quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crise

Agora não se fala de outra coisa, apenas da crise, das reviravoltas que aí vêm, e isso ora dá medo ora apetece, simplesmente, ignorar e esquecer. Já estamos a ver onde vamos fazer cortes nas despesas mensais, mas em quê, como? Será que o que nós consumimos é indispensável, ou andamos todos a consumir bens supérfluos? Pois, aí está, é que nem tudo o que nós consumimos é assim tão indispensável, pelo contrário. É aquele “apetite” de comprar, de ter, de experimentar… pronto, é isso, já sabemos que podemos viver sem comprar roupa todos os meses, e muito menos ir ao cinema todos os finais de semana ou até mesmo sair à noite, tudo isso é fantástico e enaltece o nosso ego, faz-nos esquecer as vidinhas rotineiras que vivemos, e nalguns casos, vidas mesmo medíocres, mas é a crise, e para todo o lado que nos viramos, está alguém a falar desse tema, é quase pecaminoso passar num loja e apetecer comprar algo que não estamos a precisar com urgência, porque o país está a apertar o cinto, porque nem sabemos se irão haver reformas daqui a uns anos, por outro lado, quem nos garante que chegamos a essa altura, não será melhor aproveitarmos o agora, e comprar o que nos apetecer? Talvez, mas atenção, convém não exagerar porque os apoios sociais, também estão no limite.
Ao fim ao cabo, estamos todos no limite, o país com as suas dívidas e nós, cidadãos comuns que não aguentamos mais ouvir e falar de crise.

© Alexandra Carvalho

Preconceito ou Provocação?

Andamos todos enganados, gostamos disso talvez.
Os homens de um lado, as mulheres de outro e ao fim ao cabo, misturamo-nos todos, como se fosse impensável vivermos em separado, na certa é, de facto.
Disputas ridículas, conversas em tom de estigma, de preconceito social. Ordenados injustos para quem faz o mesmo, onde a única diferença existente que os afasta, é o género sexual, as mulheres, inevitavelmente ganham menos que os homens.
Somos obrigadas a viver e a reagir num mundo que, apesar das várias conquistas, das várias lutas, ainda é machista, ainda valoriza o homem pelo seu trabalho forçado, pela sua inteligência que muitas vezes é menor que a de muitas mulheres.
Sejamos coerentes, as mulheres estão em todos os sectores, são elas que vão para a universidade em maior número, porquê? Porque o homem é um ser desistente, ter aulas, estudar, aguentar professores? Não, é bem melhor deixar tudo isso e ir para as obras, por exemplo. Pensar menos, fazer o que lhe é pedido, e ao fim-de-semana estão no café ao lado de casa a beber a cervejinha habitual, a falar de futebol, do seu clube que nem sempre está no seu melhor, nos jogadores que foram comprados ou vendidos, sim porque esse tema os homens dominam, mas desenganem-se, se acham que as mulheres são completamente alheias a esses temas, lá está, estamos em todos os sectores, gostamos mais de umas áreas e menos de outras, somos superiores?
Não, e é essa a nossa maior diferença, é isso que nos superioriza e nos distingue mesmo sem querermos, conseguimos perceber que homens e mulheres são todos diferentes, que há homens que conduzem mal, e eu, pessoalmente, já vi vários, como há mulheres que mais valia nem terem carro.
No fundo, o que cria este separatismo de género? Preconceito ou provocação? Os dois provavelmente, o ser humano (sem olhar a sexos), é mesmo assim, complicado e diferente.

