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domingo, 29 de março de 2020



Interessa-me manter o sorriso, interessa-me manter a confiança no amanhã. E isso mantemos quando acreditamos, desde sempre, que o ser humano é melhor do que aquilo que tem mostrado.
Há uma escolha sempre, ou decidimos ser melhores, ou decidimos ser piores. E não vale a pena fugir disto, nós somos todos iguais, a escolha é que nos diferencia depois. O momento em que decidimos as nossas atitudes.
Durante anos tenho defendido que precisamos escolher ser o melhor que pudermos, connosco e com os outros.
Durante anos tenho afirmado que precisamos estar mais tempo com o nosso eu. Muitas vezes ouvi assim, “Alexandra tens cá umas teorias”, ouvi gargalhadas também.
A verdade, é que sempre o fiz. O tempo que passo comigo é essencial para compreender o que fiz mal, para me perdoar e para perdoar os outros e seguir caminho. Este tempo comigo própria é fulcral para me conhecer até às entranhas. Defeitos e qualidades. Decisões acertadas outras menos. E compreender que as menos certas servem sempre para a minha evolução.
E como é bom estar comigo própria.
De repente, as circunstâncias levaram-vos a estarem convosco próprios. E já ouvi desabafos deste género, “eu nem sei estar comigo, a minha vida toda é externa”. Todo o erro está aí. Nós para convivermos externamente e estarmos no externo, precisamos primeiro de estar connosco, sabermos bem quem somos e o que queremos para a nossa vida.
Precisamos, principalmente perceber que o amor vem de dentro, Sempre.
E no fim, sinto que precisamos compreender todos que a vida só tem sentido quando é o Amor que nos rege.

© Alexandra Carvalho


De repente, vimo-nos forçados a encarar uma nova realidade. Para uns, o choque foi imediato, para outros está a ser gradual.
Primeiro, há a negação. Porque o coração não quer aceitar embora a mente já o tenha feito.
Eu tinha uma viagem agora em Abril, que já cancelei. Não ia de férias para nenhum lugar exótico, nem ia para Lisboa às compras, nem ia só por ir. Com aquela premissa, tenho de sair da Madeira de vez em quando. Eu gosto muito da Ilha da Madeira, estou bem cá.
Eu ia, porque o meu amor não está à distância de um túnel.
No meio deste turbilhão de medidas preventivas que tento cumprir à risca, porque faço parte dos grupos de risco, porque tenho o meu pai idoso em casa com algumas patologias, eu precisei encarar e equilibrar o meu coração.
Não sabemos quanto tempo tudo isto vai durar.
Então os dias têm de ser vividos assim, um dia de cada vez.
Tento não perder o sorriso, tento não perder a minha serenidade e acima de tudo, tento não perder a minha capacidade de empatia e de pensar no outro.
O amor, sendo amor não morre assim, fortalece a cada dia, com a saudade que cresce, com o companheirismo e com o apoio, que damos um ao outro.
Para já, basta apenas uma coisa, cuidarmos de nós e dos outros.
No fim, tudo vai passar. 🍀🍀

© Alexandra Carvalho
18/03/2020

sábado, 25 de janeiro de 2020




O som era estridente. A chuva caía que nem pedras tumultuadas numa estrada de vidro.
Acordei e senti-te, perto e tão longe ao mesmo tempo.
Talvez não soubesse há muito o significado da saudade.
Hoje, ao som da chuva que me invadia o coração, não tive medo e disse, tenho saudades tuas.
O coração ficou mais leve e a chuva, forte ainda e estridente, acabou por me embalar novamente na noite.

© Alexandra Carvalho



Não somos só contornos de um ser na sombra. O segredo é ver para além da sombra.
E se alguém sem ver ainda assim conseguir ver. O segredo estará desvendado.

