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domingo, 23 de abril de 2017

A despedida começa agora

Fotografia de Rita Escórcio

Levei tempo a processar os meus sentimentos. Tinha quase como certo que te tinha superado, que havia chorado todas as lágrimas que me poderias provocar. Não chorei. Fui mascarando com sorrisos disfarçados, com certezas que afinal não eram fidedignas.
E o meu coração ficou amargurado.
Fugi até das palavras, elas levavam-me até ti, sabes? Eu não queria falar sobre ti. Que ingénua fui.
Evento atrás de evento, ou o teu nome ou a tua presença, confrontavam-me com factos, com a realidade. Alexandra, chora! Processa a dor!
Hoje disseram-me algo muito assertivo, “tu ainda não perdoaste, por isso é que ainda sofres”. E não perdoei a quem? A ti, por defraudares as minhas expectativas, ou a mim, por inequivocamente, me ter ludibriado com um sentimento inexistente?
Processei hoje, muito mais esta dor, do que lá atrás, quando a constatei.
Amanhã, saberei ver-te a passar ao lado, na estrada que continua a ser apenas minha, na estrada que tu apenas passas.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Hoje pensei sobre isso. Sobre partidas mas que não são perdas. Nas minhas crenças encontramo-nos todos depois, no tempo certo de cada um. Mas ainda assim, pensei sobre isso. Que palavras ficariam por dizer? E percebi que muito poucas palavras ficariam no silêncio. E porquê? Porque quem eu gosto, quem gosta de mim, sabe desde sempre, que nas atitudes e no sorriso já digo o quanto os amo. E para mim, basta-me isso. Depois haveríamos todos de conversar sobre tudo o resto, no reencontro, na nossa casa.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Juntar a alma, é sobejamente mais difícil.


É inevitável, a vida irá nos oferecer alguns tropeções. Obstáculos grandes, outros menores. Como vamos reagir a eles, é que é a chave de tudo isto, de estar vivo.
Quando fui de férias, recentemente, ia com o coração partido, e intimamente senti que a distância das minhas raízes iria conseguir juntar as pecinhas que estavam todas misturadas e algumas minuciosamente partidas.
O trabalho que se avizinhava era árduo. Colar um frasco que se quebra já não é tarefa fácil, mas juntar a alma, é sobejamente mais difícil.
Sair da minha zona de conforto, embora tenha facilitado, não foi factor suficiente para que as peças se juntassem todas, juntaram-se algumas. Mas nesta tarefa, apercebi-me que não estava a colá-las em consonância com a minha essência, a verdadeira. Estava deliberadamente a afastar-me de quem era antes, porque o eu anterior, havia-me atraído para uma situação que me fez sofrer. Nós queremos sofrer? Não, ninguém quer. E se, este eu, me atraía para isso, tentei que me redefinisse de forma diferente. Tarefa inglória esta, porque nós somos o que somos. E que nos consciencializemos que não vamos conseguir fugir muito tempo de quem realmente somos.
Nós melhoramos arestas, a cada dia, mas fugir de nós, e substituir por outro eu qualquer, não o devemos fazer.
Voltei às raízes e à rotina, e foi precisamente, na rotina e não fora dela que percebi que o caminho que estava a trilhar não era de facto, o que eu queria. Se permitisse continuá-lo, a médio prazo, teria eventualmente, me perdido completamente.
A essência genuína teria sido mitigada por uma qualquer produzida por um eu maltratado e que não soube fazer o luto, sim, porque nós fazemos o luto mais vezes na vida e não apenas quando perdemos da vida terrena, os nossos entes mais chegados.
Eu tinha um luto emocional para fazer e estava a fugir dele, esse era o caminho mais fácil. Se fingisse ser diferente, conseguiria num curto espaço de tempo voltar a sorrir, mas a que custo? E que sorriso seria esse? Não seria o puro.
Percebi que nós temos de chorar, se assim for necessário, não nos torna mais fracos. Não há que ter vergonha. Nós temos de nos revoltar de vez em quando, isso leva-nos outra vez para nós próprios, liberta-nos.
A chave é encontrar sempre o caminho de volta, e trazer connosco o ensinamento que a dor nos deu.
Tudo acontece para que depois a vida nos traga o melhor.



© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A Carlota

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Dizem que as pessoas aparecem na nossa vida, no momento em que são necessárias. Com Carlota não foi diferente.
Acho que é pertinente contextualizar, Carlota, é a cadela que cativou o meu coração.
Ouvi durante muito tempo, que se não conseguia amar um animal, é porque interiormente, não me amava a mim. Que qualquer bloqueio emocional, não me permitia amar. Nunca concordei, era impossível fazê-lo. Eu amava-me, amava os outros também.
Mas Carlota, recém-chegada a casa, pequenita, preta, com uns olhinhos negros que apelavam a que não conseguisse tirar os meus olhos dos dela, veio alterar tudo.
Carlota era da mana mais nova, foi ela que primariamente necessitou da sua presença, mas nada acontece por acaso, eu também viria a precisar dela, mais cedo ou mais tarde.
Olha para mim, agora, que já não é pequena, com o mesmo olhar negro que me cativou lá atrás. Ela está ali sempre. O meu dia sabe bem, quando me sento, feito criança, nas escadas de casa e fico a brincar com ela.
Os dias nem sempre são iguais, e se por qualquer acaso, eu não puder vê-la, falar com ela, sinto saudades, ela também sente.
Este é um amor puro, genuíno. Um amor que não espera nada em troca, mas que dá, sempre, sem restrição.
Dificilmente, veria os meus dias da mesma forma, se não tivesse Carlota.
Penso que antes também já conseguia amar, mas sim, ela trouxe-me uma dimensão de amor, diferente da que eu conhecia e sentia.
E por isso, obrigada à mana, que a trouxe, e obrigada Carlota, por seres aquele primeiro animal que me fez amar incondicionalmente.


© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A escolha que é minha, tua, nossa


Algo nos atrai e repele, e é curioso pensar sobre isso.
Penso que nenhum de nós está preparado para um amor assim, aquele amor que defendemos como sendo o único, o puro, o genuíno. E porque o defendemos, e porque sabemos de antemão que este será o primeiro, nasce o medo. O medo que é calado, que não se denuncia.
Deixamos que os dias corram, que o tempo faça o que tem a fazer. Não escondemos o que sentimos, mas também não o dizemos.
Imagino o desfecho. Seremos capazes de o aceitar, de finalmente, sermos nós próprios, estando um com o outro?
Com os defeitos que ambos conhecemos um no outro e os restantes que ainda não tivemos tempo de conhecer?
Com as qualidades que já adoramos e todas as outras que certamente sobressairão depois?
Diz-me, que desfecho prevês?
Seremos capazes de aceitar o desafio que, inevitavelmente, nos trará a felicidade?


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


Aproximas-te devagar e o meu corpo estremece. O teu sorriso encontra o meu e é inevitável, fico sem jeito.
Pergunto-me se percebes? Se o meu corpo me denuncia, se a minha voz trémula sobressai?
Tento controlar as minhas emoções, dou ordem aos meus sentidos para que se estabeleçam.
No fundo, queria o teu beijo. Não sei se o terei, mas intimamente, desejo-o.
Desejo o teu toque pelo meu rosto, pelo meu cabelo. O toque a dizer que sentes o mesmo. O sorriso que comprova que me encontraste, que já me encontraste. Que me consegues ler, que leste desde o início.
E para mim, por ora, bastava isso.