© Alexandra Carvalho

sábado, 27 de novembro de 2010

Constatação


Hoje, ao ler outras criações poéticas de outros portugueses deparei-me com um poema sobre “as palavras”, e achei tão interessante esse facto, porque ainda há pouco havia escrito sobre o mesmo.
Apesar de diferente, achei tão parecido, com palavras diferentes mas emoções semelhantes, ao fim e ao cabo, partilhamos todos do mesmo, ou pelo menos uma parte de nós partilha dos mesmos sentimentos, dos mesmos medos e emoções.
Aproveito para fazer publicidade daquele espaço, é agradável aos olhos e ao coração ler tanta poesia e tanto talento.
“Cantinho da Poesia” http://cpoesia.esenviseu.net/

domingo, 14 de novembro de 2010

Palavras


Aprendemos as palavras muito cedo,
E dizemo-las como se pouco significassem…
Dizemo-las sempre, a toda a hora,
E entre tantas palavras, pouco percebemos, pouco sentimos.
Deixámos de saber dizer, esquecemos de sentir,
As palavras estão gastas, estão envenenadas de um saber errado…
E eu? Saberei ouvi-las, dizê-las da forma certa?
Estou tão cansada, resigno-me ao silêncio,
Abomino todo o tipo de conversa sem sentido, sem emoções, sem verdade…
E penso, penso como se precisasse pensar para conseguir viver…
Escrevo, e dessa forma, consigo encontrar um sentido para tanta palavra criada,
Tanta palavra perdida em tanta conversa sem nexo.
Ouço-me por dentro, ouço-me sem precisar sussurrar o mais pequeno som.
Não é a minha voz que fala, é o meu coração, e esse,
Diz-me que é preciso mudar, é preciso ouvir outra voz,
Que não aquela que fala palavras ao acaso, palavras que morrem
Entre a boca e os ouvidos de alguém…
É preciso ouvir a voz que vem de dentro de nós.




sábado, 6 de novembro de 2010

Sonhos

Faltam-me sonhos,
faltam-me metas por definir...
E sem sonhos, o que me resta?
Apaguei-me sem perceber,
desliguei-me de mim, do mundo, de tudo...
Os dias parecem tão pequenos, tão grandes, tão cheios de nada.
E é este nada que agora me faz despertar...
Em que momento deixei de sonhar?
Em que momento deixei de acreditar que podia sorrir?

sábado, 23 de outubro de 2010

Tenho dúvidas,
Não sei o que sinto, se sinto…
Os meus pensamentos foram brutalmente invadidos
Pela lembrança do teu beijo,
O nosso beijo, o misterioso beijo.
É tão mais fácil fugir,
Quando o medo surge,
Quando o desejo mostra-se presente,
Ainda que às escondidas.
Ainda consigo lembrar das palavras,
Das tuas apreciações demasiado respeitosas
Em relação a mim.
E agora, porque é que tudo voltou ao mesmo?
Porque é que ainda não nos enfrentamos?
Tu escapas-me entre olhares que tentamos não cruzar.
Conheço-me, sei que tenho medo e tu?
Fingimento, dúvida, incerteza.
E se a minha vida é isso, a tua também será assim?
Só há uma dúvida que não resta,
Em algum momento,
Voltaremos a nos encontrar…


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Reparei agora que faz um mês que não escrevo nada aqui no meu blog, é curioso, escrevo para sites, para outros blog's e acabo por esquecer do meu. Contudo, este foi sempre o meu espaço de desabafo, o meu cantinho de poesia, e diga-se de passagem que a minha inspiração poética anda muito ausente. 
Ando a escrever um livro, é o segundo que começo, os temas são interessantes, a história cativa, mas perco-me sempre e deixo-os de lado, talvez faça mal.
Este último fui escrevendo e fui mostrando à minha irmã, que por sua vez também mostrou ao namorado, surgiram opiniões motivantes dos dois lados, e mesmo assim, deixei por agora de lado, não definitivamente. É como se tivesse as ideias todas guardadas num ficheiro qualquer da minha cabeça, quando quiser utilizar as informações basta aceder. Lá aparece um dia que tenho mesmo vontade de escrever, de pôr mais qualquer coisa na história e aí vou correndo para o computador, e surge de forma fácil e espontânea tudo o que me vai na mente.
Talvez um dia destes a poesia volte, carregada de emoções e experiências, como sempre.

© Alexandra Carvalho