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O Natal


O Natal, a mim cheira a casa da avó, cheira a tias, a irmãos, a família.
Eu vivi em duas casas, bem, mais do que em duas casas, mas as que considero como parte integrante da minha existência são estas, a da avó e a minha. A dos meus pais, vá.
Eu fui uma criança travessa, esperta e muito curiosa. O Pai Natal foi desmascarado por mim muito cedo. Se tenho pena disso? Talvez não tenha, para tudo há uma razão.
Mas o Natal está longe de ser apenas isso, o Pai Natal, a chaminé e as prendas.
O Natal é o calor dos humanos que nos rodeiam e que nos preenchem até ao âmago.
O Natal é o presépio, sempre bonito que as tias fazem que de ano para ano, muda qualquer coisa, mas mantém a sua essência.
A avó já não está cá, mas a casa mantém-se, as tias mantêm-se e que bom, que assim é.
O presépio, carrega ainda a história de outrora.
A história da menina curiosa que gostava de ver as tias a fazer o presépio ou a mãe a fazer as broas. Sem presunção nenhuma, a minha mãe tem um jeito danado para isso. Ou não fosse ela a minha mãe, tudo está na dose certa, porque vem dali, do ser que mais nos ama.
O Natal é agora, constatar a ausência dos avós, das prendas que são outras, do tempo que se alterou.
Dizer que queria que tudo fosse tal e qual, não é verdade. Porque a vida, tem de ser alterada para que possamos crescer. E principalmente, para valorizarmos tudo o que vamos vivendo com estes seres humanos que aceitaram partilhar tempo connosco.
O Natal é apenas isto, amor.

© Alexandra Carvalho

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Falácia




Cai por terra tudo o que defendemos, quando a vida nos atraiçoa e percebemos que não somos nada. Peças ambulantes de um destino traçado antes de tudo.
Tudo o que pensei já ter aprendido, afinal não aprendi.
Toda a evolução que pensava já ter vivido, afinal não vivi.
Porque os obstáculos caem que nem flechas ou balas sobre mim e não sei lidar com eles.
Fujo, não encaro e nem quero encarar.
Não aprendi a lidar com a mudança, muito menos com a minha.
Não sei gerir as imposições nem mesmo as que são para o meu bem.
Ontem disse, vamos ver como será o amanhã, e este hoje foi pior do que pensava, não volto a dizer, como será o amanhã.
Não antevejo boas coisas, e o sorriso, que achava intrínseco a mim afinal não passa de uma falácia.


© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Julgamento



Falava eu hoje de perdão e de julgamento. Porque cada um de nós, está no seu caminho, no seu ponto de evolução.
Não estamos todos no mesmo sítio. Mas isso, não nos transforma em melhores ou piores.
Leio com frequência sobre espiritualidade, e se houve um tempo em que me resguardava, agora não vejo sentido em fazê-lo.
Não podemos nos julgar ou aos outros, pelas nossas convicções.
Falava eu de perdão e de julgamento, porque em temas de amor, é fácil pender para um ou para o outro.
Se magoa, facilmente julgamos e dificilmente perdoamos.
Não estamos mesmo, todos, no mesmo lugar.
Cada um age como consegue agir, e o seu melhor, pode sim, magoar outros. Como nós próprios, no nosso melhor também o podemos fazer.
Vou entendendo, porque assim a vida vai ensinando, que a mágoa ou a falta de perdão, só dói em nós mesmos.
Faz-nos mal, corrompe-nos por dentro e nesse estado, algumas vezes deixamos de nos reconhecer.
Não vale a pena!
Deixemos para trás quem tivermos de deixar, deliberadamente ou não.
A vida, mais cedo ou mais tarde, encarrega-se de juntar todas as peças que precisam ser alinhadas.
Deixemos então o coração livre para que o puzzle se possa completar.