© Alexandra Carvalho

domingo, 2 de outubro de 2016

Auto-análise



De vez em quando é preciso parar.
É preciso parar e olhar a direcção que deliberadamente ou não estamos a tomar na nossa vida.
Hoje, eu parei e olhei para o meu caminho. Acho que não estarei assim tão mal. Ainda assim, momentos há, de vulnerabilidade e nostalgia, em que penso que não pode ser só isto.
Sinto que ainda me falta todo um processo que me proporcione alcançar a minha verdadeira missão terrena.
O coração sente-se pequeno.
As palavras inundam-me imensas vezes, algumas, passo-as para o papel, outras não. Deixo-as fazer o trabalho que é suposto, são palavras minhas, exclusivas para que medite sobre as decisões que venho tomado e que todos os dias tomo.
Deixo que façam a cura que preciso. É naquele preciso momento, que surgem em debandada, que uma das maiores decisões é feita. Escolho entendê-las e seguir a jornada, ou ignoro-as, e tudo continua igual.
Nem toda a opção parece fácil, há caminhos que se assemelham mais complexos e sinuosos. No fim, somos nós que os fazemos assim ao atribuir essa conotação. É o medo.
Para evoluirmos, precisamos não ter medo.
A vida faz-se com mudanças, se assim não for, não viemos cá fazer nada nem aprender nada.
Olho para trás e há memórias que parecem ter sido vividas por outro eu, que não é este de agora. Mas isso, deixa-me feliz. A evolução acontece, ora lenta, ora mais acelerada. Mas acontece.
Hoje, o coração sente-se pequeno. Estarei a caminho de outro patamar, que não cabe neste eu? 

© Alexandra Carvalho




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Plenitude


Nós não sabemos, nunca sabemos quando é que a partida se aproxima. Mas sabemos sim, se existe medo se não. Se nos invade a sensação atroz de não querer ir embora.
Não tenho medo de ir embora.
Não sou daqui.
Lamentarei apenas, caso parta, sem antes conhecer o verdadeiro amor, o puro, o único.
O amor que era suposto encontrar nesta vida e não na próxima.
Terei porventura falhado novamente e deixei-o escapar por entre a minha até então, tumultuada personalidade. Esta alma que apenas recentemente começou a conhecer a paz.
A conhecer-se, a cada uma das suas partes.
Enquanto não nos conhecemos, enquanto não alcançamos a nossa paz interior, o amor vai passando ao nosso redor, mas não somos capazes de o reconhecer, nem tão pouco de o aceitar.
A alma sem plenitude não é capaz de viver o que lhe está destinado.
O amor é o estado puro da plenitude. O amor, nas suas diversas formas. Quando o entendemos, apresenta-se então a alma gémea. A alma que nos acompanha vida após vida, que nos acompanha no alcance da sabedoria e da evolução espiritual.
Lamentarei apenas partir sem que tenha sido capaz de a reconhecer.
Todavia, a evolução continuará.
Sempre continuará.


© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dualidade

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
E porque em algum momento temos de nos libertar das máscaras que, uma após a outra fomos incorporando na nossa vida, hoje, estou a libertar-me das minhas.
Parecia fácil usá-las! Embora à noite as retirasse, o peso tendia a permanecer. Cada uma deixava algo em mim.
Hoje decidi libertar-me delas, mas a verdade é que deixei de as usar faz tempo e desde que o fiz o sorriso é praticamente permanente e real.
Não tentarei ser outros eus senão aqueles que já sou, e bastam-me esses.
Sim, outros eus, porque não sou apenas um. Tendo a não acreditar que alguém tenha apenas um eu.
Não somos tão lineares.
Vamos acumulando ao longo do tempo, características divergentes e sim, aí deixamos de ser apenas aquele eu que achávamos que éramos. Somos esse e o outro que entretanto se apoderou de nós.
Hoje estou a assinar a minha carta de alforria.
Deixo para trás as máscaras que não me assentam bem e os amores, as paixões que inconscientemente deixaram resquícios, porque eu permiti que continuassem alojados.
O passado não deve caminhar no presente, deve apenas ser um indicador do percurso que tivemos até aqui, deve funcionar como um impulsionador a não cometer os mesmos erros. Mas jamais deve interferir com o presente.
Os amores terminaram, tiveram a função que era suposto terem. As paixões arrebatadoras, não passaram disso mesmo e já não fazem sentido.
Dou autorização ao meu coração que se liberte deles.
Ainda que não surja outro amor, sinto-me livre para o acolher quando chegar.
Acima de tudo, sinto-me livre para viver com a plena certeza que agora nada me condiciona.
Hoje sou o eu que quero ser.
Amanhã posso ser o outro, ainda assim, serei eu exclusivamente, a decidir qual deles incorporar.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Constatação Evolutiva

