quinta-feira, 14 de março de 2019
Nem sempre o caminho é fácil. Nem sempre entendo os sinais. Vou fazendo asneiras, vou corrigindo. Não desisto fácil. Talvez, devesse desistir de vez em quando. Nada que se force, vale a pena, afinal. Mas esta minha essência, faz-me sempre acreditar mais um pouco, caminhar mais um pouco. Até que mude de direcção. E quando mudo, não volto ao antigo caminho, nem às antigas pessoas. Foram. Deixam de ser necessárias. Vou sozinha sempre, pelo meio envolvo-me com outros seres humanos e deixo que eles também se envolvam comigo. Mas o caminho, esse, é sempre sozinha. Somos nós, seres humanos, seres sós. Gosto de ser assim. Gosto desta solidão, gosto também quando abro espaço e deixo que entrem nos meus dias. Já não deixo que entrem e fiquem se for para me desassossegar. Não sei viver no conflito e muito menos sei viver sem harmonia.
Reconhecem-me fácil, se estiverem abertos a isso. Senão, sou um enigma até para quem partilha os dias comigo. Sou o que sou. Não quero ser outra, e que bem sabe, ser quem sou e não ter medo disso.
Paz é a palavra chave.
Evolução é a constante.
Amor é a resposta para tudo.
© Alexandra Carvalho
sábado, 23 de fevereiro de 2019
Uma espécie de carta de amor
Dei por mim a pensar que me
estava a conter. A não usufruir do direito da liberdade de expressão. E porquê?
Não há nada mais belo do que afirmar um sentimento que é puro.
Sabes a que sentimento me refiro?
O sentimento que despertaste em mim?
Primeiro, falar-te-ei como me
apercebi. Porque a história também está nos pequenos detalhes.
Chamou-me à atenção,
inicialmente, a tua beleza física, mas esse, foi o primeiro quesito que deixou
de ter importância mais cedo.
Dizias todas aquelas afirmações
sobre mim, que primariamente, irritavam, depois passaram a fazer todo o
sentido. Despertou-me o interesse, saber que eras diferente (embora em alguns
aspectos, tão igual a todos os homens).
Foram passando as semanas, os meses,
tivemos percalços, direi mesmo que estivemos na iminência de nos perdermos de
vez. Acho que sabes e que sentes o mesmo! Não aconteceu. Reaproximamo-nos, com
uma ligação que foi crescendo e tornando-se mais forte. Corrige-me se estou
errada.
Veio o brilho no olhar. Que se tu
não vias (não vês), todos à volta viam.
O olhar dela brilha quando está com ele, quando se aproxima, quando lhe
fala, quando lhe sorri. Talvez, eu própria ainda não tivesse assimilado o
facto, e todos, próximos a mim, já me tivessem diagnosticado.
Estava a apaixonar-me. Sim, leste
bem, por ti.
No dia-a-dia fui constatando
pormenores, coisas que se me afiguravam e inconscientemente, eu comentava, se ele visse isto, ou, quando ele vê
algo do género diz isto.
Inevitavelmente, estava imersa em
ti.
Lembras-te quando te pedi para me
arregaçares as mangas, estava eu na tua cozinha, a lavar a loiça? Tu vieste e
puseste-te atrás de mim, eu senti o teu corpo no meu, estremeci, toda.
Pensei, porque é que ele me faz
isto? Não podias ter ido pelo lado, como toda a gente?
Quase, com os meus sentidos
despertos, virei-me para ti para dizer, não
consigo mais, beija-me. Não o fiz. Nesse preciso instante, relembrei uma
mensagem tua a dizer-me, tu não tens
hipótese comigo.
Dei um travão aos meus sentidos e
pensei estar a dar também ao sentimento.
A base de tudo isto é a nossa
amizade, a nossa ligação emocional, as nossas semelhanças que nos aproximam e
as diferenças, que as conhecemos e aceitamos. A outra pessoa não tem de ser
igual a nós, nem moldar-se a nós, para gostarmos dela, pelo contrário, tem de
ser genuína, afinal, é isso que a diferencia, e é isso, que faz com que nos
sintamos bem com ela.
Estes dias, tens reafirmado
várias vezes, somos amigos, ela não conta porque é amiga, ou então, falas-me em engates. Não é fácil ouvir.
Principalmente, porque a cada toque inocente teu, a cada olhar que me invade,
eu me atrapalho, tal mulher apaixonada!
E não imaginas o que é sentir o
simples toque do teu braço no meu!
Intimamente e conscientemente, sei
que não me vês da mesma forma, ainda assim, sei que gostas de mim, pelos actos,
pela tua disponibilidade.