© Alexandra Carvalho
24/09/2019

sábado, 20 de abril de 2019

As épocas religiosas




As épocas religiosas, há muito deixaram de representar o que representavam para mim no passado. Muito porque, no decorrer dos anos fui vivenciando momentos e experiências que me mostraram o ser humano tal como é, no dia-a-dia.
Defeitos temos todos, e ninguém que afirme que esteja acima de alguém, estará. Na verdade, é bem provável que esteja abaixo na cadeia evolutiva.
Todos os dias, há escolhas que precisamos fazer. Umas vezes decidimos pela melhor, outras vezes decidimos por aquela que pensamos ser a melhor, outras vezes, decidimos de facto, pela pior escolha a ser feita.
Mas é isso que cá estamos a fazer. Estamos cá para viver, para falhar, para aprender e acima de tudo, para recomeçar a cada tropeço e evoluir.
E porque então, as épocas religiosas já não têm o mesmo significado? Porque já não acredito em frases, em desejos que não passam de palavras moralmente aceites e padronizadas. Porque o coração, ao longo de todo o ano, não escolhe ser melhor, nem tão pouco lembra daquelas frases feitas usadas à mercê de um Deus, que elas próprias não seguem.
Dizem acreditar, mas na verdade não acreditam.
Viver é realmente difícil. Porque estamos expostos à dualidade. E sim, a tendência a resvalar é enorme, porque é isso que a dualidade faz.
O grande mistério de cá estar, é conseguir amar incondicionalmente. Que difícil é! Porque as pessoas tendem a nos mostrar o pior de si, tendem a nos fazer sofrer. E nesses momentos que precisamos escolher, entre aceitar que também precisamos viver aquilo para sermos melhores ou renegar a dor, e ver aquele ser humano, como o pior dos piores. Consideramos injusto, quando na verdade também já fomos injustos ao longo desta vida, com tantos seres humanos. E por isso, muitas vezes escolhemos o lado errado.
De vez em quando cansa, e há uma pergunta que timidamente aparece.
Não estás cansada? Não te apetece voltar a casa?
Resposta rápida e sem precisar ponderar muito.
Estou. Muitas vezes apetece voltar a casa, mas outra resposta também surge, não é a altura.
Muitas experiências faltam. Muitas emoções não foram vividas. Ainda não sou aquele ser humano que preciso ser.
Mas é com calma. Sem renegar a dor, sem crucificar quem passa pelo meu caminho.
Somos todos seres, com uma missão. Cada um a aprender consoante o que consegue.
Uma coisa é certa, não são as datas assinaladas que nos fazem chegar lá.
Todos os dias precisamos tentar chegar lá.

© Alexandra Carvalho

quinta-feira, 14 de março de 2019



Nem sempre o caminho é fácil. Nem sempre entendo os sinais. Vou fazendo asneiras, vou corrigindo. Não desisto fácil. Talvez, devesse desistir de vez em quando. Nada que se force, vale a pena, afinal. Mas esta minha essência, faz-me sempre acreditar mais um pouco, caminhar mais um pouco. Até que mude de direcção. E quando mudo, não volto ao antigo caminho, nem às antigas pessoas. Foram. Deixam de ser necessárias. Vou sozinha sempre, pelo meio envolvo-me com outros seres humanos e deixo que eles também se envolvam comigo. Mas o caminho, esse, é sempre sozinha. Somos nós, seres humanos, seres sós. Gosto de ser assim. Gosto desta solidão, gosto também quando abro espaço e deixo que entrem nos meus dias. Já não deixo que entrem e fiquem se for para me desassossegar. Não sei viver no conflito e muito menos sei viver sem harmonia.
Reconhecem-me fácil, se estiverem abertos a isso. Senão, sou um enigma até para quem partilha os dias comigo. Sou o que sou. Não quero ser outra, e que bem sabe, ser quem sou e não ter medo disso.
Paz é a palavra chave.
Evolução é a constante.
Amor é a resposta para tudo.

© Alexandra Carvalho

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Uma espécie de carta de amor