As pessoas entram e saem da nossa vida a um ritmo estonteante. Algumas permanecem. Os papéis entrelaçam-se mais tempo e somos necessários na vida um do outro.
Ficamos por tempo indeterminado.
Nem sempre é fácil perceber o que é que aquela pessoa faz ali, porque continua ali, como nem sempre é fácil perceber porquê que aquela pessoa, em particular entrou na nossa vida.
Mas hoje reflectirei apenas na tua pessoa.
As tuas crenças e/ou ideologias não se coadunam com as minhas, ainda assim, por um determinado papel, tu inevitavelmente, entraste na minha vida.
Não escrevo especialmente para ti, antes que atribuas uma importância irreal às minhas palavras. Eu escrevo. Ponto.
Questiono essencialmente as emoções, as vivências que vão construindo a minha história.
Não sou uma pessoa fácil, nunca fui. O que é certo num dia, deixa de o ser no outro. Não sou constante e tenho dificuldade em aceitar comportamentos padronizados, que resvalam na banalidade, e acima de tudo, na futilidade.
Afasto-me deliberadamente de tudo o que não me apraz. De tudo e de todos. Isolo-me não raras vezes, para poder voltar ao meu eu original.
A sociedade gosta de corromper, de aliciar para o que não somos.
E se a mente estiver fraca, somos facilmente corrompíveis.
Costumo dizer que trago em mim toda a insatisfação do mundo. Condensada numa mente que considera ser pouco o que aqui vivemos. A pequenez de sentimentos ultrapassa-me, ultrapassa a minha acepção do que é viver, do que é amar.
Ultrapassa-me que aceitemos que o ser humano é básico, e que gosta de ser assim.
Quando esbarramos em seres humanos que nos parecem familiares, semelhantes a nós, olhamos com mais atenção.
De miúdo, irmão mais novo da antiga amiga de infância, facilmente saltas para o papel de um semelhante. Pela estranheza que reconheci imediatamente.
Não me ocorre, por ora, o papel que é suposto teres na minha história, ou eu na tua.
Todavia, identifico com clareza as nuances da minha inconstância, perante o confronto da tua insensibilidade.
Num dia és o semelhante, no outro, um ser humano básico que pretendo deixar para trás.
A tua insensibilidade, em forma de palavras, remete-me para um eu que não deseja deixar-se afectar pela não reciprocidade, como antes acontecera.
Não terei definido ainda o teu papel, mas certamente encontrei uma das tuas funções, ensinar-me a arte do desapego e da liberdade. A liberdade de reconhecer e aceitar que nem sempre os sentimentos serão recíprocos mas que apesar disso, podemos continuar a sorrir.
Porventura, a esta altura já estaria eu noutro patamar evolutivo, e a tua interferência apenas veio enfatizar esse facto.
Numa fase mais descontrolada e inconstante, certamente já te teria varrido de todas as minhas redes, pessoais e virtuais.
Não o fiz, nem vou fazê-lo por tais motivos.
A tua primeira função considera-se executada, permaneço, no entanto, no caminho da aprendizagem e evolução.


