sábado, 18 de setembro de 2010

Procura, insatisfação...PAZ

Sinto-me aquém de mim própria,
alguns dias é como se nem existisse de facto,
deambulo na vida, nos dias...
Outros dias estou aqui bem presente,
atenta a tudo, querendo mais...
O ser humano é tão estranho, curioso...
Estes altos e baixos que me irritam,
que me empurram ora para o abismo
ora para a felicidade, não existe um meio-termo,
não consigo estar apenas num lugar, numa emoção,
sinto necessidade de divagar entre a dor e a alegria,
não estou bem num lado nem no outro.
Continuo na insatisfação...na dúvida...na procura de algo que não sei se existe...
e a única coisa que quero é tão simples: PAZ.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Regresso

Não me ausentei do País, da Ilha, nem tão pouco da minha casa...mas é como se o tivesse feito... andei ausente de tudo, de mim própria, anestesiada, ocupada com outras coisas...outras prioridades!
Tive saudades de mim, e sinto-me egoísta ao dizer isso, habituei-me de tal forma ao meu mundo que qualquer coisa diferente que surja, qualquer pessoa que apareça, faz mudar tudo e afastar-me de mim...E senti-me incompleta, esta semana, eu era eu e não era ao mesmo tempo, e apercebi-me que se calhar nem sei bem quem sou, um ser estranho que ora agrada aos outros ora não...
Parece que todos querem encontrar em mim uma pessoa que eu não sou, e não consigo ser por mais que queira, se sou diferente, se sou estranha, se não vou de encontro às expectativas que têm em mim, eu não tenho culpa, a verdade é essa, estão-me a culpar por algo que eu não tenho domínio, algo que me é alheio.
Não nascemos todos com as mesmas metas nem tão pouco com os mesmos objectivos pessoais, eu sou eu, e os outros são os outros.
Será demasiado difícil respeitarem-me assim, desta forma? Esta Alexandra e não a que vocês querem que exista?!

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Noite

É um sentimento ofusco,
são sensações que nem sei porque sinto...
Dou voltas e voltas aos meus pensamentos,
às minhas perguntas sem resposta;
às minhas expectativas inalteradas...
Ahhh...apetece-me gritar, fugir de mim mesma e da terra,
de um planeta que não compreendo, que não me compreende!
As coisas acontecem à minha volta,
por vezes sofro, por vezes choro, por vezes sorrio, por vezes não sinto nada...
NADA...
Volto a olhar para mim, a olhar para dentro de mim, e tento puxar-me,
seja lá de onde estiver, em que lugar mais absurdo me encontrar...
E consigo sempre, todas as vezes eu volto, e todas as vezes me perco de novo.
E continuo...
A vida está em cada coisa que aprendo;
em cada frase que me magoa;
em cada palavra que me enriquece e me faz gostar de viver...
NADA??? Não existe o nada, apenas o silêncio...
Ah, como me faz bem ouvir o silêncio, ouvir a minha voz oculta...
Voltei a encontrar-me....
Amanhã voltarei a perder-me...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pedaços de realidade

De vez em quando surgem no nosso caminho pedaços de realidade que nos confrontam ainda mais com a nossa própria vida. Sentimo-nos sós tantas vezes, e algumas vezes, basta olhar para o lado e está um olhar atento, andamos tão cegos e tristes com as escolhas que vamos fazendo ao longo do nosso caminho, que nenhum olhar é-nos visível.
Passo a vida a falar de solidão, ou não seria eu alguém que escreve poesia, a solidão está de tal forma cravada que tornou-se impossível dizer que não me sinto só, que em algum momento não me senti só. E afinal de contas, são tantos os momentos partilhados com tantas pessoas que fazem parte de nós, ou já fizeram... esquecemos isso e ao mínimo sinal de vazio, a solidão ataca ferozmente e tudo o resto fica para trás.
Que forma estranha de viver, onde a felicidade aparece-nos tantas vezes sorridente, e mesmo assim, valorizamos a dor, a tristeza, a solidão, e os sorrisos são apagados, são fechados em qualquer recanto das memórias.
Lá de vez em quando surgem pedaços de realidade...é preciso agarrar o momento!

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Falta de tudo e de nada

Parece que falta sempre qualquer coisa, não sei bem o quê, os dias parecem tão pequenos e tão grandes ao mesmo tempo. Estou aborrecida.
Apercebi-me que não sou tão doce nem tão justa como achava que era, pelos vistos magoei alguém que não merecia, disse-me assim "tens um coração de pedra", mas afinal, para não ter esse tal coração de pedra tenho de fingir que gosto, se não gosto? Isso não seria pior? Vou fugir de mim e das minhas convicções só para alguém ficar feliz e eu não?! Como vou fazer alguém feliz se eu própria não estiver?
As pessoas dramatizam muito, até eu, acho que dramatizo muito...
Penso em todas as mensagens que trocámos, todas as palavras que dissemos, e se por momentos acho que fui fria, logo depois apercebo-me que estava a ser eu, eu e as minhas defesas contra a dor, as minhas muralhas gigantes que me protegem de ataques desconhecidos, de emoções não programadas.
E no final de contas, acho que toda esta frieza apenas te protegeu a ti, não a mim, tu sairias magoado e eu continuaria na mesma, ainda à espera da pessoa certa...

© Alexandra Carvalho

sábado, 24 de julho de 2010

Para ti

Apetece-me te dizer mais coisas do que aquelas que tenho dito,
no fundo tu sabes disso, fujo de mim e de ti, como se aí estivesse a salvação.
As tuas palavras levam-me para mundos e emoções que eu já nem conhecia,
tenho vivido longe deles por vontade, por medo, por insegurança.
E conheço-me tão bem para saber que vou continuar a fugir de ti,
se mereces ou não, não sei...
Gosto do que me dizes, gosto dessa tua frontalidade que me empurra para mim mesma,
que me mostra o meu verdadeiro eu.
Mas como te vou aceitar se não tens nada a ver com aquele homem que sempre desejei?!
Preconceito, descriminação, estigma talvez, não te consigo aceitar por mais que lutes por isso...
A tua meta é conquistar-me e a minha é deixar-te para trás,
impossibilitar-me a mim e a ti de termos um futuro diferente, uma união real.
A tua voz ora irrita-me profundamente, apetece-me gritar contigo,
ora faz-me falta e quero ouvi-la de novo...
É uma ambiguidade que não quero perceber, não quero sentir, não quero viver.
Consigo ver-te como um futuro amigo mas não me peças mais,
a minha mente fechada não consegue ver-te da forma que queres,
e assim vai ser, assim tudo vai acabar...

sábado, 3 de julho de 2010

As emoções nem sempre aparecem,
São como as palavras ditas nos momentos certos.
Hoje pensei em tanta coisa,
Em emoções vividas no passado,
Hoje queria voltar a vivê-las.
Não sinto a tua falta,
Não de ti, da tua personalidade incompleta,
Sinto falta do resto, dos meus sentimentos,
Da minha euforia constante, do sorriso aberto.
Indiscutivelmente, tu davas tudo isso.
Estou condicionada a ti
Até aparecer alguém, outro alguém,
Mais completo, mais real, mais apaixonado.
Nada disto faz sentido
Porque já não te quero,
E ainda assim,
Sou capaz de te trazer para o papel
E para o meu mundo privado.
Que vontade absurda de escrever
E não escrever nada do que eu quero;
Que medo mais absurdo me invade
E não me deixa ser eu?!
São as saudades de me entregar;
São as saudades de mostrar quem sou,
E ainda assim,
Contenho-me e continuo no silêncio!