Dei por mim a pensar que me estava a conter. A não usufruir do direito da liberdade de expressão. E porquê? Não há nada mais belo do que afirmar um sentimento que é puro.
Sabes a que sentimento me refiro? O sentimento que despertaste em mim?
Primeiro, falar-te-ei como me apercebi. Porque a história também está nos pequenos detalhes.
Chamou-me à atenção, inicialmente, a tua beleza física, mas esse, foi o primeiro quesito que deixou de ter importância mais cedo.
Dizias todas aquelas afirmações sobre mim, que primariamente, irritavam, depois passaram a fazer todo o sentido. Despertou-me o interesse, saber que eras diferente (embora em alguns aspectos, tão igual a todos os homens).
Foram passando as semanas, os meses, tivemos percalços, direi mesmo que estivemos na iminência de nos perdermos de vez. Acho que sabes e que sentes o mesmo! Não aconteceu. Reaproximamo-nos, com uma ligação que foi crescendo e tornando-se mais forte. Corrige-me se estou errada.
Veio o brilho no olhar. Que se tu não vias (não vês), todos à volta viam.
O olhar dela brilha quando está com ele, quando se aproxima, quando lhe fala, quando lhe sorri. Talvez, eu própria ainda não tivesse assimilado o facto, e todos, próximos a mim, já me tivessem diagnosticado.
Estava a apaixonar-me. Sim, leste bem, por ti.
No dia-a-dia fui constatando pormenores, coisas que se me afiguravam e inconscientemente, eu comentava, se ele visse isto, ou, quando ele vê algo do género diz isto.
Inevitavelmente, estava imersa em ti.
Lembras-te quando te pedi para me arregaçares as mangas, estava eu na tua cozinha, a lavar a loiça? Tu vieste e puseste-te atrás de mim, eu senti o teu corpo no meu, estremeci, toda.
Pensei, porque é que ele me faz isto? Não podias ter ido pelo lado, como toda a gente?
Quase, com os meus sentidos despertos, virei-me para ti para dizer, não consigo mais, beija-me. Não o fiz. Nesse preciso instante, relembrei uma mensagem tua a dizer-me, tu não tens hipótese comigo.
Dei um travão aos meus sentidos e pensei estar a dar também ao sentimento.
A base de tudo isto é a nossa amizade, a nossa ligação emocional, as nossas semelhanças que nos aproximam e as diferenças, que as conhecemos e aceitamos. A outra pessoa não tem de ser igual a nós, nem moldar-se a nós, para gostarmos dela, pelo contrário, tem de ser genuína, afinal, é isso que a diferencia, e é isso, que faz com que nos sintamos bem com ela.
Estes dias, tens reafirmado várias vezes, somos amigos, ela não conta porque é amiga, ou então, falas-me em engates. Não é fácil ouvir. Principalmente, porque a cada toque inocente teu, a cada olhar que me invade, eu me atrapalho, tal mulher apaixonada!
E não imaginas o que é sentir o simples toque do teu braço no meu!
Intimamente e conscientemente, sei que não me vês da mesma forma, ainda assim, sei que gostas de mim, pelos actos, pela tua disponibilidade.
Tenho ouvido os amigos próximos, as amigas, é consensual entre eles, afasta-te dele, ele não sente o mesmo e a cada contacto, tu envolves-te mais.
Não o fiz, contra tudo e contra todos. Já sabes que tenho a propensão de fazer o que todos os outros não fazem e ir por aquilo que penso e quero.
Mário Quintana diz: “A amizade é um amor que nunca morre”. E porque gosto de ter-te na minha vida, de todas as partilhas que fazemos, vou primar por isso, pelo amor que nunca morre.
Os amigos, mais uma vez, consensuais, acreditam que depois de confessar o que sinto, perderei a amizade, que tu irás afastar-te. Eu acredito, se te conheço, como penso que conheço, que irás frustrar as suas convicções. No entanto, perceberás que esta era uma confissão fundamental se quisermos subir mais alguns degraus do patamar que já estamos.
As amizades não prevalecem com sentimentos oprimidos ou reprimidos e com falta de verdade.
Em algum momento, eu deixaria de ter forças para combater o que sinto por ti e aí sim, a amizade morreria, para sempre.

© Alexandra Carvalho
12/11/2016


sábado, 19 de janeiro de 2019

A avó Piedade




Nunca pensei muito na minha avó Piedade, desde o momento que ela partiu deste plano terreno. Lembro que na época sofri. Não poderia ser diferente, claro.
Vivi os anos principais do meu crescimento com ela. Com menos mimo ou com mais, fez parte do meu percurso.
Recentemente, dei comigo a falar dela, e a falar com carinho, das pequenas coisas que fez por mim que afinal eram grandes.
Nunca sonhei com ela, mas a verdade é que as minhas noites devo passá-las nalgum outro plano, porque raramente lembro dos meus sonhos.
No outro dia, dizia eu que não apreciava arroz, o que é verídico, mas essa afirmação remeteu-me para o passado.
Dos dias que vinha do colégio à hora de almoço, e passava por lá, na casa da avó. Ficava a caminho da minha, continua a ficar.
Ela dizia assim, “ah Alexandra a gente não tem nada de especial, se a gente soubesse que vinhas”, mas logo depois, dizia assim, “espera, temos ali um arrozinho do almoço de ontem, a avó vai fritar um ovo e comes com o arroz, queres?”. Eu queria sempre, não pelo prato propriamente, mas porque ali eu estava em casa, como se não tivesse saído de lá.
A minha avó Piedade não foi aquele tipo de avó carinhosa ou afectuosa, tinha lá o seu feitio, mas acho que gostava de mim.
Lembro de ser uma miúda, sempre gostei de ler em voz alta, ela gostava de me ouvir ler, do meu tom, da minha expressividade nas palavras, pedia até que eu lesse para ela. E eu lia.
Acredito que com o seu jeitinho peculiar, era uma forma de me dizer que eu era especial para ela.
Perdia-a quando estava na Universidade, recém-chegada a uma vida nova e diferente. A perda foi sentida, à distância. E quando regressei de férias, não falei muito sobre isso, mas aquele lugar onde ela se sentava, a cadeira onde se sentava fazia-me desviar o olhar. Intimamente tinha saudade.
O tempo passou, seguimos caminho, sabemos que a vida é feita desta forma, de pessoas que estão na nossa vida e depois vão embora. Ficam as memórias, as boas, as menos boas e algumas tristes.
Uma coisa é certa, jamais vou esquecer o arroz com o ovo frito.
Obrigada avó.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Até 2019



