sábado, 25 de janeiro de 2020




Não somos só contornos de um ser na sombra. O segredo é ver para além da sombra.
E se alguém sem ver ainda assim conseguir ver. O segredo estará desvendado.

© Alexandra Carvalho



Entre o espaço da tua pele e da minha, um abismo tenta atrair-me.

Olho de relance e repele-me.
Por ora, não caio.
Até a tua pele se juntar à minha.



© Alexandra Carvalho

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O Natal


O Natal, a mim cheira a casa da avó, cheira a tias, a irmãos, a família.
Eu vivi em duas casas, bem, mais do que em duas casas, mas as que considero como parte integrante da minha existência são estas, a da avó e a minha. A dos meus pais, vá.
Eu fui uma criança travessa, esperta e muito curiosa. O Pai Natal foi desmascarado por mim muito cedo. Se tenho pena disso? Talvez não tenha, para tudo há uma razão.
Mas o Natal está longe de ser apenas isso, o Pai Natal, a chaminé e as prendas.
O Natal é o calor dos humanos que nos rodeiam e que nos preenchem até ao âmago.
O Natal é o presépio, sempre bonito que as tias fazem que de ano para ano, muda qualquer coisa, mas mantém a sua essência.
A avó já não está cá, mas a casa mantém-se, as tias mantêm-se e que bom, que assim é.
O presépio, carrega ainda a história de outrora.
A história da menina curiosa que gostava de ver as tias a fazer o presépio ou a mãe a fazer as broas. Sem presunção nenhuma, a minha mãe tem um jeito danado para isso. Ou não fosse ela a minha mãe, tudo está na dose certa, porque vem dali, do ser que mais nos ama.
O Natal é agora, constatar a ausência dos avós, das prendas que são outras, do tempo que se alterou.
Dizer que queria que tudo fosse tal e qual, não é verdade. Porque a vida, tem de ser alterada para que possamos crescer. E principalmente, para valorizarmos tudo o que vamos vivendo com estes seres humanos que aceitaram partilhar tempo connosco.
O Natal é apenas isto, amor.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Falácia




Cai por terra tudo o que defendemos, quando a vida nos atraiçoa e percebemos que não somos nada. Peças ambulantes de um destino traçado antes de tudo.
Tudo o que pensei já ter aprendido, afinal não aprendi.
Toda a evolução que pensava já ter vivido, afinal não vivi.
Porque os obstáculos caem que nem flechas ou balas sobre mim e não sei lidar com eles.
Fujo, não encaro e nem quero encarar.
Não aprendi a lidar com a mudança, muito menos com a minha.
Não sei gerir as imposições nem mesmo as que são para o meu bem.
Ontem disse, vamos ver como será o amanhã, e este hoje foi pior do que pensava, não volto a dizer, como será o amanhã.
Não antevejo boas coisas, e o sorriso, que achava intrínseco a mim afinal não passa de uma falácia.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Julgamento



Falava eu hoje de perdão e de julgamento. Porque cada um de nós, está no seu caminho, no seu ponto de evolução.
Não estamos todos no mesmo sítio. Mas isso, não nos transforma em melhores ou piores.
Leio com frequência sobre espiritualidade, e se houve um tempo em que me resguardava, agora não vejo sentido em fazê-lo.
Não podemos nos julgar ou aos outros, pelas nossas convicções.
Falava eu de perdão e de julgamento, porque em temas de amor, é fácil pender para um ou para o outro.
Se magoa, facilmente julgamos e dificilmente perdoamos.
Não estamos mesmo, todos, no mesmo lugar.
Cada um age como consegue agir, e o seu melhor, pode sim, magoar outros. Como nós próprios, no nosso melhor também o podemos fazer.
Vou entendendo, porque assim a vida vai ensinando, que a mágoa ou a falta de perdão, só dói em nós mesmos.
Faz-nos mal, corrompe-nos por dentro e nesse estado, algumas vezes deixamos de nos reconhecer.
Não vale a pena!
Deixemos para trás quem tivermos de deixar, deliberadamente ou não.
A vida, mais cedo ou mais tarde, encarrega-se de juntar todas as peças que precisam ser alinhadas.
Deixemos então o coração livre para que o puzzle se possa completar.

© Alexandra Carvalho
24/09/2019

Fotografia: https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/

Não sei quem és,
Mas invades o meu espaço cada vez mais a cada dia.
Não sei quem és,
Mas reconheço o teu olhar.
Não sei quem és,
Mas o meu sorriso responde ao teu.
Não sei quem és,
Mas o teu toque acelera-me o coração.
Não sei quem és...

© Alexandra Carvalho 
05/09/2019

sábado, 20 de abril de 2019

Depois da constatação



Talvez assuste mesmo,
porque sou estas todas e ainda mais. 
Se tens medo apenas de uma ou duas destas que conheces,
quanto mais de todas as restantes?
Sabes, tu também não és só esse.
És esse, que mostras, e todos os outros que te definem enquanto ser humano.
Basta não ter medo de ser quem se é.
Se souberes lidar com os teus eus, 
também saberás lidar com os meus eus,
e de toda a gente que se atravessar no teu caminho.


© Alexandra Carvalho