver…
Escrevo, e dessa forma, consigo encontrar um sentido para tanta palavra criada,
Tanta palavra perdida em tanta conversa sem nexo.
Ouço-me por dentro, ouço-me sem precisar sussurrar o mais pequeno som.
Não é a minha voz que fala, é o meu coração, e esse,
Diz-me que é preciso mudar, é preciso ouvir outra voz,
Que não aquela que fala palavras ao acaso, palavras que morrem
Entre a boca e os ouvidos de alguém…
É preciso ouvir a voz que vem de dentro de nós.