De ano para ano, tentamos não levar bagagem, ou pelo menos tentamos só levar para o ano novo a bagagem que interessa.
Sabemos todos que não funciona assim.
Nós somos a soma das nossas vivências, das pessoas que se relacionaram connosco, dos sentimentos despertados, das emoções vividas.
Nós somos tudo isso. O mais sensato é aceitar, é entender.
Com o aproximar do final do ano, pensamos um bocadinho mais sobre estes assuntos, mas é ao longo do ano que trabalhamos em nós próprios, nas nossas conclusões, nas nossas decisões.
Dizer que esperamos ter um ano novo assim, com isto e aquilo, não é sinónimo de nada, se por dentro ainda somos os mesmos seres humanos. Aquele ser humano que ainda não aprendeu a conhecer-se, e que nem tenciona evoluir.
Porque aquele ano, e todos os outros, vão trazer situações idênticas se nós não rompermos padrões.
E caramba, como tenho aprendido este ano a quebrar padrões.
E que difícil é!
Difícil e gratificante.
A cada padrão compreendido e quebrado a vida trouxe logo algo melhor.
Nem todas as amizades vão sobreviver, mas é mesmo assim. Estamos cá para vivenciar ciclos, e se num ciclo, aquela pessoa fazia sentido na nossa vida, e nós na dela, no próximo, poderá não fazer.
Desapego e amor incondicional.
O que mais aprendi este ano.
Os eventos foram sucedendo gradualmente, nuns momentos foi mais doloroso, noutros nem tanto. Fui caminhando com as lições e fui evoluindo.
A cada passo tento ser a melhor versão de mim. A melhor, naquela circunstância, naquela ocasião.
Aprendi a olhar para as minhas fraquezas, como sendo forças. Ao compreender isso, foi mais fácil criar mecanismos para ser uma pessoa melhor.
Não traço metas para o próximo ano. A vida sabe o que é melhor para mim.
Vou confiar.

© Alexandra Carvalho

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Será o que tiver de ser



Há um momento que decido fechar-me e esquecer. O interruptor está ali mesmo e poderei ligá-lo a qualquer momento. Para já, não me apetece.
Não deixei de ter emoções nem passei a ser um humano frio. Só desliguei daquelas emoções em particular, com aquele ser humano em particular.
Hoje, questionei-me: serias capaz de viver com aquela pessoa? Consegues imaginar-te a acordar todos os dias a ver aquele rosto? Terá ele capacidade de te ver tal como és?
Perguntas básicas mas que respondem grandes questões. Uma espécie de separação de o trigo do joio.
Sim, conseguiria viver com aquela pessoa, também conseguiria acordar e deitar com aquele sorriso todos os dias. Mesmo quando não houvesse sorriso.
Até aqui não reside problema.
Não, ele não tem capacidade de me ver como sou.
Não tem agora, não terá mais tarde.
Apesar de escrever e apreciar sobremaneira as palavras, tenho vindo a perceber que as constatações acontecem quando nos deparamos com as acções. E as acções, desde o início mostraram sempre a mesma realidade.
E pela primeira vez, eu mostrei o meu eu, fui mostrando devagarinho e dei de bandeja a verdadeira Alexandra, a alma alojada nesta Alexandra.
E para partilhar tempo com esta alma é preciso vê-la, aceitá-la e acima de tudo respeitá-la.
Quando não a vês, também não consegues respeitar.
E se não tens capacidade para isso, é porque os nossos trajectos são opostos.
Dissipam-se as dúvidas.
A amizade poderá viver, como poderá não viver.
Será o que tiver de ser.