Tenho ouvido os amigos próximos,
as amigas, é consensual entre eles, afasta-te
dele, ele não sente o mesmo e a cada contacto, tu envolves-te mais.
Não o fiz, contra tudo e contra
todos. Já sabes que tenho a propensão de fazer o que todos os outros não fazem
e ir por aquilo que penso e quero.
Mário Quintana diz: “A amizade é
um amor que nunca morre”. E porque gosto de ter-te na minha vida, de todas as
partilhas que fazemos, vou primar por isso, pelo amor que nunca morre.
Os amigos, mais uma vez,
consensuais, acreditam que depois de confessar o que sinto, perderei a amizade,
que tu irás afastar-te. Eu acredito, se te conheço, como penso que conheço, que
irás frustrar as suas convicções. No entanto, perceberás que esta era uma
confissão fundamental se quisermos subir mais alguns degraus do patamar que já
estamos.
As amizades não prevalecem com
sentimentos oprimidos ou reprimidos e com falta de verdade.
Em algum momento, eu deixaria de
ter forças para combater o que sinto por ti e aí sim, a amizade morreria, para
sempre.
© Alexandra Carvalho
12/11/2016
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Duas almas
Quisera eu a indiferença
Da tua presença,
Aquele aproximar que
nada diz.
Temo que ainda diga.
Muito mais do que
permiti conscientemente.
Mas de onde tirei a
ideia
Que é possível permitir
Seja lá o que for,
No campo dos sentimentos?!
A cada acaso ou
partida do Universo,
Que me faz confrontar
Com o teu rosto, com o
teu sorriso,
Com o teu olhar,
Compreendo um pouco
mais
A minha história e as
emoções
Que tenho de aprender
a moderar.
Há um passado que me
persegue,
Silencioso, quase
esqueço que o tenho.
Mas tenho!
É esse passado que tu relembras.
E é esse passado que
tenho de olhar de frente,
Sem medo algum.
Lá atrás era eu,
Agora também.
Eu sou o passado,
E sou este presente.
Os dois eus formam
Um eu que se completa
a cada confronto interno.
Não serás indiferente,
jamais,
Percebo agora
Que quando alguém quebra
A barreira da indiferença,
Ela nunca mais volta a
existir.
Duas almas encontram-se
Sempre por alguma
razão.
Duas almas, em que a
história
Pode permitir ser partilhada,
ou não.
Nunca um encontro de
almas
Será em vão.
Incomodas-me agora
Um pouco menos do que
ontem,
Amanhã incomodarás
menos ainda
E quando os dias se
tornarem leves,
Perceberei que a tua
alma foi embora,
E a minha, deixou-a
ir.
© Alexandra
Carvalho
sábado, 19 de janeiro de 2019
A avó Piedade
Nunca pensei muito na minha avó
Piedade, desde o momento que ela partiu deste plano terreno. Lembro que na
época sofri. Não poderia ser diferente, claro.
Vivi os anos principais do meu crescimento
com ela. Com menos mimo ou com mais, fez parte do meu percurso.
Recentemente, dei comigo a falar
dela, e a falar com carinho, das pequenas coisas que fez por mim que afinal
eram grandes.
Nunca sonhei com ela, mas a
verdade é que as minhas noites devo passá-las nalgum outro plano, porque raramente
lembro dos meus sonhos.
No outro dia, dizia eu que não
apreciava arroz, o que é verídico, mas essa afirmação remeteu-me para o
passado.
Dos dias que vinha do colégio à
hora de almoço, e passava por lá, na casa da avó. Ficava a caminho da minha, continua
a ficar.
Ela dizia assim, “ah Alexandra a
gente não tem nada de especial, se a gente soubesse que vinhas”, mas logo
depois, dizia assim, “espera, temos ali um arrozinho do almoço de ontem, a avó
vai fritar um ovo e comes com o arroz, queres?”. Eu queria sempre, não pelo
prato propriamente, mas porque ali eu estava em casa, como se não tivesse saído
de lá.
A minha avó Piedade não foi
aquele tipo de avó carinhosa ou afectuosa, tinha lá o seu feitio, mas acho que
gostava de mim.
Lembro de ser uma miúda, sempre
gostei de ler em voz alta, ela gostava de me ouvir ler, do meu tom, da minha
expressividade nas palavras, pedia até que eu lesse para ela. E eu lia.
Acredito que com o seu jeitinho
peculiar, era uma forma de me dizer que eu era especial para ela.
Perdia-a quando estava na
Universidade, recém-chegada a uma vida nova e diferente. A perda foi sentida, à
distância. E quando regressei de férias, não falei muito sobre isso, mas aquele
lugar onde ela se sentava, a cadeira onde se sentava fazia-me desviar o olhar.