© Alexandra Carvalho

domingo, 3 de julho de 2016

Essência/Energia


Ainda que nos conheçamos, à nossa essência, tendemos a fazer tudo errado. O oposto do que ela nos pede.
Não sabemos reconhecer as pessoas, vimo-las pelo prisma que nos beneficia mais. Procuramos pelo que nos faz falta, ainda que ali, naquela pessoa não esteja nada do que procuramos.
Sabemos de antemão disso, e ainda assim, a visão deturpada consegue ver o que não existe.
A vida é estranha, e na maior parte das vezes, não conseguimos entendê-la.
Os dias tornam-se obscuros quando deixamos que as expectativas nos condicionem. Aliás, quando simplesmente permitimos a sua existência.
Se num momento, sentimos estar a percorrer o caminho certo, logo depois, somos puxados, com tal força, para o ponto que nos desvia do nosso caminho.
Entender que é apenas um desvio, e que é um teste para que possamos ser cada vez melhores, não é tarefa fácil. E é aqui que nos perdemos. É aqui que a essência fica tumultuada, porque a renegamos, porque deixamo-nos perder.
E não estamos aqui para isso.
Nascemos todos com uma energia única, individual e suprema. Mas cabe a nós, tão-somente a nós, direccioná-la para a sua verdadeira missão.
A luz brilhará apenas quando estivermos cientes disso e conseguirmos contornar todos os desvios.


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Estará o verdadeiro amor em extinção?

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Esporadicamente, penso sobre isto das relações amorosas ou do próprio amor. Quase sempre fico pela conclusão que este não é um tema que se deva pensar ou escrever.
Olhando em volta, eu diria que o amor perdeu-se algures no passado, noutra época que não é a que eu conheço. Arrisco mesmo a dizer que a grande maioria dos casais sorridentes que povoam as redes sociais, principalmente, nas redes sociais, são um autêntico erro de definição.
Por favor, não poluam as energias cósmicas ao apregoar amores inexistentes. Sim, porque envolver-se com a moça jeitosa ou o moço jeitoso que vos passa à frente, não me parece ser sinónimo de amor. Ou será?
Regredimos assim tanto, ou evoluímos assim tanto, que as relações deixaram de ser monogâmicas?
Se olharmos lá para trás, para um passado, que não deixa de ser recente e bem familiar, em que os casamentos eram essencialmente contratos entre famílias com o fim de juntar riquezas, esta bigamia era facilmente justificada.
Muitos jovens encontravam o amor fora daquele casamento previamente arranjado, mas hoje, que apregoamos a liberdade e acreditamos que a vivemos, isso cai por terra.
O que leva homens e mulheres a assumir publicamente namoros e casamentos, mas ainda assim, procurando continuamente fora daquelas paredes onde vivem, essa falta de amor?
Terá porventura, a humanidade perdido a sua essência? Terá ganhado medos que a condicionam à felicidade, ao verdadeiro amor?
Estará a humanidade condenada ao vazio das verdadeiras emoções?
E surge a questão que emerge responder: estará o verdadeiro amor em extinção?


© Alexandra Carvalho

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Amanhã será sempre outro dia

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
Desengane-se quem tem a ideia extremamente oblíqua de que apenas as mulheres sofrem à mercê de relacionamentos sugadores de energia. Não passa disso mesmo, de uma ideia totalmente errada.
Olhando transversalmente para a nossa sociedade, os casos gritantes envolvem sempre mulheres. Mulheres subjugadas, descrentes da felicidade, descrentes da vida.
Mas também os há no sexo masculino.
Assim de repente, surge no meu campo de visão, um homem vítima de um relacionamento dominador e acima de tudo manipulador.
Fui observando aos poucos, o comportamento dele e dela, como mera espectadora mas com o olhar atento de uma profissional da área social.
Se na mulher, muitas vezes, a submissão prende-se com motivos financeiros, com o medo da solidão, o desamparo, com o não saber que fazer com o espaço que resta depois de aquela pessoa sair da sua vida. No homem, é puramente emocional.
As mulheres sabem sempre que relacionamento estão a viver, mas falta-lhes a força para escrever o ponto final.
Habituamo-nos a uma imagem quase sagrada do homem másculo, forte, que pouca coisa lhe afecta, que ama mas não se subjuga a mulher alguma.
Como essa visão está tão descabida no nosso mundo real.
Na minha observação informal, vejo um homem submisso, que já não ama, mas não sabe discernir o que é habituação de amor. Um homem manipulado, por uma mulher que sabe isso, e usa a seu favor, mantendo-o preso numa rédea tão curta que o impede de pensar, reflectir sobre a falta de felicidade na sua vidinha, que não o satisfaz.
As discussões são recorrentes, o cansaço emocional é característica intrínseca do dia-a-dia, ele já não sabe o que é acordar em paz. Já não sabe o que é sorrir genuinamente.
Olha em volta, para os sorrisos que se abrem para ele e por momentos, deseja que um desses sorrisos seja o dele, ou para ele, apenas para ele.
Mas a noite chega, e por momentos, no silêncio do seu quarto, vê que não é feliz.
Não importa, amanhã é outro dia. Outro dia de desgaste emocional, de novos sorrisos que se abrem e à noite, voltará a pensar sobre a sua infelicidade.
Amanhã será sempre outro dia.