© Alexandra Carvalho

terça-feira, 23 de outubro de 2018



Acredito que estamos aqui, neste plano que é tão denso para evoluirmos como seres humanos, mas essencialmente para conseguirmos ir mais além como almas.
Viver, não é fácil. Há experiências que nos levam para lugares que podem ser muito sombrios. Há pessoas que se encontram connosco, que na medida do impossível conseguem transportar a nossa essência para uma escuridão que não é nossa.
Mas, porque acredito que estamos cá para evoluir, sei que nada é por acaso.
Nem essas experiências, nem essas pessoas.
Naquele preciso momento, elas estão ali para nos confrontarmos com dores que são eternas e que vida após vida, teimamos em não querer deixá-las.
Sem vivenciar essas dores, esses sentimentos tão dilacerantes, sem quebrarmos os padrões que nos levam a elas, nós continuaremos a andar em círculos que se tornam incomportáveis de viver.
É preciso chorar, e repensar o que queremos para nós.
Se um ciclo giratório, que não nos desprende das mesmas eternas realidades. Se a alegria, se a mudança.
Viver, mesmo quando percebemos isto, ainda assim, é difícil.
Existe um ego que nos puxa para uma racionalidade desmedida. Logo ao lado, está uma essência que nos arrebata e tenta mostrar o que a intuição nos quer dizer.
Às vezes, as pessoas que nos mais magoam, são aquelas que mais nos dão. São as almas companheiras que aceitam ser o canal que transporta a dor, a tarefa complexa, que no final de contas, abre o caminho para a nossa evolução, para a alegria que estamos destinados a viver.
Tão companheiras que são, que não estão aqui para ficar connosco. Não é essa a missão primária com que vieram.
No decorrer dos anos, se estivermos abertos ao conhecimento, à sabedoria que tudo na vida, nos faculta. Conseguiremos dizer, que a pequenos passos começamos a valorizar o mais importante.
A Serenidade. A Paz. A Verdade. O Amor.
O Eu Superior, o nosso, o mais puro e mais real.

© Alexandra carvalho

domingo, 7 de outubro de 2018

O exemplo de uma declaração


Lá atrás, não tem assim muito tempo disse-te que não ia remar sozinha, porque a maré era difícil de contornar.
Não sei bem porquê, mas não consegui desligar-me, pelo contrário. Quando dei conta, estremecia ao te ver, ou simplesmente ao ver o teu carro passar por perto.
Apeteceu-me várias vezes dizer que estava a começar a gostar de ti. Mas este é um gostar novo na minha realidade.
Eu sempre fui intensa, de grandes paixões, com pressa. E contigo, fui ficando, fui esperando, tive medo, acho eu.
Em alguns momentos a dois, apeteceu-me dizer, vem cá e dar-te aquele beijo que tenho aqui contido desde algum tempo. Mas mesmo apetecendo, não fui capaz.
Tive medo que logo ali, tu me rejeitasses, e eu nunca fui rejeitada, não sei como lidaria com essa situação.
Depois tive outro medo, que a nossa amizade/ligação se perdesse por essa atitude minha.
Não nos vemos sempre, a vida não permite, a nossa vida, não só a tua, nem só a minha. Mas acredito que este carinho, atenção ou seja lá que sentimento é, existe entre nós.
Agora, estou com outro medo, o da vergonha. De olhar para ti, depois de leres este texto. Tenho medo também que venhas ter comigo para dizer que não sentes este “gostar” igual ao meu.
Não me cai o chão se ouvir essas palavras, estou numa fase em que me amo o suficiente para viver bem sozinha e há muito tempo aprendi que o amor não completa, o amor, se for como deveria ser, acrescenta.
Completar e acrescentar são coisas diferentes.
Sei que de longe notaste a minha sensibilidade, e então sim, as palavras, as atitudes que os outros têm para comigo fazem alguma mossa, mas já não me deitam abaixo.
Da forma mais serena possível, consigo dizer-te, gosto de ti. Esperando o tempo que for preciso para que estejas pronto para nós.
De forma, também serena, digo que estou pronta para seguir se os nossos caminhos não se cruzarem, como eu sinto que podem cruzar-se.
Agora, o remo está do teu lado e seguirei consoante a tua direcção.