Intimamente tinha saudade.
O tempo passou, seguimos caminho,
sabemos que a vida é feita desta forma, de pessoas que estão na nossa vida e
depois vão embora. Ficam as memórias, as boas, as menos boas e algumas tristes.
Uma coisa é certa, jamais vou
esquecer o arroz com o ovo frito.
Obrigada avó.
© Alexandra Carvalho
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Até 2019
De ano para ano, tentamos não levar bagagem, ou pelo menos tentamos só levar para o ano novo a bagagem que interessa.
Sabemos todos que não funciona assim.
Nós somos a soma das nossas vivências, das pessoas que se relacionaram connosco, dos sentimentos despertados, das emoções vividas.
Nós somos tudo isso. O mais sensato é aceitar, é entender.
Com o aproximar do final do ano, pensamos um bocadinho mais sobre estes assuntos, mas é ao longo do ano que trabalhamos em nós próprios, nas nossas conclusões, nas nossas decisões.
Dizer que esperamos ter um ano novo assim, com isto e aquilo, não é sinónimo de nada, se por dentro ainda somos os mesmos seres humanos. Aquele ser humano que ainda não aprendeu a conhecer-se, e que nem tenciona evoluir.
Porque aquele ano, e todos os outros, vão trazer situações idênticas se nós não rompermos padrões.
E caramba, como tenho aprendido este ano a quebrar padrões.
E que difícil é!
Difícil e gratificante.
A cada padrão compreendido e quebrado a vida trouxe logo algo melhor.
Nem todas as amizades vão sobreviver, mas é mesmo assim. Estamos cá para vivenciar ciclos, e se num ciclo, aquela pessoa fazia sentido na nossa vida, e nós na dela, no próximo, poderá não fazer.
Desapego e amor incondicional.
O que mais aprendi este ano.
Os eventos foram sucedendo gradualmente, nuns momentos foi mais doloroso, noutros nem tanto. Fui caminhando com as lições e fui evoluindo.
A cada passo tento ser a melhor versão de mim. A melhor, naquela circunstância, naquela ocasião.
Aprendi a olhar para as minhas fraquezas, como sendo forças. Ao compreender isso, foi mais fácil criar mecanismos para ser uma pessoa melhor.
Não traço metas para o próximo ano. A vida sabe o que é melhor para mim.
Vou confiar.
© Alexandra Carvalho
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
Será o que tiver de ser
Há um momento que decido fechar-me e esquecer. O interruptor
está ali mesmo e poderei ligá-lo a qualquer momento. Para já, não me apetece.
Não deixei de ter emoções nem passei a ser um humano frio.
Só desliguei daquelas emoções em particular, com aquele ser humano em
particular.
Hoje, questionei-me: serias capaz de viver com aquela
pessoa? Consegues imaginar-te a acordar todos os dias a ver aquele rosto? Terá
ele capacidade de te ver tal como és?
Perguntas básicas mas que respondem grandes questões. Uma
espécie de separação de o trigo do joio.
Sim, conseguiria viver com aquela pessoa, também conseguiria
acordar e deitar com aquele sorriso todos os dias. Mesmo quando não houvesse
sorriso.
Até aqui não reside problema.
Não, ele não tem capacidade de me ver como sou.
Não tem agora, não terá mais tarde.
Apesar de escrever e apreciar sobremaneira as palavras,
tenho vindo a perceber que as constatações acontecem quando nos deparamos com
as acções. E as acções, desde o início mostraram sempre a mesma realidade.
E pela primeira vez, eu mostrei o meu eu, fui mostrando
devagarinho e dei de bandeja a verdadeira Alexandra, a alma alojada nesta
Alexandra.
E para partilhar tempo com esta alma é preciso vê-la,
aceitá-la e acima de tudo respeitá-la.
Quando não a vês, também não consegues respeitar.
E se não tens capacidade para isso, é porque os nossos
trajectos são opostos.
Dissipam-se as dúvidas.
A amizade poderá viver, como poderá não viver.
Será o que tiver de ser.
© Alexandra Carvalho
sábado, 24 de novembro de 2018
Deixa estar
Deixa estar,
Este não tem de ser o tempo.
E que é o tempo?
Pedaços de dias, pedaços de horas.
Tempo, partilha. Memórias.
Deixa estar,
Não precisas estar pronto.
E que é estar pronto?
Sentir. Desejar. Sorrir. Querer.
Deixa estar,
Nada que não seja para ser, é.
Deixa estar,
Resta o que tiver de restar.
Deixa estar....
© Alexandra Carvalho
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