©Alexandra Carvalho

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Mas existe, sempre

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
É possível amar tanto alguém que queiramos deixar de amar, de tanto que dói?
A cada volta que a vida dá, este é um amor que se desencontra e encontra.
A cada discussão, este é um amor que promete acabar e logo depois revigora-se.
A cada palavra que é dita, erradamente, este é um amor que se renega, que orgulhosamente, decide renegar-se.
Mas existe, sempre.
É possível amar-te tanto e querer deixar-te para sempre?



© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Apego

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography
Quando o meu olhar desvia para o passado, a tua presença assume-se uma constante. Uma existência que me desarma, que me atordoa.
Mas a tua presença não me é benéfica, não me favorece, pelo contrário, consome-me a energia que tantas vezes, por si só, já é oscilante.
Tenho dificuldade em desapegar-me de ti, por tudo aquilo que partilhamos juntos, e que eventualmente, poderíamos voltar a partilhar.
Todavia, pela primeira vez, a minha consciência tomou o seu lugar de direito e alertou-me, tu não és aquilo que eu quero para esta vida.
Quando olho lá para trás, para além da intensidade dos momentos que vivenciamos, há uma panóplia de tristeza, dor, dúvida e solidão.
Não há intensidade que valha uma vida carregada de incertezas.
Não vou dizer que amanhã passarás a ser uma figura do passado, mas posso sim dizer, que hoje entendi que preciso deixar-te, e que amanhã continuarei o processo de desapego.
Tenho saudades tuas e amanhã, as saudades serão as mesmas, até que acabarão, silenciosamente.
E só aí, estarei livre.


© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O Arraial da minha terra

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Cada vez mais, as festas religiosas se distanciam da sua essência. Mas ainda assim, há uma ou outra que se mantém praticamente inalterada, falo sim, do Arraial em honra ao Senhor Bom Jesus. O auge das festividades na minha freguesia, Ponta Delgada.
Quando penso sobre o arraial, mais do que música e bebida, penso em família, em união e de certa forma, em fé. Não porque a génese deste arraial é a religião, mas porque todos os anos se renova a vontade e a fé, que para o próximo ano estejamos todos reunidos.
Acima de tudo, para os locais, este é o momento em que as famílias se juntam, riem, divertem-se e partilham do que é mais sagrado, a união familiar.
Ao contrário de outras festas da região, que sentem necessidade de ir buscar atracções musicais nacionais para dinamizar o evento, esta festa não precisa de o fazer.
Essa não é a sua essência. Esta é uma festa de fé.
Quem vem, mais do que qualquer outra coisa, vem agradecer as graças que o nosso padroeiro lhes concebeu. E isso, por si só, é motivo que baste para que percorram quilómetros para cá vir.
Se um dia, e espero que tal não aconteça, este Arraial fugir da sua tradição e história, e necessitar de fazer o mesmo que outras festas, estaremos a um passo de perder a alma deste grande Arraial do Bom Jesus.