© Alexandra Carvalho
26/09/2018 - São Vicente

sábado, 29 de setembro de 2018

Sobre a perda e o perdão


Porque os acontecimentos chamam-nos à atenção, mesmo quando não acontecem connosco, mas com pessoas próximas a nós.
A vida é fugaz, e nós sabemos disso. Ainda assim, vivemos os dias como se fôssemos viver sempre o amanhã.
Mas pasmem-se. Não vivemos sempre o amanhã.
Porque nem só a doença é responsável por desprender-nos deste plano terrestre. Andamos aqui todos os dias à mercê de qualquer fatalidade. Um acidente estúpido, uma queda, uma dor repentina, e pronto, vamos embora.
Recentemente, porque alguém próximo a mim viveu uma perda assim. Fez-me pensar ainda mais sobre os dias que passo aqui por baixo, nesta terra que tantas vezes não é correcta nem justa.
Fez-me olhar para mim, para a minha realidade, a minha verdade.
Pedi perdão a toda a gente? Toda a gente me pediu perdão? Perdoei-me a mim?
Disse a todos de quem gostava da imensa importância que têm na minha vida?
Disse a quem amava, que realmente amava?
Pois é. Nem sempre.
Calamos as palavras e calamos os sentimentos também. Porque acreditamos que há sempre um amanhã, e que em algum momento vamos ser capazes ou porque o tempo irá encarregar-se desses sentimentos/palavras.
Devido a este acontecimento, despoletou-me a necessidade de dizer mais o que sentia, com todas as consequências que podem advir daí.
Mas, sabem, dizer a verdade é sempre o melhor caminho. O que é para nós, vai ser sempre para nós. O que não é, não vai ser. Por mais que queiramos que seja.
O que realmente é importante é não guardar sentimentos que nos aprisionam, mesmo quando não percebemos que é isso que nos fazem.
Doendo ou não, ferindo o orgulho ou não, é preciso pedir perdão quando for altura.
É preciso dizer que gostamos dos outros, quando assim é.
É preciso dizer que amamos, quando realmente amamos.
Porque na hora da partida, o coração estará mais leve, o nosso e de quem vai.

© Alexandra Carvalho

domingo, 23 de setembro de 2018

Esta Alexandra que agora existe



Quando olho lá para trás, para os meus escritos íntimos, mais ou menos poéticos. Fico em dúvida, de que esta Alexandra seja a mesma que escreveu todas aquelas palavras carregadas de drama e pouca luz.
As minhas duas décadas de vida foram controversas, e nesta alma que aparentou sempre uma calma e passividade externas, existiu sempre um espírito insatisfeito.
Deste espírito controverso, surgiram poemas interessantes, imersos numa obscuridade que nem toda a gente conseguia perceber.
As palavras nunca são apenas palavras. São emoções.
Na minha terceira década de vida, comecei a encontrar-me. A compreender o efeito que as experiências, todas, têm na nossa vida. A compreender, a aceitar, a aprender e a deixá-las para trás. 
E como resultado, renasceu a Alexandra. Que não só aparenta calma e serenidade. Mas que efectivamente, é calma e serenidade. 
Talvez, não volto a escrever aqueles poemas que de tão dolorosos, eram sublimes e intensos. 
Mas esta é uma escolha. 
Escolhi a serenidade, escolhi o amor. 
Mas o caminho não termina apenas por uma decisão, ou uma escolha. 
E pelos dias fora, serei sempre confrontada com a dualidade da vida. 
O caminho, é isso mesmo. Caminho... 
Não se encerra... A evolução não morre nunca.

© Alexandra Carvalho

O Arraial da minha terra




Sim, o Arraial do Bom Jesus irá sempre remeter-me para lembranças antigas. 
Dos tempos em que acordava eufórica para ver se já havia mais barracas pelas ruas circundantes à minha casa.
O cheirinho a louro das traves colocadas simetricamente. As flores, que ajudávamos a pôr. O interesse era vê-las lá a embelezar o nosso sítio. E ajudávamos como sabíamos. Éramos crianças, adolescentes. 
Mas o Arraial não era apenas isso. Era reencontro. Era família.
A família emigrada chegava sempre dias antes. A avó Piedade ainda estava por cá. O Sr. José também e havia ali, em todos, uma energia diferente do resto do ano. Falavam sobre os bolos a fazer, o pão a amassar. Quem vinha para almoçar connosco, se as tias do Funchal também vinham, o meu avô Ricardo. Era uma azáfama que me agradava. 
Subia ao balcão da casa da minha avó, e olhava. Ficava parada tempos, perdia-me ali. Não sei bem o que via. Apenas olhava para tudo.
Hoje, quando penso no Arraial, o sentimento também é de saudade. Inquestionavelmente penso sempre, passe o tempo que passar na minha avó Alaíde. No calor que eu sentia que vinha dela, percebo agora, que esse calor ou conforto era amor.
Não sei passar o Arraial sem ir a uma barraquinha e comprar os doces de leite, não pelos doces. Mas por ela. Não para a prender a este plano, apenas para reafirmar que as almas que se amam, amam para sempre. 
E aquela criança que perdeu a avó cedo, relembra os doces que ela fazia questão em trazer. É quase um sinónimo de amor.
A família tornou-se pequena. Com o tempo, fomos diminuindo no número, mas não no Amor. 
Este Arraial do Bom Jesus, para mim, para além dos romeiros que atrai, para além de toda uma dinâmica que muda na minha freguesia, para além da fé ou da Religião. Este Arraial relembra que estamos juntos, e que enquanto houver amor, haverá tudo o resto.