©Alexandra Carvalho

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A minha mãe

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Acho que não há outra palavra para definir a emoção de uma mãe ao ver todos os filhos juntos senão a palavra amor.
Os filhos crescem e nem todos ficam perto dos pais. Ainda que os laços não se percam, perde-se a presença.
Vejo isso agora, o sorriso da minha mãe, ao ver na mesa os três filhos. Delicia-se a olhar para nós, enquanto falamos, porque durante meses, ela não teve esse prazer.
Pensa no prato que irá fazer, que satisfaça a todos e ainda diz, espero que gostem, foi feito com carinho.
Bem, o comer da mãe é sempre bom. Concordaremos todos com esse facto. Porque foi a nossa mãe que fez, com a entrega e dedicação que mais ninguém consegue ter, para nós filhos.
E eu costumo dizer, a minha mãe faz muito bem sobremesas, é a melhor a fazer este ou aquele pudim. Todavia, não me lembro de algum filho dizer que a sua mãe não é a melhor também.
Acima de tudo, é o amor. É o que transforma todos os pequenos momentos em algo muito mais profundo e especial.
Nem sempre os irmãos se dão bem, mas, o brilho no olhar de uma mãe vale superar qualquer desavença ou diferença que possa existir.
Que todos os filhos pudessem perceber isso.


©Alexandra Carvalho

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Considerações sobre mim própria

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography?fref=photo
Costumo dizer que sou uma pessoa sorridente, mas estou longe de ser uma pessoa fácil.
Acho que trago em mim demasiada insatisfação. Pouca gente me preenche, poucas coisas também.
No outro dia um amigo do meu pai dizia-me assim, uma rapariga bonita e não se casa. Está mal.
Não me parece que esteja mal.
Se me perguntarem se sinto falta disso, de um marido, de filhos? A resposta é rápida e clara, não.
Tenho dúvidas que exista alguém que mate parte da minha insatisfação, tenho sérias dúvidas que alguém me perceba, me veja como realmente sou.
Mas a culpa é minha. Não me dou.
O padrão não me diz nada, olho em volta, para estes casais, estas famílias, e sinto que jamais me encaixaria naquele perfil.
É uma decadência espiritual tão grande, que me atordoa.
Eles não mostram quem são, e elas subjugam-se ao que supostamente eles querem que elas sejam. Há maior decadência humana e espiritual do que esta? Não creio. E não quero para mim.
Tenho 31 anos, não sei se ficarei sozinha, se inusitadamente, aparecerá um homem que olhe para mim e veja tudo, pela primeira vez, corpo e alma. E que mesmo vendo, queira ficar, não tenha medo de ficar.
Até lá, a vida segue.


© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pensamentos soltos sobre ti

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Não raras vezes penso em ti. Tu sabes.  
Dou comigo a pensar que poderias ser muito mais do que aquele amigo que conto levar para a vida inteira. Até ao fim dos meus dias. Acho que seríamos uma boa dupla de companheiros, amigos, amantes, namorados. Iríamos rir muito mas também chatearmos muito. Sim, porque temos mais semelhanças que diferenças. E das semelhanças surgem mais discussões. Discussões que acabariam sempre da mesma forma, como os eternos amantes que seríamos, que poderíamos ser. 
Mas depois de pensar nisso, lembro que afinal tens namorada. Esqueço muitas vezes disso, sabes porquê? Porque ela não te dá brilho ao olhar. Apagas que nem uma vela quando passa uma leve brisa no ar. Não te sinto completo, nem tão pouco te sinto feliz. E não imaginas a tristeza que isso me dá. 
Sabes, ainda que pense em nós como um só. Ficaria na mesma feliz, se soubesse que tens alguém ao teu lado que te completa, alguém que te deixe ser quem tu realmente és. 
Não consigo imaginar-me estar com alguém, com quem não poderia ser eu própria. É um acto cobarde, e tão solitário. Fingir o que não somos e escondermo-nos de nós próprios. E tu, meu amigo, estás embrenhado nesse fingimento. E como lamento isso. 
Não acho que nós sejamos outra coisa nesta vida, senão isto, amigos para a toda a vida. Poderíamos ter tomado decisões diferentes e quem sabe, neste momento, eu estivesse a te dar o brilho que não tens no olhar.  
Mas foi assim, porque nem sempre percebemos o que sentimos, e porque muitas vezes fugimos de quem realmente tem a ver connosco. 
Não sei o efeito que estas palavras podem ter em ti, nem sei se as perceberás como eu quero que tu percebas. 
Mas jamais deixarei de escrever sobre o que me move, sobre as emoções que algo ou alguém provocam em mim. E teres alguém ou não, é-me completamente indiferente. Os poetas são assim, são egoístas, escrevem sobre o que lhes apetecer e que ninguém venha dizer que estão errados.  
É a paixão que me move, e será para sempre assim.

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 29 de abril de 2014

Analogia: passado/presente

E todos os dias fazia o mesmo, o ritual de acordar e olhar o mar. O sol estava a nascer ou pelo menos, começava a chegar ali naquele momento. Os raios prolongavam-se no mar calmo, bem ali, à minha frente.
Ficava de pé, ainda de pijama, no balcão da casa da minha avó, deslumbrava-me com aquela luz que me fazia bem. Não sei se já haviam pessoas a passar na rua, não me recordo, isso pouco interessava.
Hoje, confunde-me a falta de gente na minha terra, mas quando somos crianças valorizamos outras coisas.
O verão passava-se assim, as manhãs na piscina, algumas tardes também, ou então por aí, a brincar. A descobrir uma localidade que parecia tão grande, mas que afinal, é tão pequena.
Quando relembro essa época, apercebo-me da grande vantagem de ter crescido no campo, a liberdade. Os carros eram poucos e não circulavam o dia inteiro. Brincávamos na rua e caso um carro se aproximasse, só precisávamos nos afastar, iria tardar a aparecer outro.
Hoje, curiosamente, vejo mais carros acima e abaixo, do que propriamente gente.
Noutra casa e noutra varanda, ainda me debruço a olhar o mar mas os pensamentos que vagueiam não são os mesmos do passado.
Quando recuo no tempo, é saboroso pensar nas experiências e nas amizades. Nas que se mantiveram, poucas, e nas que deixaram de existir com o decorrer dos anos.
Não há ressentimento, os seres humanos passam a vida a perder-se e encontrar-se. Nós mudamos a todo o instante e quem nos identificávamos antes, de repente, deixam de fazer sentido na nossa vida, e vice-versa, é assim.
No entanto, a infância e adolescência foram passagens fulcrais, que de certa forma, influenciaram todo o meu percurso posterior.
Lá de vez em quando, escrevo um bocadinho sobre quem fui e quem sou, mas desta vez, as palavras pediram-me que falasse sobre a minha terra, as gentes, o passado, a vida que foi e que é agora.
Os quase 30 anos, já me permitem olhar para trás, relembrar e compreender a sociedade onde cresci. A cultura vincada e uma mentalidade que cada vez mais se liberta do sentimento de interioridade.
A cidade aproximou-se de nós e sem provocar muito alarido, foi moldando personalidades e comportamentos.
Sim, existem conversas paralelas, há quem continue a dar azo a conflitos desnecessários, há quem nutra pelo vizinho do lado aquela inveja tão típica dos tempos idos.
Ainda existe tudo isso, ou não seríamos nós, uma freguesia maioritariamente envelhecida.
Mas, a par disso, há todo um individualismo crescente, uma desatenção em relação aos outros.
A realidade, a Ponta Delgada tornou-se uma terra abraçada à solidão.
As ruas estão desertas, e a culpa não é apenas da emigração, vivemos apenas para nós, cada um na sua casa e esquecemos que existe gente à nossa volta.
A aproximação à cidade trouxe uma panóplia de vantagens, mas ao mesmo tempo, mudou a nossa identidade como terra. Nem somos uma coisa, nem somos outra.
Pergunto-me, que identidade pretendemos construir?


© Alexandra Carvalho