© Alexandra Carvalho

quarta-feira, 11 de julho de 2018

É para este amor que estou preparada para viver




A vida no decorrer dos anos foi-me trazendo pessoas. Algumas romanticamente especiais, outras, cujo propósito era a minha evolução, à época, terão sido tudo menos especiais.
Deixei que o meu coração ficasse amargo, permiti não perceber o que aquelas pessoas traziam para o meu caminho.
E por isso, falhei, sucessivamente.
O meu desejo era de um amor pleno, apenas. Tão somente isso.
Na minha feroz ansiedade à procura desse tal amor pleno, fui bloqueando até o que eu merecia. Até aquilo que efectivamente, era suposto eu viver.
E fechei-me ao amor, inevitavelmente fechei o canal que atraía esse sentimento e todas as pessoas que poderiam despoletar essa vivência.
Nesta fase em que me encontro, de reflexão, de reconhecimento, de perdão, de aceitação do passado, já consigo dizer sem medo, sim, não sei se é um amor pleno que eu quero.
Mas quero a companhia que não foge quando os dias são sombrios, o olhar que cruza com o meu e fica em silêncio porque sabe que é no silêncio que eu preciso estar. O sorriso que se abre porque me conhece de todas as formas e feitios, a totalidade da minha essência. A mão que se entrelaça na minha reafirmando que o caminho será a dois, mas que eu estarei sempre no meu, o individual. O ser humano que rejubila com as minhas conquistas. A Alma que não esquece de acariciar a minha, quando porventura, perceber que estou a me perder.
Não sei se é este o amor pleno. Mas é com certeza, para este amor, que finalmente, estou preparada para viver.


© Alexandra Carvalho

domingo, 1 de julho de 2018

Perdão é cura




Estes dias, num texto que escrevi e publiquei, assumi o meu pedido de perdão a uma das pessoas mais especiais que passou na minha vida e que já faleceu, o Mário.
Ando num momento de mudança, de libertação.
A minha terapeuta espiritual confirmou que eu tinha coisas mal resolvidas contigo, eu sabia que tinha, mas ao mesmo tempo pensava que não, ou melhor, eu queria não ter, porque é mais fácil quando não assumimos as coisas. Reconheço que também a ti devo um pedido de perdão, penso que não teremos uma outra oportunidade pessoalmente, porque o teu momento de mudança interior não permite que estejas comigo. Por isso, peço perdão pelas atitudes, todas, que tive contigo. Pelas mudanças de humor, pelas cobranças que sempre fiz. Mas acima de tudo, eu peço perdão pela vergonha que tive sempre, em dizer em voz alta, que gostava de ti. Na minha pequenez de espírito, sempre te adorei, a dois, entre quatro paredes, mas ainda não tinha grandeza suficiente para assumir que gostava de alguém com tão poucas habilitações e que ainda por cima dá erros ao escrever. E por isso, sim, tinhas razão, quando disseste que parecia que eu tinha vergonha de ti. Eu neguei, é verdade, mas porque não era capaz de admitir, porque tinha vergonha de mim por pensar assim.
Nós somos todos iguais, e eu estou sempre a defender isso em todo o lado, mas quando tocou em mim, eu tive vergonha. E escondia ao máximo, o meu encantamento por ti.
Grande lição que eu tinha aqui para aprender, contigo. Demorei, mas já aprendi.
O que interessa não é o curso superior, não é o dinheiro, nem tão pouco é a imagem. O que interessa são os sentimentos puros e o amor verdadeiro.
Quando pedi perdão ao Mário, lá nos céus onde ele está, chorei tanto. Contigo não estou a chorar, talvez porque ainda cá estás, aqui em baixo e poderás me perdoar por tudo, e porque eu também me poderei perdoar e ter tanta vida pela frente, para fazer o certo.
O perdão é cura, e eu, estou a curar-me agora de muitos anos de dor, de lágrimas, de vazio.
Obrigada (a tua alma também não passou por mim em vão).

© Alexandra carvalho